A CRÓNICA: PROVAR DO PRÓPRIO VENENO

Numa noite em que já não chovia em Lisboa, foram os golos que decidiram chover no Estádio José de Alvalade. O Sporting CP perdeu por 5-1 numa estreia da Liga dos Campeões para esquecer. Entre os cinco golos do AFC Ajax, destaque para o poker de Haller.

Numa primeira parte frenética a todos os níveis, o Sporting CP não poderia ter entrado pior. Aos nove minutos já estava a perder por 2-0. Haller bisou no encontro, mas a principal fonte de preocupação estava nos pés de Antony que só causava dificuldades ao corredor esquerdo leonino. A verdadeira reação do Sporting só se deu aos 33 minutos por Paulinho, mas foi sol de pouca dura. O AFC Ajax voltou à carga pelo corredor esquerdo dos leões e nasceu o 3-1 por Berghuis.

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A segunda parte foi um reflexo daquilo que vimos na primeira, mas com ainda mais negatividade para os leões. Aquilo que já era complicado tornou-se impossível. Paulinho poderia ter renascido as esperanças da equipa, mas o VAR também fez questão de dizer que esta não era a noite verde e branca. Depois, bastou a Haller bisar para dar o 5-1 final.

Um resultado que faz o Sporting CP provar do próprio veneno ao encontrar uma equipa à sua imagem.

 

A FIGURA

Haller – Se pudesse mencionar dois homens, colocaria Antony em dupla com Haller, mas o meu critério acabou por incidir no homem que fez o Poker esta noite. Seguramente uma das noites mais gloriosas da carreira do avançado do AFC Ajax que deu a esta vitória números avassaladores. Menção de honra a quem muito contribuiu para estes golos: Antony.

O FORA DE JOGO
Sporting
Fonte: Isabel Silva / Bola na Rede

Feddal – Noite para esquecer do corredor esquerdo defensivo do Sporting e com Feddal à cabeça. Quatro dos cinco golos do AFC Ajax partiram sempre da zona posicional de Feddal que acabou por ter de tentar travar um dos homens da noite: Antony. Uma missão que não foi cumprida com sucesso e que merece alguma reflexão para o que aí vem.

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

A equipa de Rúben Amorim apresentou-se num 3-4-3 que passou a um 4-4-2 com a entrada de Esgaio e saída de Gonçalo Inácio (apesar de na primeira fase de construção Esgaio ser central). Os laterais eram muito ofensivos e Nuno Santos colava-se mais vezes a Paulinho para oferecer profundidade. Matheus Nunes encarregava-se da ligação meio campo – ataque. Ao longo dos 90 minutos, vimos um Sporting CP surpreendido e muito desconcentrado por força dos movimentos rápidos do Ajax a criar confusão na linha defensiva leonina.

Outros dados de relevo foram as dificuldades na 1.ª fase de construção e no corredor esquerdo defensivo. Matheus Reis e Sarabia entraram para tentar corrigir o corredor esquerdo e a ala ofensiva direita respetivamente. Não resultou. Tiago Tomás e Daniel Bragança também foram entradas que não solucionaram o problema da equipa.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Adán (3)

Feddal (3)

Gonçalo Inácio (-)

Luís Neto (4)

Rúben Vinagre (3)

Matheus Nunes (7)

João Palhinha (5)

Pedro Porro (5)

Nuno Santos (4)

Jovane Cabral (3)

Paulinho (7)

SUBS UTILIZADOS

Ricardo Esgaio (5)

Matheus Reis (5)

Sarabia (4)

Tiago Tomás (4)

Daniel Bragança (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – AFC AJAX

Os holandeses apresentaram-se num 4-3-3 num modelo de jogo já esperado: pragmatismo ofensivo e grande capacidade de recuperação na zona intermediária. Enquanto atacavam, privilegiavam muito o lado esquerdo com Anthony em destaque. Mas no golo sofrido mostraram como também têm algumas debilidades defensivas. Mesmo depois das substituições e com o decorrer do encontro, este pragmatismo nunca mudou e foi uma questão de tempo até a goleada estar consumada.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Pasveer (5)

Mazraoui (6)

Timber (5)

Martínez (5)

Daley Blind (6)

Álvarez (7)

Berghuis (6)

GravenBerch (5)

Antony (9)

Tadić (6)

Haller (9)

SUBS UTILIZADOS

David Neres (6)

Devyne Rensch (5)

Kenneth Taylor (-)

Perr Schuurs (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Sporting CP

Não foi possível colocar questões ao treinador do Sporting CP, Rúben Amorim.

AFC Ajax

BnR: Para além das dificuldades criadas no lado esquerdo da defesa do Sporting, acha que a capacidade de recuperação de bola da sua equipa foi um fator-chave para esta vitória?

Erik Ten Hag: Sim, o facto de termos conseguido recuperar muitas bolas em situação ofensiva foi determinante. Destaco também que o público do Sporting tivesse apoiado até ao fim e tentasse motivar a equipa. Isso tornou o ambiente no estádio excelente.

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