sob o signo mozos

Depois da vitória no Dragão, o Sporting tinha de ultrapassar mais um adversário difícil. Era preciso controlar as emoções, nunca deixando de aproveitar todos os pontos positivos que havia para retirar do clássico que ditou a eliminação do FC Porto da Taça de Portugal. Com o onze que seria expectável, o Sporting entrou para este encontro admitindo o favoritismo dos alemães do Schalke 04 mas ambicionando a vitória contra uma equipa que nunca antes houvera defrontado.

A primeira parte começou com um ritmo baixo mas desde bem cedo o Sporting mostrou uma identidade de jogo que passava por pressionar alto e fechar as linhas de passe, organizando-se muito bem tacticamente. Os leões foram obrigando os alemães a jogar no seu próprio meio-campo. Via-se um Sporting tranquilo, seguro e com uma noção muito clara daquilo que estava a fazer.
Aos 16 minutos, um canto rasteiro batido por João Mário chega a Nani, que remata enrolado para o primeiro golo da noite. Uma vantagem que se justificava pela maior qualidade e segurança apresentada pelos verdes-e-brancos. O Schalke reagiu e começou a criar lances de perigo que o Sporting foi resolvendo sem nunca perder a cabeça ou vacilar, saindo sempre – ou na maioria dos casos – com a bola jogável. Mas os leões sofreram a primeira contrariedade à passagem do minuto 25, quando Marco Silva se viu obrigado a fazer entrar Fredy Montero para o lugar do lesionado Slimani. O Sporting manteve-se seguro e continuou a apresentar um estilo de jogo bem definido, com uma excelente organização táctica. Mas ao minuto 34 tudo mudou: Maurício, que já havia sido admoestado, fez uma falta imprudente a meio-campo e viu o segundo amarelo, num lance em que o excesso de zelo do árbitro ficou evidente. Na marcação dessa mesma falta o Schalke 04 acabou por chegar ao empate, num lance em que Patrício ficou mal na fotografia. Em termos psicológicos foi uma autêntica machadada em apenas dois minutos. Mas o Sporting aguentou.

Marco Silva fez a segunda substituição forçada colocando Sarr para o lugar de João Mário. O encontro foi para intervalo com as duas equipas a procurarem o golo – o que é de louvar, já que o Sporting jogava com menos um e já tinha sido obrigado a duas alterações. O início da segunda parte apresentou um Sporting a querer ir para cima do jogo, continuando a pressionar alto e a disputar o jogo mano-a-mano, não se deixando enfraquecer pelo facto de jogar com menos um homem. Num contra-ataque do Schalke, a equipa alemã apanhou a defensiva leonina em descompensação e fez o 2-1. Cambalhota no marcador aos 51 minutos. Mas como tudo conspirava contra o Sporting nesta chuvosa noite de Agosto em Gelsenkirchen, o tento de Huntelaar foi conseguido em fora-de-jogo. Mas o Sporting aguentou.

O 3-1 surgiu num lance de bola parada, aos 61 minutos, em que Sarr tem dupla responsabilidade: fez a falta e, após a marcação do livre, falhou na cobertura de Howedes, que acabou por colocar a bola no fundo das redes de Rui Patrício. Tudo parecia perdido. Mas o Sporting não deixou.  À passagem do minuto 64, um ataque de Carrillo no flanco esquerdo do Sporting originou uma grande penalidade, que Adrien Silva cobrou exemplarmente, reduzindo assim a vantagem para 3-2. O Sporting cresceu e sentia-se que o empate era bem possível. Mesmo jogando com dez, os leões deram uma lição de futebol, de raça, de alma, de garra e de vontade e, ao minuto 78, num lance de insistência do Sporting, Adrien Silva finalizou com um cabeceamento um excelente centro de Cédric. Estava reposta a justiça no marcador. 3-3.

Adrien Silva recolocou o Sporting na discussão do encontro ao converter um penálti aos 64 minutos Fonte: UEFA
Adrien Silva recolocou o Sporting na discussão do encontro ao converter um penálti aos 64 minutos
Fonte: UEFA

O Sporting lutou com o coração; deu a volta a um jogo que parecia perdido; controlou a partida em vários momentos do jogo mesmo jogando em inferioridade numérica. O Sporting é isto. O Sporting aguentou e renasceu das cinzas quando já ninguém o esperava. Exibição exemplar dos pupilos de Marco Silva, que tudo fizeram para tornar esta noite numa noite de glória.

Mas o pior estaria para vir… No último minuto do encontro o árbitro de baliza – que, aproveito para dizer, não tem qualquer utilidade ou razão de existir – decidiu inventar um penálti a favor do Schalke 04. A bola bate na cara de Jonathan Silva mas a equipa de arbitragem voltou a errar contra o Sporting e assinalou grande penalidade por mão na bola. Choupo-Moting encarregou-se da marcação e não falhou.  O jogo acabou com a derrota do Sporting. As contas estão muito complicadas, mas a revolta que a nação leonina sente neste momento por não terem deixado que o resultado fosse outro não permite sequer pensar na calculadora. Agora, o Sporting vai ter de aguentar. Mas preparem-se, pois o poder da raça, da qualidade, da personalidade e da garra do Sporting ficou mais do que patente neste jogo – e que orgulho e honra ver este Sporting jogar! Já sabem aquilo que os leões são capazes de fazer. Mas, para isso, é preciso que os deixem lá chegar…
A Figura: A atitude do Sporting, que conseguiu recuperar, em inferioridade numérica, um jogo que parecia perdido. De 3-1 para 3-3 em 15 minutos. Não deixaram o jogo acabar com o resultado que seria justo e adequado.

O Fora-de-Jogo: Arbitragem – Desde a expulsão de Maurício (segundo cartão amarelo forçado) até ao penálti inventado, que originou o quarto golo do Schalke, passando pelo segundo golo dos alemães em fora de jogo. Tudo correu mal a esta equipa de arbitragem hoje, que foi a principal responsável por não deixar o Sporting sair com outro resultado hoje na Alemanha.

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O Zé Pedro nasceu um dia sob o signo do leão, assim como uma das suas maiores paixões: O Sporting. Desde aí que o seu percurso tem sido traçado a verde-e-branco. Vibrou com os grandes triunfos e sofreu com os desaires, mas nunca deixou de apoiar o clube leonino. Escrever para este site é só uma das muitas formas de expressar aquilo que sente pelo Sporting.                                                                                                                                                 O José não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.