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SL Benfica vs Sporting CP: O que esperar do clássico

Ricardo Gonçalves Dias · 4 min

SL Benfica vs Sporting CP: O que esperar do clássico

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Desde há dois anos que o Clássico dos Clássicos se relançou no nosso universo futebolístico. Se consagrar uma vitória contra o eterno rival será sempre motivo de galvanização, juntar a esta luta a disputa pelo primeiro lugar do campeonato apura ainda mais os índices, impulsiona os ânimos e redobra as atenções.

Não corroboro com a ideia de que, para um jogo destes, os níveis motivacionais dependam dos últimos resultados. Este é, por assim dizer, o jogo das autonomias estatísticas, onde uma vitória será sempre uma vitória, valendo por isso tudo por ela. Não corroboro com esta ideia, assim como também não acredito que sair vencedor do Clássico seja consequência de saber jogar bem a longo prazo. É o encontro entre os gigantes da capital, e sobre isto a história tem-nos dito muito. Há, claro e no entanto, um dado importante para a antevisão: em vez de apenas encurtar distâncias, o descuido do Benfica na última jornada possibilita ao Sporting a passagem directa para o primeiro posto em caso de vitória. Na época passada, por exemplo, foi o encontro na Luz que sentenciou a mudança de tendência classificativa no campeonato. E embora ser Campeão de Inverno seja um mero elemento interpretativo, pode ainda assim positivar o arranque para a segunda volta. Vamos ao jogo, ou àquilo que poderá acontecer durante ele.

Com Jorge Jesus – como já referi algumas vezes – a alternância no onze base dificulta a constituição das apostas para a titularidade. Contudo, e atentando às características da partida, não prevejo um Sporting sem Zeegelaar e João Pereira nas laterais defensivas. O primeiro, embora falhe em alguns processos construtivos que os adeptos detectam, parece-me ser o jogador com maior arcaboiço para a posição. No caso do segundo, tão somente porque a experiência e a tenacidade estão nas prioridades requisitantes para este jogo. No centro do terreno creio ser evidente a presença de Bruno César ao lado de William e Adrien. O brasileiro, que tem ganho a intransigência nas opções de Jorge Jesus, pertence aos tacticamente evoluídos, e poderá encontrar num ambiente hostil uma adição galvanizadora. Quanto à tripla que resta, pelos demais e possíveis motivos, não creio existir discussão: Gelson, Bryan e Bas Dost. Alguns especialistas dizem que é no centro do terreno que se ganham e perdem as partidas. Mesmo que assim não seja no domingo, será todavia nesta zona que alguns pormenores fulcrais se poderão decidir. Embora continue a considerar o meio-campo leonino como o mais forte do Campeonato, a evolução deste sector na equipa do Benfica, em comparação com a época anterior, trará mais preocupações para Jorge Jesus.

Repare-se que Pizzi é, cada vez mais, um jogador de impulso para lá da zona defensiva. Cervi, em contrapartida, diminui algum défice de equilibrio na segunda linha, tratando-se, ao contrário do que se previa, de um jogador acima da média na inteligência defensiva. Estará na prestação do outro elemento a expressão da produtividade ofensiva do Sporting: Fejsa, que domina a transversalidade do bloco onde circula, terá certamente mais trabalho com o Sporting em posse. E neste capítulo, admitindo que esta ideia esteja errada, podemos ter um Gelson, à semelhança do jogo da Polónia, mais presente no centro do terreno visando a multiplicação dos espaços. Há nestas duas equipas uma equivalência qualitativa na organização defensiva. Os quatro centrais que estarão em campo são, sem exepção, completos em todas as tarefas. Saliente-se que finalmente o Sporting possui a dupla que Jorge Jesus promove nas suas equipas, com jogadores altos, possantes e desenvolvidos na construção a partir da primeira linha. É por isso que considero que em lances de construção será maior a probabilidade de aparecimento de golos devido ao talento da ofensividade da equipa, do que propriamente pela ineficácia da cultura defensiva.

Bruno César pode ser um elemento decisivo no dérbi deste domingo Fonte: UEFA
Bruno César pode ser um elemento decisivo no dérbi deste domingo
Fonte: UEFA

Por fim, outra das possíveis interpretações do jogo: a densidade táctica de cada equipa fará, de certeza, com que a posse seja repartida em vários momentos. Em virtude disto, e a par do que acontece em jogos idênticos, alguns jogadores são obrigados a reinventar o seu estilo. Uma noção simples: com dois pêndulos defensivos de cada lado, a função do jogo lateral poderá alterar-se para quem circula habitualmente pelo corredor. E se dúvidas há sobre esta ideia, avalie-se a maioria dos golos dos últimos clássicos, e perceba-se aquilo que sucede quando a ocupação de espaço no acompanhamento à zona é constante entre duas equipas deste nível. E depois de tudo isto, deixemos algum protagonismo para a parte mais crua do futebol. É claro que há falhas e golpes de magia. É claro que muitas vezes aquilo que se estuda no balneário não acontece com os pés na relva. Também é claro que este Benfica é uma equipa cada vez mais distinta daquela que Jorge Jesus construiu, mas também é claro que este Sporting é, de novo, uma equipa que, para ser vencida, necessita de ser posta à prova para além dos golpes de sorte. Mas, acima de tudo e de todas as antevisões, é claro que um Clássico é sempre um Clássico.

Ricardo Gonçalves Dias

Redação Bola na Rede · ver artigos