Longe vão os tempos em que os sportinguistas tinham orgulho no seu clube, em que os títulos eram uma realidade e grandes jogadores passavam por Alvalade, como foram os casos de Mário Jardel e Peter Schmeichel (considerado pela FIFA como o maior guarda-redes de sempre da história do futebol). Contudo, há muito que o meu clube do coração anda “doente” e pelo que se tem visto nos últimos anos, não estamos no caminho certo para a cura porque simplesmente ainda não conseguimos identificar esta tal “doença” que nos tem assolado.

Mas essa “doença”, ou pelo menos o maior sintoma de todos, é claramente o conflito de interesses que existem entre as pessoas com mentalidades retrógradas e as pessoas que só querem o melhor para o clube. No clube leonino, ainda existem muitas pessoas conhecedoras das práticas de antigamente, das mais vigaristas e duvidosas, que pensam que o futebol em nada mudou nos últimos anos e que podem continuar com o que faziam. É nesse contexto de interesses e práticas duvidosas que derivam muitos dos problemas que estão à vista de todos, e um dos maiores problemas que temos é a falta de aposta nos jogadores da formação.

O regresso de Ilori ainda não convenceu os adeptos leoninos
Fonte: Sporting CP

Hoje em dia, a formação leonina não é nada mais do que um património “para inglês ver” e tal facto é baseado, entre muitas outras razões, na aposta de Tiago Ilori em prol de Thierry Correia. Sendo que Ilori é da formação leonina, saiu para o Liverpool com 20 anos e com contornos algo polémicos, porque na altura o jogador forçou, de certa maneira, a sua saída para Inglaterra. E como se diz em bom português “só faz falta quem cá está”, penso que foi uma das poucas contratações na era Frederico Varandas que não fazem qualquer sentido. Se essa contratação foi baseada em nacionalidades, a aposta tinha obrigatoriamente que recair em Ivanildo Fernandes e Thierry Correia.

Ilori é um jogador muito inferior ao que era quando saiu, muito devido à sua falta de regularidade nos tempos do Liverpool, em que perdeu todo o potencial que lhe era apontado. Ora se atualmente é um defesa central mediano ao nível da Segunda Liga Inglesa (atuava no Reading antes do seu regresso), que sentido faz apostar nele a lateral quando temos Thierry Correia, um jogador campeão sub17 e sub19 pela seleção nacional? Será que o miúdo joga assim tão mal? Há que apostar na “prata” da casa e o jovem lateral enquadra-se que nem uma luva para terceiro defesa-direito, e a sua aposta faria todo o sentido.

O Sporting foi pioneiro na formação em Portugal e ninguém pode menosprezar esse mérito, contudo também não podemos menosprezar que atualmente Benfica e Futebol Clube do Porto possuem melhores condições, recursos humanos e infraestruturas de formação. Por isso há que por os miúdos da formação a jogar ao mais alto nível, terá que haver uma aposta muito mais séria na “cantera” e quanto mais cedo melhor, porque essa aposta não irá ter resultados a curto prazo, mas sim a médio e longo prazo.

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

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