Sem os golos de Pote e sem os passes de Inácio | Sporting CP

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Nos últimos quatro jogos o Sporting CP obteve três resultados diferentes. Depois de um começo de época com quatro vitórias consecutivas, os verdes e brancos empataram contra o FC Porto em Alvalade, foram goleados pelo AFC Ajax em casa no regresso à liga dos campeões, e voltaram finalmente às vitórias frente ao Estoril de Praia SAD na Amoreira. Ontem voltaram a vencer, desta vez em casa contra o CS Marítimo. O jovem plantel reergueu-se depois da pesada derrota a contar para a liga milionária e leva agora o conforto de dois triunfos seguidos para Dortmund.

O fator comum

Esta fase menos positiva dos leões sobretudo marcada pela ausência de Pedro Gonçalves, o goleador-mor dos comandados de Rúben Amorim. Gonçalo Inácio foi também baixa para três dos jogos, tendo no outro jogado 21 minutos frente ao campeão holandês em título. Inácio, que falhou os trabalhos da seleção nacional por lesão, recuperou a tempo do regresso do Sporting CP à prova milionária, mas rapidamente se tornou claro que ainda não estava a 100%. Saiu mais cedo e voltou a ser baixa para o campeonato.

O goleador de serviço do Sporting CP

O melhor marcador da época passada na Liga com 23 golos apontados não pôde dar o seu contributo nos últimos quatro encontros disputados pelo Sporting. O já internacional português de 23 anos tem estado fora das opções do técnico Rúben Amorim por culpa de uma inflamação no pé esquerdo.

Leva quatro tiros certeiros em cinco partidas. O jovem natural de Vigado habituou mal, não só os sportinguistas, como a própria equipa. Tanto uns como outros se acomodaram à ideia de que ter Pote em campo é como estar a ganhar por um antes de soar o apito do árbitro.
Passa muitas vezes despercebido em campo – até aparecer, vindo do nada, na cara do golo e colocar a bola no fundo das redes. É raro vacilar no momento da finalização. A imagem de Pedro Gonçalves é esta mesmo. Um jogador que parece perdido em campo, mas de repente o seu GPS interno é ativado e vemo-lo a criar um momento de enorme perigo. A verdade é que não é só golo que oferece. Pote no onze titular é significado de uma pressão intensa e de muitas permutas. O jovem goleador do Sporting CP é sem sombra de dúvidas o melhor da equipa a ocupar os espaços deixados por Paulinho e isso explica em grande parte o elevado número de golos que leva na conta pessoal. O seu faro faz falta à equipa e teria sido uma boa ajuda na liga milionária.

Sporting CP
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

O central que mais parece um médio

Gonçalo Inácio teve um crescimento exponencial e é, neste momento, uma peça fundamental da formação comandada por Rúben Amorim. Na época transata procurou o seu espaço e ganhou a titularidade. Cresceu com os muitos minutos que lutou por ter, terminando a temporada com 1719 minutos completados.

Revelou uma grande capacidade no capítulo do desarme, registando uma eficácia de 75% na Liga. Mostrou ser um central com características únicas no plantel do Sporting. A qualidade de passe que demonstrou ter, colocou-o noutro patamar. Concluiu o campeonato com 84% dos seus passes a serem bem-sucedidos, o que pode não parecer muito para um defesa central visto que maior parte dos passes que realizam são passes curtos para trás e para o lado. No caso de Inácio não é bem assim. O jovem formado em Alcochete coloca a bola inúmeras vezes entrelinhas, sem qualquer receio e tenta também por diversas vezes passes em profundidade. Este tipo de passes por parte dos centrais podem ser muitas vezes vistos como “chutões” para a frente, mas o miúdo de 20 anos fá-los com total intenção.

A visão e confiança de Gonçalo Inácio são características ímpares e que fazem falta à equipa. Com o jovem em campo, os leões apresentam uma saída de bola muito mais limpa e ganham maior capacidade em ultrapassar as linhas do adversário.

Sporting
Fonte: Bola na Rede / Carlos Silva

Voltem rápido

Ausências como estas num plantel tão curto como o do Sporting fazem a diferença. Não é fácil substituí-los. Mesmo no jogo de sexta em que o Sporting CP foi capaz de criar diversas oportunidades, teve grande dificuldade para as concretizar. Talvez se Pedro Gonçalves tivesse estado em campo, o jogo poderia ter sido resolvido mais cedo. E com Inácio talvez os verdes e brancos conseguissem criar ainda mais lances de perigo. Ambos acrescentam muito quando estão em campo e por isso a turma de Alvalade deseja certamente a rápida recuperação dos dois.

Miguel Amaral Rodrigues
Miguel Amaral Rodrigueshttp://www.bolanarede.pt
Desde que se lembra que o Miguel joga à bola. Sentiu sempre uma ligação com a redondinha. Com 7 anos de idade começou a ir a Alvalade e desde então é raro falhar um jogo. Aos 13 iniciou a sua carreira no futebol federado. E para sua tristeza, há cerca de dois anos pendurou as botas. Mas não largou a maior paixão que tem na vida. Estuda jornalismo na ESCS e é por intermédio da comunicação que quer acompanhar o futebol daqui para a frente.

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