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Sobre a Terra, sobre o (M)ar!

Marta Reis · 3 min

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sporting cp cabeçalho 1 Dez de junho: Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas. Dez de junho de 2016: início do UEFA Euro 2016, em Paris. Dez de julho de 2016: Dia de Portugal e da Comunidade Portuguesa em França, Dia de Portugal Campeão Europeu. O primeiro título, o título festejado de norte a sul do País, em cada canto onde reside um português. Dia do caneco. O europeu foi um prolongar do festejo do nosso dia. Do dia em que somos mais que um país pequeno, mais que uma seleção em que só um jogador conta e que baixamos a cabeça frente aos que se dizem grandes. Dia 10 de julho fomos «grandes gigantes/com 10 metros de altura» (Desculpem, Da Weasel, pelo “roubo” da frase) e mostrámos a cada um deles o que é ser português e que David derrota sempre Golias, mesmo quando este mesmo Golias tem mais 20 aliados para o apoiar.

Um dos grandes momentos deste Euro 2016 Fonte: AP
Um dos grandes momentos deste Euro 2016
Fonte: AP

Sou patriota, mas não cega: nem sempre jogámos como deveríamos (aliás, neste caso, jogámos como sempre e ganhámos como nunca), mas a raça lusitana falou sempre mais alto e o coletivo sobrepôs-se ao individual; jogámos como uma equipa, não como dez mais um. Não posso também, como Sportinguista, deixar de sentir orgulho por todos os jogadores que em campo, quer sejam da formação, quer estejam ainda no clube, deixaram tudo o que podiam para levar o nome português mais além. Depois da grande época que fizeram, conseguiram reunir forças por mais um jogo, por mais um objetivo! Claro está, e apesar de querer apenas destacar um só jogador, não o poderei fazer: acho que tanto Rui Patrício como João Mário estiveram à altura dos campeões e impulsionaram o jogo para passar mais uma fase. Pela Terra: João Mário Eduardo. O pequenino, de um metro e setenta e nove, foi um dos patrões do meio-campo português e um dos impulsionadores dos ataques. Habituado a ajudar na transição da defesa para o ataque, mostrou-se bastante confortável na posição em que foi colocado, dando principal ênfase ao seu tipo de jogo na segunda metade do torneio, em que inclusive participou nos golos. O primeiro jogo, como internacional português como sénior, foi exatamente contra a França, em 2014, em que perdeu o jogo, e a fantástica exibição durante a final fez com que se vingasse da melhor forma contra os galeses. A peça de xadrez que faltava a Fernando Santos para comandar as tropas dentro de campo.

João Mário em tarefas defensivas Fonte: UEFA
João Mário em tarefas defensivas
Fonte: UEFA

Pelo (M)ar: Rui Patrício. Rui Patrício, ou São Patrício, ou ainda o melhor Guarda-Redes do torneio, foi outro gigante que não se deixou abalar. Apesar de não ter mostrado as suas qualidades durante a fase de grupos do Europeu, mostrou-se decisivo frente à Polónia, onde fez uma exibição magistral – a sua defesa do penálti deu o apuramento aos portugueses – e, principalmente frente à França, na final, onde encheu a baliza e imperou na revolta portuguesa, não deixando que Griezmann, Payet e companhia faturassem. Contemplado com o prémio acima referido, o guarda-redes português não se deixou levar pelo nervosismo da final e foi uma das peças fundamentais para a vitória portuguesa, através dos seus «voos» em direção aos tiros da armada francesa, sendo intransponível. Assim, volvidos quase 200 anos das invasões francesas, foi a nossa vez de contra-atacar, e desta vez com sucesso e à primeira, com uma tática mais bem estudada que a de Napoleão. Os canhões foram parados com uma marcha imperial para a vitória. E a garra do leão fez-se mostrar, feriu galos e ajudou a seleção a tornar o sonho numa realidade. Sonhar é grátis, é verdade; vamos agora viver o sonho nos quatro anos que nos restam até ao próximo europeu.

Foto de Capa: Daily Mail

Marta Reis

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