Foi comunicado no passado domingo pelo Sporting CP à CMVM um princípio de acordo com os alemães do Eintracht Frankfurt para a cedência definitiva de Bas Dost. Deste modo, deverá estar por horas a confirmação da saída oficial do holandês de Alvalade. Apesar de não terem sido mencionados quaisquer valores, especula-se que a transferência ronde os nove milhões de euros.

Primeiramente, penso que seria interessante mencionar os números do avançado para perceber o impacto que poderá ter no rendimento leonino desta época. No seu primeiro ano com a verde e branca vestida, Bas Dost apontou 36 golos num total de 41 jogos. Não necessitou de se ambientar ao futebol português, foi chegar, ver e vencer. No total de jogos e golos apontados ao serviço dos leões, em 127 jogos, o internacional holandês concretizou por 93 vezes. Parece pouco? Não.

No entanto, interessa perceber o contexto da vinda de Bas Dost para o Sporting CP. Chegou para ser orientado por Jorge Jesus, o técnico verde e branco nessa época. Todos sabemos que o treinador, agora no Brasil, sempre gostou de ter um ponta de lança mais fixo na área. Assim foi com Óscar Cardozo, Islam Slimani e Bas Dost, e a verdade é que soube potenciar sempre este tipo de jogadores, que terminaram as respetivas épocas com inúmeros golos marcados. Na realidade, qualquer tipo de atleta com este perfil faz golos nas equipas de Jorge Jesus, não tenho qualquer dúvida disso.

Bas Dost fez balançar as redes por 93 vezes ao longo das três temporadas de leão ao peito
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Ora, com Marcel Keizer, o estilo de jogo do Sporting CP mudou completamente. Basta referir que Bas Dost passou a jogar sozinho na frente, sem ter um jogador mais perto de si como em tempos teve Alan Ruiz e Bruno Fernandes. Na forma atual dos verde e brancos jogarem, a equipa encontra-se sempre mais longe da baliza e raramente são feitos cruzamentos para o holandês concretizar. Devido a algumas limitações técnicas, que fazem com que raramente jogue a mais de dois toques, Bas Dost tem dificuldades em atuar longe da baliza adversária. Assim, há já algum tempo – para mim desde a época passada – que o goleador holandês tem vindo a baixar de rendimento e a aparentar estar desmotivado quando pisa o terreno de jogo.

O que importa debater é: será que o certo é vender Bas Dost? Ou será que seria preferível contratar alguém que conseguisse estimular a enorme veia goleador do holandês? São questões que apenas a longo prazo poderão ter resposta, mas é legítimo levantar estes pensamentos.

Concluindo, penso que a saída de Bas Dost será sempre uma enorme perda para qualquer equipa do campeonato português. Contudo, com Keizer, o avançado foi sempre um peixe fora de água. Veremos se, caso a transferência seja efetuada, não se torne em arrependimento.

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Revisto por: Jorge Neves

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