O Sporting CP tem sido alvo dos mais rasgados elogios pelas suas recentes exibições e vitórias. Desde que Marcel Keizer chegou a Alvalade, que o Sporting CP colocou em prática um futebol extremamente ofensivo e vertiginoso. Um “futebol coração”, carregado de alma e energia. Mas, tudo o que diz respeito ao coração quando não é resfriado pela razão, põe em causa o equilíbrio e a harmonia do espírito. Falemos, por isso, dos perigos da filosofia “keizeriana” em Alvalade.

O principal perigo parece-me ser o aspeto defensivo. Dos jogos que vi (todos, à exceção do último diante do Rio Ave para a Taça de Portugal), a equipa projeta-se em demasia no plano ofensivo, ficando as transições ataque-defesa praticamente negligenciadas. O futebol dos leões é ainda muito agressivo aquando da perda da bola, fazendo imediatamente pressão às equipas contrárias quando tal acontece e obstaculizando a primeira fase de construção dos adversários.

Ora, esta rápida e agressiva reação à perda, é uma faca de dois gumes: tanto pode ter eficácia e correr bem, galvanizando de imediato a equipa no ataque como pode também, quando não é bem feita, revelar as fragilidades defensivas do Sporting CP. O CD Nacional da Madeira aproveitou muito bem esta lacuna leonina para assumir protagonismo na primeira parte do jogo diante dos Leões.

Fez dois golos e só não marcou mais por ineficácia e pouca sorte dos seus avançados. Apesar da remontada final (o Sporting CP ganhou por cinco bolas a duas) tal não pode esconder a primeira parte paupérrima da formação de Marcel Keizer, muito devido à ineficácia em bloquear a primeira fase de construção da equipa de Costinha.

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Legenda: Vive-se um clima de euforia no “futebol coração” de Marcel Keizer. Até quando?
Fonte: Sporting CP

Do lado dos adeptos e sócios vive-se um clima que se julgava impensável depois dos recentes acontecimentos do clube. O “futebol coração” de Keizer tem batido tão forte que tem saltado dos campos para as bancadas, gerando expectativas na massa associativa que podem, se não forem bem geridas e enquadradas, transformar-se numa tremenda desilusão.

Convém que as bancadas mantenham a exigência que lhes vem sendo habitual, exigindo também que as clareiras defensivas como aquelas que se viram, por exemplo, em Vila do Conde diante do Rio Ave e em casa diante do Nacional, não se repitam. A cultura de exigência que marca o Sporting deve estar essencialmente nas bancadas e naqueles que acompanham a equipa para todo o lado, fazendo com que os jogadores sintam que jogam sempre em casa, seja onde for.

Em resumo, quem joga com o coração arrisca-se a sofrer. É assim na vida também, por que não pode ser no futebol? Quando se ama corre-se o risco de ficar com o peito aberto, podendo-se ser surpreendido a qualquer altura. Exige-se, por isso, algumas cautelas defensivas a Marcel Keizer.

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo revisto por: Ana Ferreira