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Diz-se que a justiça tarda mas não falha e que no futebol nem sempre há justiça. Hoje, em Alvalade, houve justiça mas tardou em aparecer. Tanto quanto a pontaria e discernimento de Slimani. Marco Silva apostou num desenho táctico diferente – pelo menos no processo ofensivo, visto que no defensivo o 4x4x2 tem sido o habitual -, apostando em dois avançados (Montero e Slimani) em simultâneo, talvez à espera de um Setúbal muito retraído, e acabou por ver resultados concretos logo a partir dos primeiros minutos. Até perto da meia-hora de jogo, o relvado parecia inclinado: só se jogava a metade e sempre em vertigem até à zona da baliza dos sadinos.

Carlos Mané manteve a titularidade depois do jogo com o Maribor e foi, a par de Montero, o principal desequilibrador leonino na primeira parte. A par de Cédric, na direita, o jovem extremo encontrou por várias vezes espaço no seu flanco e só por muito demérito de Slimani o Sporting não se adiantou cedo no marcador. O homem a menos no centro do terreno não se fez notar porque Montero ocupou convenientemente os espaços entre as linhas do meio-campo e da defesa e foi quase sempre ele a gerar a linha de passe livre aos seus colegas. Um, dois, três passes fantásticos; uma, duas, três oportunidades que o Sporting desperdiçava. Se pensarmos nas bolas aos postes do Setúbal, foram também três e duas logo neste primeiro terço do encontro. Mas a bola não entrou, excepto num lance em que Maurício estava adiantado e por isso em fora-de-jogo. 0-0 ao intervalo, alguma ansiedade pelos oito pontos de atraso que não podiam crescer nesta jornada.

Depois do intervalo – de quinze minutos apenas, desta vez – a toada do jogo não se alterou. A formação de Domingos Paciência continuava sem fazer um único remate, o Sporting sem encontrar os espaços de que dispôs na primeira meia-hora de jogo e Marco Silva foi obrigado a mexer: saíram Adrien e Mané (bom jogo, rapaz!) para entrarem João Mário e Carrillo. Pouco depois, Jefferson tirou um cruzamento fantástico para uma finalização pouco ortodoxa mas eficaz de Slimani, que desbloqueou finalmente o resultado. Ainda com adeptos a festejar o golo de Slimani, Fredy Montero marcou um golão de fora da área para matar de vez o jogo. Os dois avançados que entraram de início a fazer os dois golos que dariam a Marco Silva os três (preciosos) pontos. Será para repetir este onze?

Daí até ao final houve poucos momentos de registo. Capel, que entrou para o lugar de Montero, falhou escandalosamente de baliza aberta; Slimani acabou por bisar, depois de mais um cruzamento milimétrico, desta feita de Carrillo. Para a história, 3-0. Para o treinador leonino, algumas dores de cabeça ofensivas num jogo em que a defesa de Alvalade nem sequer foi testada.

A Figura

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Montero – O avançado colombiano hoje começou ao lado de Slimani, e por isso com mais liberdade para jogar como gosta, e aproveitou da melhor forma: um golo, uma bola ao poste, muitos grandes lances e a confirmação da subida de confiança. Que falta fez ela, Fredy!

O Fora de Jogo

Domingos Paciência – Apesar da boa substituição na primeira parte – algo raro nos treinadores, que revela coragem, esta capacidade de mexer cedo no jogo -, a sua equipa nunca foi capaz de aproveitar a maior lacuna do Sporting, que é como se sabe a sua defesa. Esperava-se mais do Vitória.