Desde sempre, no universo leonino se ouviu que ser do Sporting CP é ser diferente. Isto sempre associado ao facto de que, dos três grandes clubes portugueses, o clube de Alvalade era o único que não se via associado a esquemas ou sistemas para ganhar ilicitamente. E a verdade é que não ganhamos, ou ganhamos muito menos que os outros.

Apesar de os sportinguistas se sentirem diferentes nesse aspecto, o universo do futebol português também nos faz sentir diferentes pelo simples facto de, em casos em tudo similares, nos tratarem de forma completamente análoga.

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Alguém se lembra, por exemplo, de um árbitro que se recusou a arbitrar um jogo de futebol em que participava o Sporting CP, pelo simples facto do clube leonino ter denunciado que se sentia prejudicado pelas arbitragens? Pois é, devemos ter sido o único clube a reclamar da falta de igualdade no tratamento dos árbitros, porque esse tipo de boicote nunca foi feito a nenhum outro clube.

Deverão lembrar-se também de um jogador que, na temporada 2016/2017, andou desde a décima jornada na iminência de ver o quinto amarelo e andou pelo menos 15 jornadas sem fazer uma única falta merecedora da amostragem desse mesmo cartão (desculpem, estava a brincar, fez, mas os árbitros não quiseram mostrar, ou não podiam). A verdade é que já esta época tivemos um jogador que estava nessa situação, e no primeiro lance levou amarelo que o impediria de disputar o jogo seguinte. Felizmente, o jogador recorreu a instâncias fora do futebol.

E aquelas situações em que os treinadores, assim que chegam ao banco do Sporting CP ficam obrigados a não gritar, esbracejar e, se quiserem estar de pé, ter de manter-se o menos interventivo possível sob pena de poder ter que ir mais cedo para o balneário. Que o diga Jorge Jesus que em menos de metade de uma época desportiva no banco do Sporting CP foi mais vezes expulso que em seis épocas no seu clube anterior.

Já para não falar de Ruben Amorim que para além disso só percebeu que estava a fazer algo ilegal quando chegou a Alvalade. Porque noutros clubes isso não era relevante, assim como não o foi para outros treinadores em situação igual em clubes diferentes. Se não estão no Sporting CP, não há que preocupar.

No seio do universo sportinguista, é frequente esta temática e a comparação aos rivais
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Atrevo-me ainda a referir uma situação que foi grave, sem dúvida, e que acarretou ao nosso clube algo inédito, mas que aconteceu noutros clubes continua a acontecer, ainda que com menores consequências e mediatismo. Falo claro do ataque a Alcochete. Em tantos ataques conhecidos e divulgados, a instalações ou mesmo autocarros, só o de Alcochete deu para prender mais de vinte pessoas, destituir um presidente, tendo chegado a ir preso, ocupar em exclusivo a programação de um canal televisivo durante 24 horas de pelo menos uma semana (até existem imagens de paineleiros a renderem-se para continuar o ataque). Ainda não sei se o maior ataque ao Sporting CP foi em Alcochete ou na redação desse canal “informativo”.

Quem sabe é o Boloni. Já aqui escrevi a forma premonitória com que o antigo treinador do Sporting descreveu o que iria acontecer enquanto os actuais agentes do futebol português se mantivessem em funções. Há poucos dias o mesmo, tal “adivinho Nhaga” veio falar de coisas estranhas que poderiam acontecer para que o Sporting CP não se coroasse Campeão Nacional na presente época. E não é que, desde aí, o Sporting CP, algum dirigente, treinador ou jogador é informado semanalmente sobre processos interpostos aos mesmos?

E o que menos me preocupa é que esses processos terminem em algum castigo, porque não terminam. Não terminam porque não é esse o objectivo de quem processa. Também eles sabem que não terão nenhum fim prático. Tudo isto serve apenas para destabilizar treinadores e jogadores. No fundo, é como aqueles árbitros que estão sempre a apitar para parar as jogadas de uma equipa, para lhes cortar o ritmo. Estes processos são apenas tentativas de criar corpos estranhos na máquina que parece bem oleada. Só temo que, com tanta areia, haja uma peça que se deixe importunar.

Somos, de facto, diferentes em tudo. Que o sejamos também na forma como lidamos com estas tentativas de destabilizar um trabalho que está a ser tão bem feito, porque esperar que estes fenómenos estranhos sejam investigados pelas autoridades, ou que essas investigações, a existirem, tenham algum efeito prático, nunca nos levará a lado nenhum.

Portanto, e aproveitando um chavão de um dos nossos adversários, temos de vencer contra tudo e contra todos. Porque nós sim, temos todas as forças a fazer tudo para que não ganhemos o campeonato, há muitos anos. Se calhar porque somos diferentes e não temos lugar neste futebol.

 

1 COMENTÁRIO

  1. Felizmente ninguém fala da Volta a Portugal 2018 nem do processo que arquivaram do Famalicão-Sporting em 2018 também. Podem levantar muitos inquéritos e processos, mas a nossa consciência quando está limpa, dificilmente alguém a quebra. Contra tudo e contra todos, viva o Sporting Clube de Portugal. SL

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