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Com o ano de 2014 prestes a terminar, o Bola na Rede faz uma viagem pelos últimos 365 dias. Numa série de artigos, destacar-se-ão os protagonistas que marcaram um ano repleto de momentos que permanecerão na memória de todos os amantes de Desporto.

 

MOMENTOS DO ANO: regresso à Liga dos Campeões, retorno de Nani, eliminação forçada da Champions e aliança entre os rivais

Como um ano é feito de muitos momentos, nem sempre é possível escolher apenas um. Por isso escolho quatro, dois positivos e dois negativos. O feito mais positivo foi o apuramento para a Liga dos Campeões, seis anos depois. Um golo de Adrien no Restelo bastou para o Sporting regressar aos palcos onde tem de estar todos os anos.

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O outro acontecimento positivo foi a contratação de Nani, naquela que foi uma das melhores manobras de sempre de um clube português no mercado. O regresso a casa do segundo melhor jogador nacional da actualidade foi tão fantástico que ainda hoje por vezes não acredito. Pena que seja apenas por um ano e que as restantes contratações não tenham acompanhado a mestria desta.

Pela negativa destaco o penálti oferecido ao Schalke aos 93’, com todas as consequências que daí advêm: eliminação da Liga dos Campeões e fim de um importantíssimo encaixe financeiro. Uma decisão premeditada e cozinhada nos meandros da UEFA deitou a perder o esforço do Sporting, que merecia o apuramento. Um exemplo que demonstra bem por que motivo há um lobby tão grande contra a tecnologia no futebol…

O outro momento negativo é a aliança Benfica-Porto, que mostra até onde os donos do futebol nacional estão dispostos a ir para manterem o poder. As sucessivas “mãos amigas” estendidas ao Benfica na liga mostram que, para já, têm sido eles os principais beneficiados, embora a História diga que o Porto não aceita papéis subalternos. Em 2014 houve muitos benfiquistas a engolir um sapo no que toca a este tema. Outros, a maioria, desvalorizam esta aliança com a mesma desfaçatez com que antes se mostravam indignados por ser terem de carregar o peso de ser, diziam, os únicos arautos da verdade desportiva. Para Benfica e Porto o que interessa é ganhar; as condições em que tal acontece são danos colaterais que em breve estarão esquecidos. 2014 provou que ambos os clubes são farinha do mesmo saco.

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Nani e Liga dos Campeões, dois regressos a Alvalade muito desejados
Fonte: Facebook oficial do Sporting CP

JOGO DO ANO: FC Porto 1-3 Sporting (18 de Outubro)

Tive a feliz ideia de ir assistir ao vivo a esta partida. O que antes do jogo parecia um caso perdido – desde 1997, só por uma vez o Sporting tinha ganho fora ao Porto – tornou-se num festival no campo e na bancada (com direito a mimos a Pinto da Costa que ecoaram por todo o estádio), seguido de um regresso triunfal a casa ao som do CD da Juventude Leonina. Neste jogo, em que o Dragão mais parecia uma sucursal de Alvalade, o Sporting esteve anormalmente concentrado na defesa, certeiro no ataque e dominador na batalha do meio-campo. Este triunfo simboliza também a oportunidade de os leões regressarem aos títulos. Nada está ganho na Taça, mas é obrigatório não falhar.

GOLO DO ANO: Nani vs. Schalke em Alvalade (5 de Novembro)

Um minuto e meio de posse de bola, de agressividade, de procura activa de espaços para chegar ao golo. Depois, uma grande arrancada do recém-entrado Carrillo e Nani a não perdoar. À excepção de Patrício, todos participaram nesta memorável jogada. Se pode não ter sido tiki-taka puro, foi certamente um hino ao futebol enquanto jogo colectivo, com um decisivo desequilíbrio individual no momento certo, e simboliza o que de melhor o Sporting fez este ano. É esta atitude, sempre com a bola a rolar e com os jogadores a oferecerem linhas de passe, que os leões precisam de ter contra as equipas pequenas. Menção honrosa para o excelente golo individual de Nani ao Maribor, também em Alvalade.

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JOGADOR DO ANO: William Carvalho

Maturidade, critério, visão de jogo, capacidade de passe e de desarme acima da média. Assim é William Carvalho, descoberto por Leonardo Jardim e um dos grandes responsáveis pela boa época 2013/2014 do Sporting. Venceu quatro prémios de jogador do mês, Enzo Pérez apenas dois… mas, no final, o melhor jogador da Liga foi o argentino. Há coisas engraçadas, de facto. Desde o início da nova época ainda não se encontrou totalmente. Tem de melhorar bastante.

REVELAÇÃO DO ANO: Paulo Oliveira

Não quero imaginar o que seria do Sporting sem ele. Quem o acompanha desde os tempos de Guimarães não fica surpreendido com a sua qualidade, mas o facto de se ter mudado para um grande clube, aliado à fraquíssima qualidade dos seus companheiros no eixo na defesa, podia ter jogado contra Paulo Oliveira. No entanto, o internacional sub-21 não acusou a pressão. Até inícios de Outubro era a terceira opção para central, em Dezembro já é indiscutível e apaga os fogos ateados por Maurício. Se a ascensão meteórica do defesa português foi também fruto de um péssimo planeamento do plantel no que toca ao sector recuado, ele é quem tem menos culpa disso. Conquistou o lugar por mérito próprio e tem sido, a par do já habitual Rui Patrício, a única boa notícia na defesa.

DESILUSÕES DO ANO: centrais e relação presidente/treinador

Escolho duas. Uma que já aconteceu, outra que está iminente. A primeira tem a ver com a falta de qualidade dos centrais. As saídas de Rojo (previsível) e de Dier (se o clube não sabia da tal cláusula que permitia ao jogador sair para Inglaterra, é grave; se sabia e nada fez, não se percebe por que valorizou o jogador) foram compensadas com as inexplicáveis contratações de Naby Sarr e de Rami Rabia. A queda a pique de Maurício compôs o ramalhete e fez com que, esta época, o conjunto de centrais do Sporting seja o pior desde que vejo futebol. De que serve ir buscar Nani quando a retaguarda treme por todos os lados? Com o regresso do extremo, houve de facto uma hipótese real de sucesso no campeonato. No entanto, a falta de qualidade dos centrais deitou tudo a perder. E, nesta questão, é a direcção quem tem mais responsabilidades.

A outra desilusão é a zanga entre Bruno de Carvalho e Marco Silva – que, ao que tudo indica, não vai acabar bem. Não estou por dentro da realidade do Sporting, mas parece-me que a época começou mal quando, antes de haver treinador, já havia contratações. Marco Silva tem defeitos mas é um bom treinador. Tem responsabilidades na apatia demonstrada em alguns jogos e na abordagem defensiva da equipa, mas exigir-lhe o título quando três dos centrais não fazem um parece-me excessivo. Além disso, há sempre um período de adaptação. O Sporting não pode estar sempre nesta dança das cadeiras, sob pena de se tornar no eterno clube do “para o ano é que é”.

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As tensões entre Bruno de Carvalho e Marco Silva mancharam o fim do ano e prometem novos capítulos em 2015
Fonte: site oficial do Sporting CP

RETROSPECTIVA DE 2014: ano de regeneração, mas o caminho é longo

A decisão de se assumir ou não a candidatura ao título foi um dos pontos fortes do Sporting na primeira metade do ano, e um dos pontos fracos na segunda. A pressão que não existia na última época sobra agora na nova temporada. O Sporting está atrás dos rivais a nível financeiro, de experiência – tanto competitiva como administrativa – e de poder nos bastidores. Deveria, portanto, ter havido um melhor peso dos riscos de se queimarem etapas. Trabalhar para o título sim, sempre; assumi-lo tão convictamente, desprezando as feridas recentes ainda por sarar, foi prematuro. Já o acho desde o Verão. E, sobretudo, uma candidatura tem de se sustentar num plantel forte e equilibrado, coisa que não aconteceu.

Ainda assim, 2014 fica para a História como o ano da regeneração leonina, no qual se devolveu aos Sportinguistas o orgulho de lutar por troféus. A participação na Liga dos Campeões foi outro grande motivo de satisfação, tendo também sido lançadas as bases para uma possível campanha vitoriosa na Taça. Contudo, a recente desavença entre o presidente e o treinador é uma mancha que terá, ao que tudo indica, consequências nefastas.

 

PERSPECTIVAS PARA 2015: obrigatório ganhar a Taça

Atingidos os quartos-de-final da Taça, o próximo ano poderá marcar o regresso do Sporting às conquistas de títulos. Já sem Porto e Benfica em prova, a conquista dessa competição é obrigatória, e tudo o que fique aquém desse resultado será uma tremenda desilusão – mesmo tendo em conta que ainda restam outras boas equipas. No campeonato, as ajudas ao Benfica e a inoperância do Sporting dificilmente permitirão ao clube de Alvalade terminar acima do 3º lugar. Deste modo, a participação na próxima edição da Liga dos Campeões estará dependente de uma pré-eliminatória. Antes, contudo, haverá um duplo embate na Liga Europa contra o difícil Wolfsburgo. O Sporting dos jogos com Porto e Schalke conseguirá passar à fase seguinte, mas o das exibições caseiras contra clubes menores terá sérias dificuldades. Veremos qual destas duas versões irá defrontar os alemães.

Como o Sporting é um clube ecléctico, é com interesse que se aguarda por 2015 também nas modalidades. No futsal, os leões participarão na Final Four da UEFA Cup e, a nível interno, terão de provar que continuam a ser melhores do que o Benfica. No andebol, apesar de a época não estar a correr de feição, o regresso dos playoffs pode jogar a favor do Sporting na luta pelo campeonato. O atletismo masculino terá de contrariar a recente superioridade do Benfica, mas ao feminino “basta” manter o registo dos anos anteriores. Por último, no ténis de mesa há que superar o Toledos e reconquistar um título que foge desde 2011. O próximo ano poderá também marcar o início da construção do tão ansiado pavilhão, infra-estrutura de que um clube como o Sporting nunca deveria ter sido privado.

 

O mundo não pára, o Sporting também não. Que 2015 seja repleto de Esforço, Dedicação, Devoção e Glória, tal como os Sportinguistas merecem. Até para o ano!