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O Sporting nunca tinha derrotado uma equipa russa nas competições europeias, mas conseguiu-o, em Alvalade, ao bater o CSKA por 2-1. O objectivo primordial – a vitória – foi alcançado, mas o golo sofrido coloca as ambições leoninas em causa. A grande exibição de Carrillo não foi suficiente para a turma verde e branca levar uma vantagem mais confortável para Moscovo, até porque do outro lado estava um adversário com qualidade e com maior ritmo competitivo, para além de uma equipa de arbitragem que, como já vem sendo frequente, não foi propriamente amiga dos pequeninos portugueses.

Com os olhos postos nos milhões e no prestígio que a Champions traz, o Sporting entrou bem e rapidamente assumiu o controlo da partida. Os leões mantiveram o 11 habitual e demonstraram uma excelente dinâmica ofensiva nos primeiros minutos, com Ruiz e Carrillo em destaque e Teo muito participativo. O primeiro golo nasce de um entendimento notável entre os três jogadores leoninos, com o peruano a isolar o costa-riquenho de forma soberba e o colombiano a finalizar de baliza aberta. A primeira explosão de alegria dos quase 42 mil espectadores que estiveram em Alvalade.

Depois de chegar ao golo, a equipa leonina baixou a agressividade e permitiu que o CSKA equilibrasse a partida. Os russos perceberam que podiam explorar as fragilidades do lado direito da defesa leonina e demonstraram muita preocupação em fazer a bola chegar a Musa após a recuperação. O nigeriano, que descaiu para uma ala para permitir a entrada no 11 do regressado Doumbia, fez o que quis de João Pereira e foi decisivo na obtenção do empate. A defesa leonina ia tendo muitas dificuldades no controlo da profundidade, sofrendo com a velocidade dos dois atacantes africanos, bem servidos por Eremenko. Patrício ainda defendeu com categoria um penalty do ex-Roma, após falta de Jefferson sobre Tosic, mas nada pôde fazer quando o costa-marfinense surgiu isolado para fazer o 1-1 pouco antes do intervalo. Foi a primeira vez que a linha defensiva de Jesus foi testada a sério nesta época.

O início da segunda parte trouxe o que se esperava após o golo do CSKA. Os russos estavam satisfeitos com o resultado e recuaram as linhas, permitindo que o Sporting assumisse de novo o controlo do jogo. Mas esta não foi, de todo, a melhor fase da equipa de Jesus. O meio campo ia tendo pouca preponderância, com João Mário bem abaixo do que tinha mostrado nos dois primeiros jogos, e Bryan Ruiz ia demonstrando alguma displicência, o que tornou o jogo leonino excessivamente dependente do que o inspirado Carrillo conseguia fazer. Como conjunto experiente que é, o CSKA revelou inteligência na gestão do resultado e ia ganhando a luta a meio campo, com Dzagoev (baixou no terreno em relação ao que é habitual na turma de Slutsky) e Wernbloom a superiorizarem-se aos médios adversários.

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Slimani marcou o golo do triunfo leonino
Fonte: Facebook do Sporting

As mexidas do técnico verde e branco tiveram um impacto positivo na equipa. Aquilani, que se colocou à frente da defesa, libertando Adrien, veio trazer maior critério no passe e deixou excelentes indicações na estreia de leão ao peito. Gelson, sobretudo, e Carlos Mané acrescentaram velocidade e irreverência a um ataque que ia perdendo gás. O golo da vitória acabaria por surgir de forma merecida, num lance em que Carrillo deixou mais um apontamento de génio. La Culebra assistiu Slimani de calcanhar e o argelino, que desperdiçou várias ocasiões claras durante a partida, bateu Akinfeev para o 2-1 nesta reedição da final da Taça UEFA de 2005.

O Sporting parte em vantagem (escassa, é certo) e terá certamente uma abordagem cautelosa na segunda mão, tentando retirar espaço a uma equipa fortíssima nas transições e com duas ameaças claras (especialmente Musa, nesta altura a grande figura do CSKA). Como Jesus disse na antevisão da partida e como se esperava, a eliminatória só ficará decidida em Moscovo. A vingança, por enquanto, fica-se pela metade.

A Figura:

André Carrillo – Todo o jogo do Sporting passou pelos pés do peruano, que vai mostrando neste início de época a dimensão que pode atingir com Jorge Jesus. Desequilibrou no corredor central, fez o que quis do lateral esquerdo Nababkin e, para além da assistência fantástica para o golo de Slimani, fez um passe magistral no 1-0. Se a entrada na Liga dos Campeões for o motivo que falta para Carrillo renovar pelo Sporting, ficou claro que o extremo quer continuar em Alvalade.

O fora-de-jogo:

Adrien – Exibição desastrada do português e a confirmação de que não é uma solução válida para o papel de médio mais recuado. Com a estreia positiva de Aquilani e o regresso de William Carvalho (ainda sem data prevista), terá de melhorar muito para não perder o lugar na equipa titular. Uma possível venda também não seria de descartar.

Foto de Capa: Facebook do Sporting

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