O livro chama-se ‘’Sem Filtro: As histórias dos bastidores da minha presidência’’ e já foram vendidos milhares de exemplares. Após uns meses fora da ribalta, Bruno de Carvalho traz à luz um livro sobre a sua estadia em Alvalade, durante a sua presidência. Serve este texto para exprimir a minha opinião acerca de tudo aquilo que li.

Inicialmente, destaco a facilidade com que se lê este livro, sendo que demorei menos de um dia para o terminar. Apercebi-me, aqui e ali, de alguns erros de pontuação, sobretudo na colocação de vírgulas, mas nada que afetasse a compreensão do texto.

Posto isto, procuro agora analisar o seu conteúdo. Para mim, há algo que é de fácil compreensão e que já me tinha apercebido na altura em que Bruno de Carvalho era presidente do Sporting CP: é um excelente negociador. Pode-se questionar a forma como negoceia, a sua arrogância (ou astúcia) e a sua intransigência mesmo quando se encontra em desvantagem no processo de negociações.

Contudo, pareceu-me conseguir sempre defender os interesses do clube, sobretudo na restruturação financeira, que acredito ter sido a mais difícil da história do clube. Não é também à toa que foi com Bruno de Carvalho que o Sporting CP realizou a maior venda de sempre, encaixando 40 milhões de euros, mais cinco por objetivos, na transferência de João Mário.

O livro é recente mas tem dado muito que falar
Fonte: BnR

Por outro lado, condeno de certa forma a sua atuação com Marco Silva e Jorge Jesus. Caso seja verdade tudo aquilo que relata no livro, teria todas as razões do mundo para demitir ambos. Mas terá sido assim? Custa-me a acreditar, por exemplo, que Marco Silva tenha feito uma conferência de imprensa a atacar o Presidente e que depois tenha chegado ao autocarro com um sorriso, como se nada se tivesse passado, assim como a exigência de Jorge Jesus renovar 15 minutos antes do início do jogo frente ao SC Braga. São momentos que me fazem, de certa forma, questionar a veracidade destes acontecimentos, ou pelo menos se estarão a ser contados exatamente como aconteceram.

Gostaria de referir ainda o capítulo em que se fala de Jorge Mendes e Rui Patrício, no qual Bruno de Carvalho refere que o empresário lhe dizia uma coisa e exatamente o oposto ao guardião internacional português. A ser verdade, esta situação é quase anedótica, o que me faz de novo questionar se terá sido esta a realidade.

Por último, o caso do ataque a Alcochete e o suposto trabalho conjunto de Frederico Varandas, do seu irmão e Rogério Alves para retirarem Bruno de Carvalho do poder. Relativamente ao primeiro assunto, o ex-Presidente refere que o adiamento do treino foi da responsabilidade de Jorge Jesus, que pensando que ia ser despedido procedeu à alteração do horário do treino, remarcando-o para a tarde de terça-feira.

Para além disso, Bruno de Carvalho refere que não se encontrava na Academia devido a uma reunião relativa ao Cashball e não por outro qualquer motivo. Deste modo, a ser verdade, demonstra não ter tido qualquer tipo de culpa no cartório, mas isso cabe à justiça decidir.

Quanto à acusação do trio que supostamente o tirou da presidência, penso que entra por um caminho de teorias da conspiração, que valem o que valem. Apesar do ex-Presidente estabelecer um raciocínio lógico, seria muito grave se tal tivesse mesmo acontecido. Num dos momentos mais polémicos da história do clube, seria péssimo que tal se revelasse verdade. Contudo, nunca se saberá a veracidade dos factos, até porque será sempre a versão de um contra a versão do outro.

Concluindo, o livro serve para entender um pouco melhor o que se passa no mundo do futebol, assim como os interesses envolvidos num mundo que parece ser cada vez mais sujo. Após a leitura, ficou-me a sensação que Bruno de Carvalho deveria também ter reconhecido os seus erros ao invés de colocar apenas a culpa nos outros, até porque os seus erros não terão sido simplesmente a sua comunicação e o facto de não ter despedido Jorge Jesus em Janeiro de 2018.

É verdade que o seu primeiro mandato trouxe coisas muito boas, como os inúmeros títulos enumerados no livro, a construção do Pavilhão João Rocha e a colocação do Sporting CP na luta por títulos no futebol sénior masculino. Ainda assim, o segundo mandato fez com que a sua imagem se desgastasse e provocasse a sua destituição.

Seria interessante que existisse contraditório ao que o ex-Presidente leonino escreveu, para se perceber até que ponto o que foi redigido no livro corresponde à realidade. Sendo um livro ‘’Sem filtro’’, penso que cabe ao leitor filtrar aquilo que pode ou não ter, de facto, acontecido. Para terminar, coloco uma questão: a presença de Bruno de Carvalho na atualidade leonina termina por aqui?

Foto de Capa: Sporting CP

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