Rúben Amorim é o nome mais falado nos últimos dias, no Futebol português. O sucessor de Jorge Silas prepara-se para mudar da cidade minhota até Alvalade, numa transação que está a gerar muita controvérsia no universo leonino. Mas afinal o que podemos esperar de Rúben Amorim?

Chegou à equipa principal do SC Braga em meados de Dezembro e desde logo causou um grande impacto na equipa bracarense, depois de substituir Ricardo Sá Pinto no comando técnico. Conta com 13 jogos oficiais, dos quais dez vitórias, um empate e duas derrotas. Somando a estas estatísticas venceu a edição deste ano da Taça da Liga, eliminando Sporting CP nas meias finais e vencendo o FC Porto na final. Conseguiu também o feito inédito de vencer os três grandes por cinco vezes, no espaço de um mês.

Desde que iniciou o seu percurso na equipa de futebol sénior destacou-se pelo sistema tático apresentado, jogando maioritariamente com três centrais, em 3x4x3. As dinâmicas ofensivas criadas e a organização tática têm sido a sua imagem de marca no comando técnico dos minhotos. Deixa assim a equipa na 3.º posição do campeonato com quatro pontos de vantagem sobre o Sporting CP, que ocupa o 4.º lugar.

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O jovem treinador de 35 anos prepara-se para ser o quarto treinador escolhido por Frederico Varandas para a presente época e ainda só estamos em Março. A troca constante de equipa técnica no mandato deste Conselho Diretivo tem sido preocupante, não havendo memória de algo semelhante no mundo verde e branco.

Rúben Amorim
Jovem treinador conquistou Taça da Liga no início de 2020
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Depois de inúmeras vezes o presidente leonino ter referido que a atual temporada foi planeada com um ano de antecedência e que o Sporting CP estava pronto para lutar pelo título, prepara-se para realizar a pior época da história do clube, depois do desaire em Famalicão ter igualado o maior número de derrotas numa só temporada (15).

Ainda desconhecidos os valores que envolvem esta transferência, muito se tem falado sobre a possibilidade de o Sporting CP pagar a cláusula de rescisão no valor de dez milhões de euros ou incluir jogadores na operação, baixando o valor da mesma. Ainda que os sinais dados por Rúben Amorim tenham sido positivos, a sua valorização num curto espaço de tempo poderá tornar-se num caso de estudo, uma vez que a confirmar-se o pagamento da cláusula, tornar-se-á no segundo treinador mais caro da história (atrás do português André Villas-Boas), com apenas dois meses de experiência no principal escalão de Futebol profissional.

Acerca do benfiquismo assumido pelo próprio Rúben Amorim, sinceramente não acho que isso possa ser um problema. Qualquer treinador, ainda por cima no início da sua carreira, quer sempre ganhar, independentemente das cores que represente.

Assume um grande risco em mudar-se já para Alvalade, encontrando um clube dividido e com muitos problemas internos. Depois da boa impressão deixada, poderia optar por dar continuidade ao bom trabalho que estava a realizar e consolidar o projeto em Braga. Na minha opinião, esta mudança poderá significar uma de duas coisas sobre o jovem treinador: coragem por assumir um projeto de risco ou deslumbramento/sobrevalorização das suas capacidades por pensar que está preparado para este desafio. O tempo nos dará a resposta!

Jorge Silas, na sua última conferência de imprensa, referiu que “Rúben Amorim vai precisar muito da ajuda de todos” e que “o Sporting tem de começar a pensar já na próxima época”. Esta movimentação significa que Rúben Amorim será a cara da equipa na próxima temporada. Ainda sem o nível três e quatro de treinador, que lhe permitiria ter um papel mais ativo, será momento de arriscar novamente num treinador com estas qualificações, depois da experiência com Silas? Não significa que a não obtenção do nível seja sinal de incompetência, mas…

A atual gestão do Sporting CP deixa-me bastante preocupado, as constantes mudanças representam claramente a falta de planeamento e ideias desta direção. Trocas atrás de trocas, desculpas atrás de desculpas, maus resultados consecutivos, será que este desnorte até Braga irá ser finalmente um caso de sucesso?

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão