Jorge Manuel Rebelo Fernandes nasceu a 1 de Setembro de 1976. Falamos de Jorge Silas, o novo treinador do futebol sénior leonino. Ganhou precisamente a alcunha de Silas, devido ao ex-jogador brasileiro do Sporting CP. Conta com uma passagem pelo Sporting CP enquanto jogador, mas foi dispensado na transição de infantil para iniciado.

Para além de Alvalade, passou por clubes como Atlético CP, UD de Leiria, CS Marítimo e Belenenses SAD, acabando por terminar a sua carreira no CD Cova da Piedade. Conta ainda com passagens pelo Chipre, Espanha e Índia. Como treinador teve uma breve experiência no Sindicato de Jogadores, antes de rumar ao Belenenses SAD em 2018.

Com a mágoa de ter sido dispensado – como afirmou hoje na sua apresentação em Alvalade – regressa agora a um clube que lhe diz muito emocionalmente, com a missão de recuperar os bons resultados no reino do Leão. E será essa emoção que irá tentar transmitir aos jogadores. Mais que treinador terá de ser um amigo, um psicólogo e um homem com muita paciência capaz de recuperar os índices anímicos leoninos.

Não acredito que Silas tenha sido a primeira escolha por parte de Frederico Varandas, mas que acaba por ser a escolha certa, ainda que eventualmente possa ser no contexto errado, numa altura de tremenda instabilidade. É de relembrar que os Leões estão numa onda negativa onde sofrem golos em todos os jogos e contam apenas com duas vitórias e estando já a oito pontos do sensacional líder FC Famalicão.

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Silas saiu do Jamor no início deste mês de Setembro
Fonte: Belenenses SAD

Como referi é um treinador certo, mas no momento errado. Com isto, não é de esperar que as coisas comecem automaticamente a correr bem à primeira. É preciso dar tempo para trabalhar e para conciliar o modelo e as ideias de jogo. E da mesma forma que se pede paciência ao treinador na recuperação dos seus atletas é necessário pedir da mesma forma essa paciência aos adeptos leoninos, apesar de nestes (muitos) anos sem um título, a paciência estar quase esgotada.

Jorge Silas é um treinador que tem um discurso positivo, uma boa comunicação – como se viu no discurso que realizou hoje em Alvalade – e um treinador sem medo, com uma noção da realidade do campeonato português e com uma bagagem enorme, sobretudo pelas influências que tem do treinador Jorge Jesus. É um treinador com ideias fortes, que procura ter bola e é sobretudo bastante organizada nas quatro fases do jogo: transição ofensiva, transição defensiva, organização ofensiva e organização defensiva. Chega a um clube com uma maior qualidade de matéria-prima que lhe permitira trabalhar melhor também o seu modelo e as suas ideias.

Estou certo de que existirá um crescimento coletivo e individual possibilitando uma maior estabilidade, sobretudo no que diz respeito à parte defensiva. Isto por sua vez permitirá aos Leões não serem tão permeáveis, fazendo que a confiança dos jogadores aumente, pois não sofrer golos é meio caminho andado para não sofrer uma derrota. Um treinador que tenta inovar – um pouco à semelhança do actual treinador do RB Leipzig, Julian Nagelsmann – e que com isso dará maior dor de cabeça aos adversários, pois a adaptação não será tão fácil nem instantânea, sendo assim mais difícil de anular as ideias e as diferentes estratégias para cada jogo.

É um treinador que gosta de ter uma equipa fluída e móvel e que durante o jogo pode sofrer algumas adaptações e assim confundir o adversário. Em organização ofensiva Jorge Silas gosta de se apresentar num esquema de três centrais permitindo aos alas movimentos de profundidade e estabelecendo a equipa numa espécie de 3x2x3x2 (imagem em anexo). Permite em caso de perda de bola um equilíbrio na zona defensiva com os dois médios mais recuados a fechar atrás, garantindo sempre superioridade numérica na transição defensiva.

Já em organização defensiva é difícil de estabelecer um padrão ou um tipo raíz visto que a equipa defende em função da forma que ataca, sendo algo mais fluido e em constante mutação como referi anteriormente, sendo que o seu esquema/estrutura poderá ser 5x3x2 ou até mesmo 5x4x1 mas que irá depender da estratégia para cada jogo.

Fonte: Bola na Rede

É um treinador que vê o jogo da frente para trás, que dá prioridade ao ataque e a bola no pé. Uma saída desde trás, num jogo pensado e como um todo, em que todos contribuem para todas as fases do jogo. Um jogo inteligente, entrelinhas e vertical. Um treinador que procura defender à zona e em sintonia com a forma que ataca, que dá prioridade a defender de dentro para fora, fechando bem as zonas centrais evitando o jogo entrelinhas dos adversários.

Existe alguma dúvida se será de facto um projeto a médio-longo prazo visto que assinou apenas um contrato até ao fim da presente época, com mais uma de opção. Dá a sensação de que Frederico Varandas está na expectativa para ver o que vai acontecer e que em caso de insucesso, poderá assim ir à procura de um novo treinador – o que seria o quarto na sua era. Passa a mensagem de que é necessário ter resultados de forma algo imediata.

No entanto, o essencial é que o novo timoneiro leonino irá construir uma equipa à sua imagem, mesmo que o impacto não seja imediato, não há dúvidas de que é um treinador com qualidade e que precisa de tempo. É metódico naquilo que corresponde a cada fase do jogo e naquilo que cada jogador terá como sua tarefa. Será uma lufada de ar fresco no futebol leonino e certamente irá garantir melhores sensações aos adeptos leoninos com a premissa de um futebol mais atrativo e dinâmico.

 

Foto de Capa: Sporting CP