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José Peseiro sempre foi um apologista de defender com linhas mais altas no campo. Não o faz sempre, devido ao ritmo de jogo ou à imprevisibilidade do mesmo e do adversário, ou por vezes apenas por gestão do resultado. No entanto, é importante recuperar as bolas no ultimo terço do terreno de forma a estar mais perto da baliza adversária. Peseiro exige concentração, linhas curtas, com especial foco no posicionamento dos jogadores e de forma a compactar o jogo e a linha defensiva. O Sporting procura desde cedo recuperar a bola, procurando colocar agressividade sobre o portador da bola. Vemos este exemplo no jogo contra o Benfica, em que a equipa se monta em 4x4x2 com Bruno Fernandes bem perto do avançado, defendo com linhas bem definidas. Com o bascular do jogo, os extremos procuram fechar dentro, tentando fechar as linhas de passe e fazer um bloco mais coeso. É importante salientar que o objetivo passa sempre por obrigar o adversário a jogar por fora – ou seja – a jogar pelas linhas laterais do terreno e a focar o seu jogo aí, evitando o jogo entrelinhas sobretudo no espaço central do terreno.

Sporting a defender com linhas bem definidas, com um bloco médio-alto, juntando Bruno Fernandes ao ponta de lança desde a primeira fase defensiva
Fonte: Frame Btv

No processo defensivo a bola é a referência como a equipa se posiciona em campo e como se movimenta e depois ter em conta o posicionamento dos companheiros de equipa. Utilizar um sistema permanente de coberturas, fechar os espaços, deslocar-se sempre em bloco no espaço e na profundidade. Um médio como Battaglia, mais intenso, com maior capacidade física, permite ter maior agressividade no meio-campo e na pressão feita. É um dos factores de ter Battaglia como titular e na posição seis.

Apesar disto, as equipas de José Peseiro – e o Sporting não é exceção – são algo premiáveis no seu processo defensivo. Peseiro sempre foi de ideias mais ofensivas e isso cria desequilíbrios na equipa. Ao colocar muitos homens em zonas de finalização ou em espaços mais avançados, coloca a equipa mais fragilizada e propícia a sofrer um contra-ataque em igualdade ou inferioridade numérica.

Nos jogos feitos está época foi possível observar sobretudo os seguintes aspetos:

  • Espaço nas costas da defesa devido ao bloco ser por vezes mais subido – sobretudo na lateral esquerda onde Jefferson apresenta debilidades.
  • Faltas de concentração, alguma passividade em alguns momentos e falta de posicionamento, permitindo aos adversários jogarem entrelinhas, construindo à vontade ou capazes de jogar no espaço deixado nas costas – sobretudo entre a linha defensiva e a linha de médios, deixando a equipa mais partida. Existe aqui alguma facilidade em os adversários quer seja em ataque rápido ou ataque organizado entrarem e jogarem na nossa linha defensiva.
  • Ao colocar muitos homens na área – avançados, extremos, médios centro que chegam muito à frente nos seus movimentos– fica suscetível a possíveis contra-ataques que contra equipas de melhor qualidade se poderá tornar letal.
Situação de contra-ataque onde o Sporting se encontra em desvantagem numérica, de 4 para 3, criando uma situação clara de perigo para o adversário, apanhando o Sporting em contrapé e descompensado. Um erro que não poderá acontecer em nenhum momento do jogo
Frame: Liga Portugal

No lance exposto na imagem anterior, a bola entrou na linha para Sturgeon que conduziu e conseguiu tirar dois adversários da jogada e que cruzou certeiro para Edinho, que apenas pecou por pouca eficácia. Como referi, em adversários de maior calibre poderia ter sido golo certo. Vamos olhar com atenção para o posicionamento dos centrais – André Pinto demasiado longe de Coates. Dois jogadores sob o portador da bola, abrindo um buraco no centro. Edinho sem marcação a receber a bola na cara do guarda-redes.

Fonte: Frame Liga Portugal

Apesar de ainda ter realizado poucos jogos, neste momento o clube de Alvalade, conta com uma média de remates permitidos por jogo, superior à do ano passado, demonstrando também aí alguma da sua fragilidade defensiva. A verdade é que passou no seu maior teste de fogo, contra o Benfica, empatando a uma bola, mas permitiu 17 remates e após fazer o primeiro golo do jogo, baixou as linhas, adotou uma mentalidade mais defensiva – basta ver as substituições feitas – dando espaço ao Benfica para jogar à vontade, tanto que a pressão exercida resultou mesmo no golo do empate para as águias.

Na segunda parte deste raio-x tático, será feita a análise ao processo ofensivo da equipa leonina.

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo revisto por: Beatriz Silva

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