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Todos estamos a conviver com o vírus de forma diferente. Uns muito preocupados na proteção de si e dos seus, levando alguns ao limite de preferirem privar-se de visitar os seus entes queridos durante meses a fio apenas com o intuito de os proteger. Já outros consideram que isto é um exagero, uma farsa vendida pela comunicação social.
Todos terão as suas razões, umas mais plausíveis que outras, mas a verdade é que, acreditemos ou não, o vírus mudou os nossos comportamentos, a forma de convivermos em sociedade.
Consequentemente também o futebol foi afectado, tendo agora de sobreviver sem público nos estádios e a incerteza de a qualquer momento verem o próximo jogo adiado.
O Sporting CP, por não lhe ser possível isolar-se do mundo, está a sofrer as consequências destes novos tempos, e como não poderia deixar de ser, é uma das equipas mais afectadas com atletas infectados. Digo isto, porque o clube de Alvalade vive sob o jugo do cúmulo da lei de Murphy. Ou seja, Quando tem que correr algo mal, corre, e no pior momento possível.
A meu ver, nestas condições, não deveria ser permitido disputar-se o campeonato, porque neste momento estamos na incerteza de que haja um próximo jogo, se teremos jogadores para o disputar ou mesmo se conseguiremos terminar o campeonato.
E isso existe porque quem governa não tem a coragem de tomar uma atitude definitiva e então permite que se jogue para satisfazer os patrocinadores, porque a “economia” não pode parar, mas sobrecarregam o futebol de restrições para querer mostrar que estão preocupados com a saúde dos contribuintes. O problema é que é difícil agradar a Deus e o Diabo ao mesmo tempo, pelo que mais tarde ou mais cedo terão que decidir que o futebol, como outros espectáculos de entretenimento, terá o público de volta às bancadas. Porque o vírus não vai desaparecer, e a tendência não é melhorar, pelo menos nos próximos meses.

Fonte: PM António Costa
O Sporting CP já teve um dos seus jogos adiado pelo facto de ter atletas infectados pelo vírus e isso continuará a acontecer. Ou melhor, só não acontecerá se não testarem os jogadores ou mentirem quanto aos resultados dos testes. Ou podem isolar os jogadores em retiros e estágios. (e mesmo assim, sempre haverá movimentação de pessoas, nem que seja a senhora da limpeza, o cozinheiro, etc…)
Para se perceber que nada disto faz sentido, vemos pessoas no banco de suplentes, bancadas com máscaras, vemos jogadores a cumprimentar-se com cotoveladas (já antes o faziam durante os jogos mas com outro intuito), mas depois vemos atletas a chocar uns contra os outros, a respeitarem ofegantes para cima do adversários, a festejarem golos todos abraçados. Podem dizer que pode ser apenas para ilustrar a responsabilidade de cada um se proteger, mas então a outra parte mostra o quê?
Portanto, ou decidimos que isto não é tão grave assim, e continuamos a ter o futebol de sempre, ou mais vale parar os campeonatos. (Eu sei, o dinheiro não deixa). Porque, convenhamos, para parar uma pandemia (para quem acredita que ela existe) não vai ser a ter estádios de 30 mil pessoas umas em cima das outras ao abraços a festejar que o vamos conseguir.
Mas já estamos habituados a que em Portugal se navegue à vista, sem planeamento e medidas preventivas sobre eventuais problemas que surjam. Em Inglaterra já se estão a criar leis que abranjam todos os cenários sobre o que acontecerá ao campeonato em caso de paragem. Assim não terão que tomar decisões à pressão, segundo os interesses de quem esteja naquele momento a disputar os lugares de decisão. Mas em Portugal gostamos de ter em aberto todos os cenários, certo?
Falando especificamente do Sporting CP, e porque é esse que nos interessa, se se mantivessem os pressupostos de que as receitas da bilheteira do estádio serviriam para investir nas modalidades, então teríamos um decréscimo de qualidade no nosso eclectismo.

Fonte: Bola na Rede
Quanto aos atletas, o simples facto de não saberem se estão infectados pelo vírus, se vão jogar os próximos jogos, se estão a pôr em risco as suas famílias e as suas carreiras, deve mexer um pouco com a concentração dos mesmos.
E o que dizer de uma equipa que está sem treinador há já pelo menos uma semana e meia? Não deve ser o melhor cenário para uma equipa de futebol, apesar de termos ganho os dois jogos oficiais até agora disputados.
Para os jogadores também não haverá a mesmo motivação, não jogando com a mesma intensidade com que o fariam caso estivessem a jogar num estádio cheio, apesar de no caso do Sporting CP se ter chegado a criar uma ideia de que ganhavam mais jogos fora que em casa por não se sentirem tão pressionados. Se calhar o problema dos jogadores é esse mesmo. Pode ser um bom sinal. Ou seja, se este campeonato se aguentar até ao fim talvez o Sporting CP tenha boas hipóteses de ganhar, já que não tem a massa adepta a pressionar.
A verdadeira preocupação, no entanto, é como um clube que vive no limbo financeiro, conseguirá resistir à mutabilidade do vírus, com o decréscimo de receitas que isso acarreta. Talvez “despachar” miúdos da academia. Não sei. Mas o certo é que vamos precisar de muita “ginga” para driblar esta pandemia.













