O último delírio?

- Advertisement -

Convém, numa primeira instância, dirigir uma palavra aos críticos e ao parecer mais antagónico que se possa erguer perante este assunto, que tem tanto de delicado como de parvo, para não dizer ultrapassado e completamente dispensável: não confundam uma opinião com ódio destilado nem com um simples ataque à dignidade de quem quer que seja, a aliteração não conduz ao desconcerto da coisa. Trivializar é o segredo porque, no fundo, os comentários iniciam a corrida ao mesmo tempo e cruzam a meta da subjetividade simultaneamente. Portanto, diminuído o cardápio de desculpas, urge à criatividade (ou palermice) de cada um completar o labor da argumentação.

Voltamos à saga de Bruno de Carvalho, ex-presidente do Sporting Clube de Portugal. Não sei se é apenas fruto do meu pensamento ou se existem algumas almas que o considerem uma espécie de assombração, uma tormenta que se aproxima da nossa razão como que o acionar de um interruptor: na presença de luz, ei-lo ali, hirto, a rir e a tecer demonstrações de amor pelo clube. Desde o primeiro momento que questionei, não o sentimento, mas a forma como o mesmo foi expressado. O paralelismo é imediato: numa relação amorosa, Bruno de Carvalho era o parceiro obsessivo, o que enclausura, o domador. Múltiplas peripécias realizaram placagens, dignas de verdadeiros profissionais de rugby, e derrubaram (novamente) a instituição, atirando-a para a lama. Ele, conjuntamente, também se sujou, dos pés à cabeça.

A marca de Bruno de Carvalho continua bem presente no universo leonino
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Predisponho-me a ir para a frente da SAD do Sporting imediatamente e de borla. Não quero salário, não quero carro, nem cartões. Não quero nada do Sporting. Só quero receber no dia em que o Sporting for campeão nacional de futebol de seniores masculino”, afirmou na Rádio Estádio. Mesmo que a vontade de receber algo prevalecesse, a crise financeira que o clube atravessa deixava por terra essa hipótese. Durante a sua estadia, nas épocas gloriosas, onde se ia alternando o segundo com o terceiro posto, muitos foram os investimentos supérfluos que resultaram em prejuízo (quase predestinado).

Tiros nos pés, na barriga e na cabeça. A ânsia de ser campeão, de se vangloriar e de poder tirar proveito desse facto subjugou toda e qualquer tática que germinasse.  A Doyen, o Cashball, a atitude perante Marco Silva, os ataques pessoais, os posts e as bicadas nas redes sociais, as assembleias gerais caóticas e ditatoriais, as imposições estúpidas e mesquinhas, os plantéis construídos sem estabelecer qualquer tipo de equilíbrio entre os suplentes e a equipa titular, a cisão interna desde o primeiro momento, estendida da equipa técnica à empregada de limpeza, com passagem pelos profissionais ativos. Ou seja, tudo o que agora é colocado em causa (também por mim), foi realizado anteriormente.

Quero que as pessoas tenham a noção clara de que a única coisa que me move é querer ver o Sporting estável e a desenvolver-se como estava. Quero um Sporting ganhador!”. Tiro-lhe o chapéu, sem qualquer dificuldade. Em apenas cinco anos, a nível desportivo, observamos o Sporting mais impetuoso dos últimos 20 anos, a eclosão das modalidades, o vibrar e o rugido do João Rocha, a Sporting TV, a reaproximação às duas maiores potências desportivas da atualidade (SL Benfica e FC Porto), a fortaleza edificada em Alvalade, o regresso das noites europeias e a reestruturação da dívida. Marcos importantes e irrefutáveis ao nível do sucesso desportivo-financeiro!

“Não me digam que é populismo. É amor e a convicção de que os nossos fundadores estavam certos. (…) Já não consigo mais ver esta destruição, esta autêntica guerra civil. (…) Predisponho-me a ir para a frente da SAD do Sporting imediatamente, mesmo com o Varandas no clube. O atual responsável financeiro [Salgado Zenha] pode até ser o meu braço direito”. Até aqui, as provocações, os insultos e as afrontas. Agora, a redenção, a disponibilidade gratuita e a superiorização do Sporting aos seus interesses pessoais.

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Romão Rodrigues
Romão Rodrigueshttp://www.bolanarede.pt
Em primeira mão, a informação que considera útil: cruza pensamentos, cabeceia análises sobre futebol e tenta marcar opiniões sobre o universo que o rege. Depois, o que considera acessório: Romão Rodrigues, estudante universitário e apaixonado pelas Letras.                                                                                                                                                 O Romão escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Arouca vence e coloca a manutenção do Estrela da Amadora em risco

Na 30.ª jornada da Primeira Liga, o Arouca recebeu e bateu o Estrela da Amadora por uma bola a zero, com um golo de Tiago Esgaio.

Franjo Ivanovic titular no Sporting x Benfica: há quanto tempo o croata não alinhava de início pelas águias?

A grande novidade de José Mourinho no onze do Benfica é Franjo Ivanovic. Avançado ainda não foi titular em 2026.

Conrad Harder marca antes do Sporting x Benfica: «Talvez goste de jogar contra as águias»

Conrad Harder deixa 'bicada' nas suas redes sociais antes do dérbi entre Sporting e Benfica. O dinamarquês marcou na vitória do Leipzig frente ao Eintrach de Frankfurt.

Besiktas fica mais longe do acesso à Europa League com derrota na visita ao Samsunspor

O Samsunspor venceu o Besiktas por 2-1, num encontro da 30.ª jornada da Liga Turca. Jota Silva e Afonso Sousa estiveram em ação.

PUB

Mais Artigos Populares

Sporting x Benfica vai começar com atraso: eis a nova hora para o início do jogo

O Sporting x Benfica vai começar mais tarde que o previsto. Apito inicial do encontro marcado para as 18h15.

Jorge Jesus x Rui Vitória: Al Nassr goleia o Al Wasl e avança para as meias-finais da Champions League Asiática

No duelo da Champions League Asiática entre Jorge Jesus e Rui Vitória, o Al Nassr levou a melhor sobre o Al Wasl, com uma vitória larga por 4-0.

Acidente na Ponte 25 de Abril obriga Benfica a mudar percurso e atrasa chegada da equipa a Alvalade para o Dérbi contra o Sporting

O Benfica foi forçado a mudar o percurso para chegar a Alvalade. Acidente na Ponte 25 de Abril cortou o trânsito.