“No início, vão querer excomungar todos os brunistas/quem não se revê neles. Depois disso, vamos voltar às negociatas duvidosas com empresários e clubes dominados por estes. De seguida, vão começar as modalidades a sofrer. Vão desinvestir e vamos perder todo o poder eclético que recuperámos de 2013 a 2018. Por fim, e como resultado de todas as premissas anteriores, vão tentar alcançar o objetivo final – a venda da SAD.”

Este pequeno texto, de autoria desconhecida, poderia muito bem ter sido escrito por mim após o processo de destituição da anterior direção do Sporting Clube de Portugal. E embora não seja eu o autor, como me revejo a 100% no que foi escrito, passo a explicar:

“No início, vão querer excomungar todos os brunistas/quem não se revê neles.”

Depois das primeiras AG pós-eleições terem decorrido com um ambiente quente, de troca de acusações e exaltação permanente de ambas as partes, surgem agora processos disciplinares a sócios que (aparentemente) insultaram membros da direção do Clube na última Assembleia. Um presidente que pode mandar beijinhos a um grupo extenso de adeptos já enfurecidos pela sua postura, um presidente que todos os meses nos relembra que os maus resultados são consequência da pesada herança com que se deparou, um presidente que afirma convictamente que uma goleada provocada pelo rival não é motivo de preocupação não consegue agora lidar com um par de impropérios provenientes de dois ou três sócios que usaram da palavra na última Assembleia Geral. Tudo com a conivência (claro está) de um Conselho Fiscal e Disciplinar à boa moda pidesca.

“Depois disso, vamos voltar às negociatas duvidosas com empresários e clubes dominados por estes.”

Ilori. Eduardo. Doumbia. Bolasie. Rosier. Renan. Camacho. Borja. Jesé. Fernando (reconheço que tive de passar pelo Transfermarkt para me lembrar). Vietto. Uns mais competentes, outros sem atributos sequer para o Campeonato de Portugal, nenhum com qualidade efetiva para ser titular. Pior: este último foi avaliado em 15 milhões de euros (7,5M por 50% do passe) e veio do Atlético de Madrid, um dos bastiões do famoso “Carrossel do Mendes”. Jorge Mendes esse que recebeu ainda comissões avultadas pelas vendas de jogadores como Rui Patrício, Gelson Martins ou Daniel Podence (que resultaram em acordos extrajudiciais lesivos para o Sporting).

O planeamento feito para a temporada tem sido um dos aspetos mais criticados à atual direção
Fonte: Sporting CP

“De seguida, vão começar as modalidades a sofrer. Vão desinvestir e vamos perder todo o poder eclético que recuperámos de 2013 a 2018.”

Em 2017/2018, o Sporting fez história em ano de inauguração do Pavilhão João Rocha, vencendo os campeonatos nacionais de todas as quatro modalidades (voleibol, andebol, hóquei e futsal). Com estrutura semelhante, na época seguinte, conseguimos falhar as provas nacionais de todas as modalidades que jogam no João Rocha – não fossem os títulos europeus de futsal e hóquei em patins e estaríamos na presença de uma das épocas mais negras para o ecletismo verde e branco. A saga do desinvestimento continua nesta época, com o desmantelamento das equipas de atletismo e judo e a (aparente) extinção do ciclismo, uma das modalidades mais tituladas e com mais história no Clube.

“Por fim, e como resultado de todas as premissas anteriores, vão tentar alcançar o objetivo final – a venda da SAD.”

É o único objetivo por atingir no conjunto de “profecias” atribuídas a todos aqueles que, como eu, previram que este momento dramático do Sporting ia chegar (talvez não tão cedo, admito). Ainda assim, estamos bem lançados. O projeto desportivo do futebol do Sporting é completamente inócuo. Ativos como Bruno Fernandes ou Marcos Acuña desvalorizam-se semana após semana, tornando a SAD leonina cada vez mais insustentável. Depois de um Empréstimo Obrigacionista lançado em Novembro de 2018 e falhado, pois não se atingiu o valor esperado (30 milhões de euros), a Sporting SAD assinou um acordo de contornos duvidosos com a Apollo. (um aparte bastante importante: o escritório de advogados de Rogério Alves, presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting, assessora este mesmo fundo). Este acordo é lesivo de várias formas: primeiro, pela taxa de juro elevadíssima a rondar os 8%; depois, pela própria Apollo e o seu envolvimento num escândalo no imobiliário nacional e na venda da SAD do Estoril-Praia; por fim, pela falta de informação divulgada aos sócios – gosto pouco de rumores e informações infundadas mas não deixa de ser assustador que se fale em passes de jogadores ou mesmo numa percentagem da SAD cedida em caso de incumprimento.

Em jeito de conclusão, termino este texto com alguns “eu bem disse” carregados de tristeza. Eu bem disse que isto ia acontecer. Eu bem disse que destituir/suspender/expulsar quem quer que seja era o caminho mais tumultuoso. Eu bem disse que Frederico Varandas não era solução. Eu bem disse que dividir para governar é insustentável. Eu bem disse que o Sporting, tal como o conhecemos, podia ficar mais perto do fim. E espero estar enganado em relação a este último. Porque em relação ao outros “eu bem disse” todos, já sei que infelizmente acertei.

Foto de Capa: Sporting CP

Comentários