CRÓNICA: JOGO EQUILIBRADO QUE EXPÔS AS FRAGILIDADES DAS DUAS EQUIPAS

O derby lisboeta marcou o fim do campeonato. O SL Benfica entrou em campo sabendo que independentemente do resultado o segundo lugar estava garantido, entrando já numa espécie de preparação para a final da Taça que se realizará no próximo dia 1 de Agosto. O Sporting CP entrou com a tarefa de conseguir pelo menos manter o seu terceiro lugar e assim entrar diretamente na Liga Europa, onde bastava aos Leões pontuar se não quisessem ficar a depender do resultado do SC Braga.

As duas equipas entraram com algumas alterações face à última partida. Nas Águias, Carlos Vinícius deu o lugar a Seferovic. Tomás Tavares e Julian Weigl regressaram também ao onze em detrimento de Nuno Tavares e de Florentino Luís. Nos Leões, iniciou a partida o onze esperado. Não havendo grandes dúvidas quanto à inclusão de Sporar e Jovane Cabral depois de recuperarem das suas lesões, relegando para o banco de suplentes Francisco Geraldes e Tiago Tomás.

O Sporting CP até entrou bem na partida, com uma equipa solta e a procurar tomar conta do jogo e a remeter o SL Benfica no seu meio-campo, mas durou apenas dez minutos e a equipa liderada por Rúben Amorim perdeu esse pequeno fulgor. Os Leões terminaram até a primeira parte com mais posse de bola, muito fruto do seu sistema de três centrais, mas todas as ocasiões de perigo pertenceram sempre à equipa da casa.

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Aos 28 minutos o SL Benfica chega à vantagem com um golo de Seferovic. Após um canto batido no lado direito do ataque encarnado, Rúben Dias ganha a primeira bola e serve o suíço para o seu 5º golo na prova. O Sporting CP demonstrou sempre muitas dificuldades em reagir e em responder à desvantagem, permitindo ao SL Benfica controlar a saída dos Leões a seu belo prazer e a conseguir controlar o jogo de forma favorável. Vantagem justa ao intervalo onde o SL Benfica foi conseguindo explorar da melhor maneira as fragilidades dos Leões.

No início do segundo tempo, o Sporting CP apresentou-se com uma imagem diferente, mais arrojado e com isso o jogo ficou mais aberto, dando mais hipóteses de perigo em cada uma das balizas. O Sporting CP dominou as ações do jogo nesta segunda parte – sobretudo com o aproximar do final da partida – a procurar carregar e em chegar ao golo do empate. Aos 69 minutos o Leão chega mesmo ao golo do empate. Num excelente contra-ataque, Tiago Tomás – que entrou no início do segundo tempo para o lugar de Plata – serviu na perfeição Sporar que rematou para o fundo da baliza, fazendo o seu 6º golo no campeonato e colocando novamente o Sporting CP no terceiro lugar do pódio.

O SL Benfica ia sentindo dificuldades, mas chegou ao golo da vitória aos 88 minutos. Carlos Vinícius fez o seu 18º golo no campeonato após assistência de Pizzi e com a validação do VAR.

Final da partida. Não sendo um jogo deslumbrante, o Sporting CP esteve perto e possuiu oportunidades para pelo menos empatar, mas não conseguiu o seu objetivo do terceiro lugar quando até esteve melhor na partida descendo assim para o quarto lugar. O SL Benfica termina o campeonato em segundo lugar e com mais uma vitória sobre o rival da 2ª Circular.

A FIGURA

Sporting
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Segunda-parte do Sporting: A equipa leonina entrou com uma imagem bem diferente face ao que fez na primeira parte e colocou várias dificuldades ao SL Benfica. Apesar de ser necessário acrescentar outra qualidade individual ao plantel leonino, fica a nota e o destaque para o que uma mudança de atitude e de índices de agressividade podem fazer à exibição de uma equipa que até ali havia sentido muitas dificuldades em conseguir ligar o seu jogo e em contornar os erros que ia cometendo face à pressão dos encarnados. Não venceu o jogo, mas a entrada de Tiago Tomás – muito mais a pensar no coletivo e associativo – também ajudou e o Sporting CP foi conseguindo meter mais homens no ataque conseguindo expor também as dificuldades defensivas do SL Benfica.

O FORA DE JOGO

Bolas paradas defensivas leoninas: O Sporting CP foi demonstrando muitas dificuldades ao longo do jogo no que diz respeito às bolas paradas defensivas. Erros de marcação e de coordenação da linha defensiva. Tendo dificuldades – sobretudo na segunda parte – em disputar o jogo corrido, foi assim que a equipa da casa foi eficaz e foi criando perigo conseguindo resolver desta forma o jogo a seu favor.

ANÁLISE TÁCTICA – SL BENFICA

O SL Benfica apresentou-se em 4x2x3x1 com Chiquinho a jogar mais entrelinhas e nas costas de Seferovic, jogando com Gabriel e Weigl no meio-campo. Uma equipa com dinâmicas e comportamentos que têm sido a imagem da longa época que agora está prestes a terminar. A equipa não foi deslumbrante, jogou no erro do Sporting CP e a aproveitar as debilidades leoninas na primeira parte, mais até do que tentar assumir as despesas do jogo.

Uma abordagem mais pragmática, sobretudo na forma como a equipa condicionou a primeira fase de construção e a saída do Sporting CP, obrigando quase sempre o Sporting CP a errar e a jogar com esse erro. O SL Benfica foi criando perigo sobretudo através das bolas paradas ofensivas. Na segunda parte entregou e estranhou a mudança do Sporting CP, começando a sentir algumas dificuldades e sobretudo a começar a demonstrar a falta de confiança que não permitiu à equipa lutar pelo título, demonstrando também algumas lacunas na parte defensiva no segundo tempo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Vlachodimos (5)

André Almeida (5)

Rúben Dias (7)

Jardel (5)

Tomás Tavares (5)

Julian Weigl (6)

Gabriel Pires (6)

Pizzi (6)

Chiquinho (6)

Franco Cervi (6)

Haris Seferovic (7)

SUBS UTILIZADOS

Florentino Luís (4)

Carlos Vinícius (6)

Rafa (4)

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

O Sporting CP apresentou-se com o seu sistema habitual de 3x4x2x1 e com as mesmas dinâmicas e processos desde que Rúben Amorim assumiu o comando dos Leões. A equipa até teve alguma bola, sobretudo por conseguir superiorizar-se na primeira fase de construção com o sistema de três centrais, mas foi uma equipa sempre com enormes dificuldades, como tem sido habitual também. Muita dificuldade em ligar sectores, muita dificuldade em conseguir chegar com perigo à baliza adversária e em conseguir apresentar soluções para surpreender o adversário.

O SL Benfica conseguia encaixar individualmente nos médios leoninos e conseguia definir os timings certos de pressing e o Sporting CP raramente conseguia contornar isso, com poucas jogadas de envolvimento e quase sempre com Plata e Jovane muito desapoiados, sem hipótese de combinar e quase sempre a tomar também más decisões. Ristovski voltou a sentir novamente dificuldades. Apesar de uma imagem muito mais positiva na segunda parte, muito mais agressiva, o Sporting CP terá certamente tempo para se reorganizar e melhorar na pré-época, sendo necessário reforçar o plantel com outro tipo de qualidade.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Maximiano (6)

Eduardo Quaresma (6)

Luís Neto (5)

Marcos Acuña (6)

Stefan Ristovski (4)

Wendel (5)

Matheus Nunes (6)

Nuno Mendes (5)

Gonzalo Plata (4)

Andraz Sporar (7)

Jovane Cabral (5)

SUBS UTILIZADOS

Tiago Tomás (6)

Cristian Borja (3)

Luciano Vietto (3)

Rodrigo Battaglia (-)

Foto de Capa: Liga Portugal