Foi em Setembro que partiste
Levavas nos olhos as chuvas de Março
E nas mãos o mês frio de Janeiro…

Dia 8 de setembro de 2018. Parece que foi há uma eternidade, não parece? Nem um ano e meio passou e, no entanto, o meu amor por ti cada vez definha mais.

Dou por mim a seguir os teus jogos por uma app de smartphone e a ver os golos depois, num resumo disponibilizado nas plataformas digitais. Já não sei os resultados todos de cor, quem marcou os golos ou os momentos de forma de cada um dos jogadores.

Não tenho 90 minutos contigo desde setembro, aquando da primeira jornada da UEFA Europa League deste ano, e já não vejo as tuas belas camisolas em direto desde uma derrota em Barcelos, já nem sei precisar quando…

Tudo isto, que me devia irritar e colocar cada pedaço de mim em fúria, deixa-me em paz, calmo e ponderado. Eles mataram o meu amor por ti e, com isso, descobri que há mais na vida para amar.

Não sou capaz de entender como chegámos aqui. Sei perfeitamente o que se passou para deixarmos de jogar de igual para igual com Real Madrid CF ou Juventus FC e jogarmos com medo de perder contra cada adversário que apanhamos pela frente. Sei quem culpar, sei a quem apontar o dedo, mas a verdade é que não entendo como tantos foram enganados por tão poucos, apesar dos poderes instalados.

Não me esquecerei dos nomes: Rogério, Jorge, Frederico, Hugo, Luís, José ou Jaime, para mencionar alguns. Não esquecerei o que nos fizeram no passado e tornaram a repetir. Mesmo que um dia caiam, não podem nunca sair de cena, não podem nunca ter paz, mais que não sejam porque quem mata merece o castigo.

Nem queria tocar na incapacidade total que neste momento existe, em todas as mentiras, todas as contradições que existem e que tornam um homicídio em circo, em prime-time televisivo para regalo de alguns, mas a verdade é que me lixa com F todo este lixo.

Tanto temos planeamentos da pior época desportiva que foi “facilmente” planeada por génios, como temos o departamento financeiro a dizer que não há buraco nas contas do passado recente a ser contradito por quem te deveria comandar.
Continuamos a falar em Batuques, quando existem Fernandos e David Wangs a dar-te despesas bem superiores que, para muita Comunicação Social, não são tema de conversa.

O melhor que vimos de Wang
Fonte: Wolverhampton Wanderers FC

Por falar em Wang, falo também em Jorge Mendes, uma vez que parece que, mesmo não sendo agente do jogador ou sequer dirigente, parece mandar mais no clube do que o corpo dirigente, sendo tu uma estrutura que deveria ter Cabeça, Tronco e Membros, capacitada para vir a público falar sobre estas questões.

Tudo isto contribuiu para me afastar de ti, sabes? O saber que te perdi para alguém que não te merece tem tanto de estúpido como de guião de uma novela dos Morangos em que o surfista com nome “beto” aparece para nos roubar a namorada.

Mentiria se não te dissesse que ainda te quero, que sinto a tua falta e que o amor continua cá, mas acredito que, infelizmente, o nosso amor, como o de muitos outros que te querem, irá sempre acabar mais perto de uma obra de Shakespeare do que de um livro do Nicholas Sparks.

Assim como mentiria se não rezasse pela chegada de um super-herói, de Espada em punho, pronto para dar “duas bofetadas” e dizer a quem de direito para desamparar a loja…. Mas assumo que, neste momento, recordar é viver.

 

Foto de Capa: Candidatura “Unir o Sporting”

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Comentários