Foi preciso que João Palhinha apagasse a “Luz” com o golo da vitória histórica do SC Braga sobre o SL Benfica para a actual direcção do Sporting CP apressar-se em carimbar publicamente um “V” de volta no jovem trinco formado pelos Leões.

João Palhinha foi cedido por empréstimo ao SC Braga durante a administração interina de Sousa Cintra por um período de 2 épocas, mediante um negócio que garantia ao clube minhoto o direito a uma percentagem sobre uma eventual venda realizada até 30 de Agosto de 2020 e ainda o direito de preferência sobre qualquer proposta que o jogador viesse a ter no futuro. Chegou na era de Abel Ferreira mas foi com Ricardo Sá Pinto que a Palhinha tornar-se-ia uma peça chave do conjunto bracarense. Entretanto, Rúben Amorim manteve a aposta no “trinco” que brilhou mesmo na conquista da Taça da Liga frente ao FC Porto e, posteriormente, contra o SL Benfica em pleno Estádio da Luz.

Voltando um pouco atrás no tempo, vemos que em Alvalade Palhinha foi um jogador que “comeu o pão que o Diabo amassou”. Nunca foi uma aposta determinante de nenhum dos treinadores com quem se cruzou e, por conseguinte, andou a deambular de empréstimo em empréstimo.  As vozes mais críticas sempre disseram que era um jogador “curto” para uma equipa que quer ser candidata a ganhar títulos…

Todavia é um facto inexorável que o rendimento de Palhinha evoluiu muito, sobretudo, no último no ano. Encontrou treinadores que lhe deram confiança e espaço para se afirmou. Palhinha aproveitou e bem. No entanto, também é certo que a camisola do SC Braga “pesa menos” que a do Sporting CP.

Ainda assim, e enquanto Sportinguista, considerarei sempre um autêntico absurdo a cedência, com a agravante dos moldes em que foi feita, de um jovem jogador formado na nossa Academia a um clube cujo presidente é um verdadeiro destilador de um ódio rancoroso e pérfido sempre que se lembra de falar do clube leonino… em “bicos de pés”, claro. Aliás o mesmo dirigente teve a ousadia de dizer em público que “não foi o que mais desejávamos, mas foi o melhor entendimento possível entre as partes”, sugerindo assim a ideia de que recebia o jogador quase por favor ao Sporting CP. Num clube com uma estrutura de futebol séria e competente, este tipo de negócios com este tipo de “fregueses” seria sempre inviável. Na verdade, entre as três partes envolvidas no negócio – o próprio Palhinha, Sporting CP e SC Braga, o clube minhoto foi quem mais saiu beneficiado.

Palhinha está ligado contratualmente aos Leões até 2023
Fonte: SC Braga

É que, para os mais esquecidos se relembrarem, João Palhinha foi, salvo erro, o único jogador da formação que não rescindiu na sequência do episódio de Alcochete. E muito foi de certeza pressionado a fazê-lo com a contrapartida de poder vir integrar bons clubes no estrangeiro.

Mas a “recompensa” pela sua lealdade para com o Sporting CP e a sua massa associativa foi uma guia de marcha para o Minho, no início da época de 2018/2019 quando tinha apenas a concorrência de Rodrigo Battaglia para o seu lugar no meio-campo. Entretanto Palhinha vai brilhando no Minho, enquanto em Alvalade deparamo-nos com milhões de euros investidos em jogadores que ocupam a sua posição e que ainda não conseguiram “convencer” os adeptos leoninos.

Não quero com isto dizer que Palhinha é a “next big thing” de Alvalade ou um jogador de outra galáxia. Tem revelado, sim, ser um óptimo médio defensivo que não compromete a equipa, para além de apresentar excelentes atributos técnicos e físicos. Sem qualquer tipo de rodeios, diga-se que é um jogador que facilmente assumiria a titularidade no actual plantel do Sporting CP.

A grande questão é a de saber qual a motivação que Palhinha tem em voltar a Alvalade e de integrar a equipa, tem em consideração o já conhecido interesse de vários clubes europeus em adquirir o jogador. A solução alternativa à da reintegração do jogador no plantel seria precisamente a sua venda, mas no contexto da actual gestão do Sporting CP arriscar-se-ia a sair a preço de saldo…

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Revisto por: Jorge Neves

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