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O treinador do Sporting disse na passada quinta-feira, em Moscovo, que a vitória frente ao Lokomotiv lhe tinha aumentado um problema. Sendo brincadeira ou não, o que é certo é que o técnico leonino vê crescerem a olhos vistos alguns bons problemas para as suas escolhas.

O Sporting venceu na Rússia sem Rui Patrício, Jefferson, Paulo Oliveira, William Carvalho, Teo Gutiérrez e com Slimani a entrar apenas na segunda parte. Isto só vem confirmar que o plantel do Sporting não é assim tão curto como pode parecer à primeira vista. Um dos setores onde isso é mais visível é o centro da defesa. Há muitos anos que o Sporting não estava tão bem servido de centrais, com 3/4 boas opções à disposição da equipa técnica. Talvez desde 2001/02, época em que Phil Babb, André Cruz e Beto eram três jogadores que garantiam segurança na posição e que foram campeões no clube.

Depois de vários anos em que Anderson Polga, Tonel, Maurício ou Marcos Rojo foram as principais referências defensivas, parece que este ano existe um trio que descansa JJ: Paulo Oliveira, Ewerton e Naldo. Na minha opinião, os dois primeiros são a melhor dupla possível. O internacional português é um dos portos seguros onde a equipa pode depositar toda a confiança. Muito forte na marcação e na antecipação, Paulo Oliveira é, juntamente com o guarda redes Rui Patrício, o patrão da defesa verde e branca. Um jogador com níveis de atenção e concentração elevadíssimos e que se esforça ao limite em todas as jogadas, mesmo ao gosto do treinador e dos adeptos. A nível técnico, ainda pode melhorar alguns aspetos, mas não nos podemos esquecer de que só tem 23 anos…

Paulo Oliveira é uma das vozes de comando da defesa verde e branca. Fonte: Sporting CP
Paulo Oliveira é uma das vozes de comando da defesa verde e branca.
Fonte: Sporting CP

No que toca ao seu parceiro do lado, esta pode estar uma das grandes dúvidas de Jorge Jesus. Ewerton tem vários pontos a seu favor na corrida pelo lugar com Naldo: dos dois, é o mais experimentado em competições europeias, já jogou anteriormente no futebol português, devido à passagem pelo Braga, e por ter chegado na época passada; joga preferencialmente com o pé esquerdo e é melhor tecnicamente. Por isso, parece-me que Ewerton leva alguma vantagem. Contudo, Naldo tem estado muito bem esta temporada, se calhar acima das expetativas da maioria dos sportinguistas. O antigo jogador da Udinese e do Getafe teve alguns percalços, nos jogos com o Tondela e o CSKA Moscovo, mas foi crescendo e apresenta-se agora como uma alternativa bastante válida para os momentos em que Ewerton estiver indisponível, mordendo mesmo os calcanhares ao seu compatriota na luta pela titularidade.

Um pouco mais atrás nesta particular competição interna parece-me estar Tobias Figueiredo. O jovem internacional sub 21 tem muito potencial e uma estampa física adequada para a posição, mas falta-lhe ter mais calma em alguns momentos do jogo e melhorar (bastante) a nível técnico.

Porém, acho que um empréstimo não é solução. Tobias deve ficar no clube, atuando na Taça da Liga e quando for necessário nas outras competições, e treinando com os seus atuais companheiros, sob as ordens de Jorge Jesus. Depois de nomes como Daniel Carriço (já há alguns anos) ou Eric Dier, tenho esperança de que Tobias Figueiredo, Ruben Semedo (que está emprestado ao Vitória de Setúbal) e, daqui a dois ou três anos, Domingos Duarte sejam os próximos defesas centrais formados em Alcochete a serem importantes no plantel do Sporting.

No meio campo, já sabíamos que Jorge Jesus tinha boas opções. Tendo em conta que atua preferencialmente com dois elementos na zona central do terreno, era previsível que William Carvalho, Adrien, Aquilani e João Mário fossem suficientes para assegurar a qualidade da zona intermediária leonina, sendo ajudados ainda pelo potencial de Bruno Paulista. Felizmente, não têm havido grandes impedimentos físicos ou disciplinares que impeçam JJ de utilizar os seus atletas preferidos neste setor, possibilitando ainda que o treinador tenha começado a utilizar (com bastante sucesso) João Mário a partir do flanco direito, onde no início da época André Carrillo era elemento quase imprescindível. Ao contrário do que diziam os (a)normais “arautos da desgraça”, o Sporting é capaz de jogar bem e de vencer sem “La Culebra”.

Esta ausência do peruano também permitiu escancarar as portas da equipa às duas mais recentes pérolas de Alcochete: Matheus Pereira e Gelson Martins. O jovem português, depois de um Mundial sub 20 bastante positivo, entrou a todo o gás nesta temporada e o último jogo dos leões, em Moscovo, foi o melhor exemplo disso. Fazendo uso da sua movimentação rápida e do seu drible desconcertante (ainda se lembram do bailado sobre Eliseu em Alvalade?), Gelson fez uma excelente exibição, marcando um golo e tendo ainda uma assistência que valeu meio golo para Matheus Pereira, dado que deixou o jovem brasileiro na cara do guardião adversário.

Matheus continua ainda um pouco atrás do seu companheiro, mas também está a aproveitar muito bem as oportunidades que lhe são concedidas, tendo apontado já três golos na Liga Europa. Não me admirava nada que, tendo em conta a provável ausência de Teo Gutiérrez, Jesus aposte num destes dois elementos como titulares frente ao Belenenses, desviando Bryan Ruiz para o centro do terreno, no apoio a Slimani. A opção mais provável é jogar Montero atrás do argelino, mas as boas exibições dos dois miúdos na Rússia podem abrir lugar a uma surpresa no onze de segunda-feira. Para quem vê o futuro dos extremos como risonho, há que lembrar ainda a boa progressão de Iuri Medeiros no Moreirense.

O que é certo é que, esta época, o Sporting já tem banco de suplentes capaz para ajudar a equipa habitual a lutar pelo título, o que não aconteceu em épocas anteriores.

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal

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