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Queixinhas, o novo exército do boicote

Diogo Janeiro Oliveira · 4 min

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Em semana de seleções, continua a polémica no futebol português. As virgens ofendidas da Luz descobriram a palavra “boicote” no dicionário e decidiram começar a dar-lhe uso.

A rábula começou na Gala das Quinas de Ouro, no início da semana, onde o Benfica não compareceu. Os encarnados gostam de associar os comunicados a Bruno de Carvalho e ao Sporting, mas pegaram na moda durante esta semana. Começaram na segunda feira, com um documento onde dizem alarvidades como “inequívoca dualidade de critérios da justiça desportiva”, ou “O Benfica continuará o seu projeto de engrandecimento do futebol português”. Não sei qual das duas será mais ridícula… O Benfica queixa-se da “dualidade de critérios da justiça desportiva” mas, pelo contrário, não se queixa da dualidade de critérios que existe dentro das quatro linhas. Aí calam-se e só abrem a boca quando não ganham, através do seu treinador que leva seis milhões às costas para protestar com os árbitros no centro dos campos de futebol.

Um golo para seis milhões de queixinhas e quatro milhões de malfeitores Fonte: Seleções de Portugal
Perante o boicote da formação do Benfica, tiveram de ser André Silva e Ronaldo a marcarem os golos portugueses
Fonte: Seleções de Portugal

Depois deste triste episódio das Quinas de Ouro, veio o boicote ao jogo da seleção no Estádio da Luz. Ninguém da estrutura benfiquista esteve presente no seu próprio estádio em apoio à seleção. Não sei se já adivinhavam que o onze escolhido por Fernando Santos ia ter sete jogadores formados no Sporting e nenhum da melhor formação do Dubai, ou se foi apenas porque não houve colinho em Paços de Ferreira. Aliás, a formação do Benfica já vem fazendo boicote ao onze da seleção há muitos anos. Não participo da corrente dos que já dizem que a seleção devia deixar de jogar na Luz. A nossa seleção tem um excelente registo de resultados no Estádio da Luz, e a estupidez dos dirigentes do Benfica não deve ser motivo para uma tomada de decisão tão extrema. Fica o registo dos boicotes, dos comunicados e dos protestos, antes de um mês onde o Benfica vai defrontar os seus dois maiores rivais. Nada é por acaso, e Luís Filipe Vieira e a sua pandilha têm tudo muito bem estudado.

Depois, vem a lengalenga da coação aos árbitros. A música é-nos transmitida por um treinador que vai sempre questionar os árbitros quando não ganha e pelos “comentadores” especialistas do choro e do boicote.

Outra música que nasceu neste fim de semana do jogo da seleção foi a dos insultos. O exército puritano da Luz não gostou de ouvir cânticos contra o clube antes do jogo da seleção frente à Hungria. Os cânticos foram proferidos pela claque liderada por Fernando Madureira contra o clube da Luz, cujas claques não participam na recém formada falange de apoio à seleção, da qual fazem parte adeptos do Sporting, FC Porto, Vitória Sport Clube, Leixões, entre outros clubes. Os benfiquistas ficaram muito indignados pelos alegados cânticos contra o seu clube e os responsáveis do clube irão expor a situação e o seu desagrado (mais uma vez) à Federação e à Liga. Aliás, até acho que a APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima) será chamada ao assunto, tendo em conta o volume grande de queixinhas e boicotes feitos nos últimos tempos.

Gostava era de saber se também irão expor o caso das ameaças feitas ao presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting Clube de Portugal, Jaime Marta Soares, que teve de ser escoltado pela polícia para entrar no Estádio da Luz. Jaime Marta Soares foi o representante oficial do Sporting CP no encontro e foi insultado e ameaçado por adeptos benfiquistas à entrada do recinto. No entanto, o que é notícia após o jogo são os cânticos das claques contra o Benfica e não os insultos a Jaime Marta Soares. Não sei se é por medo do exército dos seis milhões, mas é esclarecedor ver a ordem de prioridades da comunicação social portuguesa.

Jaime Marta Soares foi insultado e ameaçado antes do jogo da seleção nacional Fonte: Sporting Clube de Portugal
Jaime Marta Soares foi insultado e ameaçado antes do jogo da seleção nacional
Fonte: Sporting Clube de Portugal

Eu adoro a existência das claques nos recintos de futebol, pois são elas que dão ânimo ao jogo e que estão sempre no apoio à equipa. Podem haver muitas atitudes condenáveis fora do campo, mas as claques são muito importantes. Quanto à dualidade de critérios nos processos, eu também adorava que fosse mais célere a decisão de alguns processos como o do “túnel de Alvalade”, pois a única resolução possível, para quem é minimamente inteligente, é dar razão a Bruno de Carvalho. Veja-se o comportamento mais recente de Carlos Pinho, o outro interveniente dessa história.

Que se tire a máscara aos queixinhas que estão a empobrecer gravemente o futebol português. Que não se tenha medo do exército de seis milhões apregoado por Rui Vitória. Espero que ainda tenhas muitos jogos onde te vás queixar ao árbitro no fim.

Foto de capa: Sport Lisboa e Benfica

 

Diogo Janeiro Oliveira

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