A CRÓNICA: GALA DE MESTRE LEONINO NA MARGEM DE UM RIO SECO

O Rio Ave FC e o Sporting CP encontraram-se esta quarta-feira para um jogo a contar para a 31ª jornada do campeonato. O conjunto leonino chegou a Vila do Conde com uma almofada de seis ponto sobre o FC Porto, segundo classificado do campeonato, mas encontrou uma equipa rioavista à procura de pontos para segurar a manutenção no principal escalão do futebol português.

Os pupilos de Rúben Amorim, que pode estar no banco durante a partida, entraram com a ficha toda no jogo à procura da vantagem madrugadora para evitar nervos finais que fazem lembrar jornadas passadas. Nuno Santos foi o autor do primeiro remate digno de destaque da partida, desferido após uma grande combinação com Pote a partir do flanco esquerdo, mas que saiu à figura do guardião polaco do Rio Ave FC.

Somando a este lance outros dois de bola parada que culminaram com o esférico a tirar tinta aos postes da baliza dos vila-condenses, faz concluir a grande predominância dos líderes do campeonato à entrada para este jogo. Oportunidade atrás de oportunidade milagrosamente desperdiçadas até que surgiu um penalti por mão de Ivo Pinto que foi convertido por Pote para o lado direito da baliza de Kieszek.

A segunda-parte trouxe com ela um Rio Ave FC mais incisivo e mais atrevido, algo que foi resultado da substituição feita aos 46’ quando Miguel Cardoso trocou Pedro Amaral por Carlos Mané. O Rio Ave FC teve mais bola que na primeira parte, mas não conseguiu nunca criar chances reais de perigo.

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Quem aproveitou este lado mais inofensivo dos vila-condenses foi Paulinho que aproveitou para assinar um golaço à entrada da grande-área. Recebeu com o peito, fez um compasso de espera e rematou com o pé esquerdo de primeira para o fundo das redes. Após o segundo golo foi alcançada a tranquilidade por parte do Sporting que geriu a vantagem até ao apito final. O Rio Ave FC desafinado no decorrer no jogo passou a ser um Rio Ave FC conformado com a derrota.

Viu-se muitos jogadores a acusarem cansaço do lado vila-condense e alguma falta de capacidade para atacar esta reta final da partida. Com o resultado, Sporting vê-se agora a nove pontos, ainda que provisoriamente, do FC Porto e o Rio Ave FC continua perigosamente perto da linha de água com cinco jornadas para serem jogadas.

 

A FIGURA
Fonte: Isabel Silva / Bola na Rede

João PalhinhaO recém-internacional português foi o grande destaque da partida de hoje. Raramente falhou um passe longo, foi preciso nos passes diretos e perentório nas entradas que fez a meio-campo. Conseguiu ser sempre o primeiro jogador a chegar ao portador da bola e a perturbar as ações ofensivas.

O FORA DE JOGO
Fonte: Isabel Silva / Bola na Rede

Meio-campo do Rio Ave FC –  Foi uma escolha curiosa de jogadores contra uma equipa que consegue criar tanto espaços e consegue meter tantos jogadores na frente do terreno. Guga, Filipe Augusto e Chico Geraldes não conseguiram tapar as zonas procuradas pelo clube de Alvalade e notou-se alguma falta de precisão no posicionamento para combater este fator forte do Sporting.

 

ANÁLISE TÁTICA – RIO AVE FC

 Miguel Cardoso repetiu o 4-3-3 a atacar e 4-4-2 a defender que já tem vindo a implementar desde que chegou. Embora a raça e a vontade fossem notórias desde o apito inicial a solidez e segurança defensivas do Sporting conseguiram impedir qualquer situação de maior perigo que os rioavistas quisessem criar.

Junior Brandão encontrou-se em todas as situações de contra-ataque, completamente desapoiado, optando sempre por seguir para a jogada individual ao invés de esperar por companheiros. A guerra a meio-campo foi perdida com Guga e Filipe Augusto a não serem suficientes para fazer face às movimentações de Pote, João Mário e de Nuno Santos. A reação de Rúben Amorim à entrada de Carlos Mané foi lançar Matheus Nunes em detrimento de Nuno Santos para ajudar o flanco direito na tarefa defensiva.

A avalanche de segurança e de confiança tática do Sporting transcendeu o Rio Ave FC que continuou sem ideias quer pelo centro do terreno, quer pelas alas. Os atacantes apareciam sempre demasiado sozinhos e tinham que recorrer a uma jogada individual que acabava por ser anulada pelo afunilamento feito pela presença de vários jogadores do Sporting à volta o portador da bola. O Rio Ave FC nunca teve muito tempo para pensar o jogo e talvez tivesse precisado de mais uns segundos para conseguir construir num meio-campo que foi móvel demais para os espaços que o Sporting conseguia criar.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Kieszek (6)

Aderlan Santos (6)

Filipe Augusto (4)

Borevkovic (5)

Gelson Dala (5)

Guga (5)

Jr. Brandão (4)

Francisco Geraldes (5)

Coentrão (5)

Ivo Pinto (6)

Pedro Amaral (4)

SUBS UTILIZADOS

Carlos Mané (6)

Grabrielzinho (4)

Pelé (-)

Sávio (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

Nada de novo a nível tático do lado leonino. A novidade foi mesmo João Pereira do lado direito da defesa para fazer render Pedro Porro que está lesionado. De resto, assistiu-se a um a uma segurança a meio-campo que já é característica neste conjunto, muito por culpa de João Palhinha, que mesmo sendo trinco consegue demonstrar omnipresença para intersetar lances.

Este fator faz com que João Mário e Pote tenham uma maior liberdade para inventarem jogadas e, com os laterais subidos os espaços criados são maiores por haver tanta afluência ofensiva. Carlos Mané foi o primeiro a saltar do banco para dentro das quatro linhas e trouxe mais rapidez e mais criatividade na frente de ataque do Rio Ave FC, no entanto o efeito sentiu-se por pouco tempo, já que João Pereira começou a ter mais ajuda na missão defensiva com Matheus Nune a jogar à sua frente.

Defensivamente, até ao fim viu -se uma grande entreajuda na equipa leonina como por exemplo pelas alas onde apareciam sempre os laterais com a ajuda dos extremos para anular tentativas de ataque do Rio Ave FC.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES 

Adán (7)

Gonçalo Inácio (7)

Coates (7)

Feddal (7)

Nuno Mendes (7)

Nuno Santos (6)

João Mário (6)

Palhinha (7)

João Pereira (6)

Pote (6)

Paulinho (7) 

SUBS UTILIZADOS

Jovane (5)

Matheus Nunes (6)

Neto (5)

Daniel Bragança (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Rio Ave FC

BnR: Quais eram as indicações para o meio-campo na tarefa defensiva e de que forma é que não resultaram na primeira parte?

Miguel Cardoso: Os nossos dois jogadores do meio-campo estavam demasiado sozinhos. Tivemos dificuldades em encontrar estabilidade e de ver onde é que o Pote ia estar para receber entrelinhas. O João Palhinha também teve muito espaço para jogar e defensivamente falhamos… O Filipe Augusto encontrou-se muitas vezes sozinho também e assim é difícil de segurar o meio-campo.

Sporting CP

BnR: A utilidade de João Palhinha a nível defensivo é notória e sabida, mas a nível ofensivo o que é que ter um jogador que recupera tantas bolas e reage tão bem à perda permite à equipa fazer?

Rúben Amorim: O Palhinha é muito forte a adivinhar os lances e é forte a reagir. Ele permite-nos lançar um médio. O João Mário muitas vezes estava muito perto do Paulinho, porque quando perdemos a bola o Palhinha consegue dar-nos dois ou três segundos para recuperar as posições, isto se não cortar a bola.

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