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Presidente, não lhes dê o que eles querem

Nuno Almeida · 3 min

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Sempre fui um defensor do nosso actual presidente, não me coibindo de criticar uma ou outra atitude, opção, comentário ou “post” que o mesmo tenha optado por tornar público.

Como posso ser criticado quando defendo o presidente do meu clube, também o posso ser quando decido estar contra. É um direito que me assiste, tomar partido por um dos lados, como também é meu dever aceitar as consequências desses meus actos.

Ainda assim, quando critico ou defendo Bruno de Carvalho, não me pode ser imputado um rótulo de excomungado por qualquer uma das partes, ou mesmo de uma variante de Sportinguistas que agora tentam implementar.

Acho que não há “croquetes”, “sportingados” ou qualquer outra variante. Há essencialmente Sportinguistas com visões diferentes do que deve ser o nosso Sporting. E talvez a opção ideal para o nosso clube até nem seja nenhuma das “facções” que tentam implementar no seio leonino, mas um misto das duas.

Pedro Madeira Rodrigues, Carlos Severino e Abrantes Mendes são alguns dos principais opositores à actual direcção.
Fonte: Facebook de Carlos Severino

Se, quem critica, o fizer de forma construtiva, e quem ouvir a crítica, a aceite como uma forma de melhorar, podendo até aproveitar alguma dessas ideias externas, quem ganhará será tão só o Sporting Clube de Portugal.

Não podemos extremar posições dentro do clube, porque só o irá enfraquecer a médio prazo. E enquanto outros clubes, quando decidem declarar guerra, o fazem contra um alvo externo, nós insistimos no erro histórico de nos virarmos para dentro. Isto, tanto para quem lidera, como para quem se opõe.

O presidente, ao dirigir um clube democrático, não pode simplesmente exigir que os sócios do clube deixem de ver este ou aquele órgão de comunicação. Não pode também exigir que, quem dá a cara pelo clube todas as semanas, apesar de ser pago pelos canais para isso, deixe de o fazer, até porque pode ser a única forma que têm de prestar um serviço ao seu clube de coração. E deixando de ter defensores do nosso clube nesses programas, o que acha que vai acontecer com cada frase ou atitude, de presidente, treinador, jogadores do nosso clube? Com certeza não teria ninguém a defendê-los, deixando um maior “à vontade” para moldar a opinião pública sem uma visão que rebata as poluições sonoras que saem da boca de muitos dos que estão ali a defender outras cores, muitas vezes fazendo-se passar por isentos.

Agora, presidente de um clube como o nosso, que se preze, não pode também deixar passar, que supostos defensores da imagem do clube, sejam os primeiros a denegrir, de forma gratuita, a imagem do Leão rampante, colocando constantemente em cheque a idoneidade de quem está à frente dos destinos do Sporting, ou que, assim que termina uma reunião, venha para a comunicação social criticar. Assim, efectivamente, é preferível ter nos programas apenas os de outras cores, que nem nos seus melhores dias conseguirão ser tão imaginativos nas formas de manchar a imagem pessoal do presidente, e institucional do clube.

Considero que seria um erro estratégico, retirar dos programas com mais audiência (infelizmente é um facto), a única voz que pode argumentar e passar a verdadeira ideia do que é o Sporting, as suas conquistas, a sua grandeza, e cada vitória em qualquer modalidade. Não serão os outros a dar valor, e a puxar ao debate as coisas boas feitas pelo nosso clube. E como disse alguém, devemos manter os nossos inimigos por perto, e conhecê-los (E aquelas reuniões do G15+1? Pelo menos devíamos estar lá a assistir).

Rogério Alves, que sempre gostei de ouvir a defender o clube, foi criticado por Bruno de Carvalho
Fonte: raassociados.pt

Seria também um erro estratégico que os Sportinguistas não pudessem ver ou ler outros órgãos de comunicação, até porque para nos podermos defender temos que saber o que eles andam a falar de nós. Como qualquer empresa, o clube tem que conhecer todo o meio envolvente, interno e externo, para tomar as medidas, e planear as estratégias mais eficazes e eficientes de combater e derrotar a concorrência.

Por tudo isto peço ao presidente do meu clube, se algum dia lhe interessar saber a opinião deste defensor do Sporting Clube de Portugal, que não lhes dê o que eles querem, ou seja, liberdade para passarem uma visão deturpada do que é o nosso clube, e não queira retirar aos Sportinguistas a capacidade de conhecer a perspectiva geral do futebol em Portugal, porque só assim conseguirão de forma mais assertiva, e com conhecimento de causa, rebater todos os “soundbytes” de terrorismo comunicacional que tentam “vender” a nosso respeito.

Foto de capa: Facebook oficial do Sporting Clube de Portugal

Nuno Almeida

Redação Bola na Rede · ver artigos