Desde o início da semana que tinha planeado escrever sobre Ruben Ribeiro. Aliás, tinha-me sido proposto escrever sobre o desaparecimento do jogador, mas ele já apareceu e não faria sentido essa abordagem, o que me ajudou porque provavelmente não seria essa a temática deste texto.

Ajudou-me, não só o seu aparecimento como todo o discurso que ele decidiu tornar público, mas já lá vamos.

Rúben Ribeiro foi o único apanhado como os que caem naquela brincadeira de um grupo de amigos em que todos combinam saltar do “barco” e já em queda esse, o engando, percebe que foi o único que realmente saltou.

É que isto das rescisões não é para todos. Os que rescindiram estavam subdivididos por grupos tais como, “Os Indiscutíveis” que ainda incluíam campeões da Europa, e “As promessas”. Ora, se pensarmos bem, dos que saíram qual não se enquadrava em nenhum desses grupos? Quem rescindiu, ou já tinha interessados em arriscar a sua contratação (porque um clube, numa situação destas, só se arrisca se o jogador valer mesmo a pena), ou sabia que era um dos que faria falta na equipa, e se decidisse voltar seria recebido de braços abertos (isto, porque o próprio Bruno de Carvalho tinha dado essa abertura). E novamente, qual deles não se enquadrava neste cenário? Exacto.

O Rúben não tem culpa de ter chegado a um grande clube já em idade avançada, e de não ter tido tempo para se integrar na nova equipa, podendo mostrar que poderia fazer a diferença, porque convenhamos, qualidade tem.

Rúben Ribeiro foi um dos jogadores que rescindiu
Fonte: Sporting CP

Não tem é inteligência suficiente para perceber que o menos culpado de ele estar sem clube neste momento é o Sporting. Ele, por ter chegado ao mais alto nível tão tarde só tinha de aproveitar a oportunidade tardia e tentar deixar a sua marca no futebol português. Ou achava ele que algum grande clube estrangeiro se iria arriscar a contratar um jogador com a idade dele, com tão pouca experiência ao mais alto nível? Para isso teriam ido buscá-lo quando estava no seu anterior clube, que lhes sairia bem mais barato. E ao sair do Sporting, sabendo que o treinador iria mudar, corria o risco deste não o querer recuperar.

Com a entrevista que ele deu recentemente percebi que o balneário estava fracturado ( e não falo de fracturas expostas) quando ele diz que ficou surpreendido com o baixo número de rescisões (parece que havia mais jogadores a garantirem que iriam rescindir), e que também não estava à espera de que quem saiu voltasse (ao que parece até ele queria voltar). Cortaram todos a corda ao acordo que tinham. Percebi também que ele se arrependeu de ter saído, mas já vem tarde.

No fim de contas, com este mau momento do clube, para além da anterior direcção, Rúben Ribeiro foi o único que ficou a perder. Mas a ver pelo rendimento de alguns dos retornados, talvez até o Rúben pudesse dar uma perninha ali no meio campo. No lugar de quem? Deixo ao vosso critério e análise.

Só para perceberem o azar do Rúben, havia um clube disposto a contratar jogadores do Sporting, que mudou de ideias quando a direcção do clube mudou. Podia ter sido ele a tal “pequena loucura”. Era a “loucura” possível, mas até essa hipótese lhe foi negada.

Moral da história: Quando sonhamos demasiado alto, muito acima das nossas capacidades, podemos ter um tombo grande. E o Rúben foi o único que saltou sem rede.

Agora termino apenas desejando sorte ao jogador, que volte depressa ao activo, e que aproveite todas as boas oportunidades, porque como disse alguém um dia, “Há cavalos que só passam uma vez na vida”.

Foto de Capa: Sporting CP

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