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Pouco faltava para as 19h45 quando se ouviu, em Alvalade, o hino da Liga dos Campeões. É sob esta música que o Sporting deve estar todos os anos mas é, sobretudo, esta a competição onde nos devemos sentar e usufruir do privilégio que é ver Nani jogar futebol. Tanto se fala sobre a qualidade do português em relação aos restantes na liga portuguesa, mas hoje e um pouco por toda esta fase de grupos temos assistido à superioridade do número 77 em relação a praticamente todos os seus adversários internacionais. Quatro golos e duas assistências em cinco jogos são registos interessantes mas o rendimento de Nani não é explicável por unidades quantificadoras.

Hoje, o Sporting entrou em campo com a plena noção de que só a vitória interessava. Pressionou, assumiu o jogo e chegou ao primeiro relativamente cedo. Carlos Mané aproveitou uma excelente arrancada de Jefferson pela esquerda – depois de outra onde sofreu um penalty claro que ficou por assinalar – e finalizou de baliza aberta um cruzamento com conta e medida. Dois jogadores que não têm sido titulares a mostrarem que a rotação em proporções bem calculadas é sempre uma boa ideia. E do resto da primeira parte pouco mais há a acrescentar que não uma sucessão de acontecimentos equivalentes. Ataque do Sporting, ataque do Sporting, ataque do Sporting. Mané em Nani e Nani senta um, Nani senta dois, Nani remata e recupera a bola, Nani senta mais um, e outro, e Nani marca. Daqui que não se retire que a qualidade técnica ou de drible é o mais importante: o essencial foi a capacidade de esperar pelo momento exacto. A temporização tão mal entendida pelo público comum foi a chave para o golo. Pouco depois, o Maribor empata sem sequer rematar. Má avaliação e algum azar de Paulo Oliveira e Cédric e Jefferson a colocar o pé onde não devia e há o 2-1.

O intervalo durou um pouco mais do que seria de esperar, mas quem espera sempre alcança. Muitos minutos depois e aí estava Nani de regresso. E os restantes, claro. O jogo reatou e quem parecia farto de ver o extremo leonino era o lateral do Maribor – no início da segunda parte ficou por mostrar um vermelho por entrada duríssima sobre Nani. Nem o pesadelo de o ter de marcar justifica tal acção e o árbitro errou novamente em lance demasiado claro que, fosse o Sporting menos superior, poderia ter tido influência no resultado final. Talvez pela pausa grande demais, a equipa de Marco Silva voltou mole e os eslovenos aproveitaram para pressionar e fazer o Sporting passar a pior fase do encontro. No entanto, depois de uma perdida infantil na defesa contrária, João Mário acabou por cruzar para Nani que, em esforço e de cabeça, conseguiu manter a bola jogável e permitiu a Slimani finalizar para o 3-1 que matou as aspirações do adversário. Terá sido porventura a primeira acção verdadeiramente boa do ponta-de-lança argelino em todo o encontro. Andas tu no banco a ver isto, oh Montero!

E daí em diante foi a cereja no topo do bolo de Nani e companhia. Nani isola Carrillo. Nani isola João Mário. Nani isola Montero. Nani isola William Carvalho. Não entraram mais, uns por azar outros por azelhice, mas nunca por falta de quem os criasse. Diz-se que na altura da necessidade atingimos todo o nosso potencial e aos sportinguistas resta rezar para que Nani sinta necessidade muitas vezes. O próximo episódio é em Londres. Até lá há uns treinos pelo meio. Não para o Sporting, claro, para ele.

A Figura

Nani – Não falta dizer nada, pois não?

O Fora de Jogo

Estádio José Alvalade/Graig Thomson – O problema na iluminação do estádio no intervalo renderá por certo uma pesada multa da UEFA e foi uma situação negativa a todos os níveis. O árbitro escocês (e a restante equipa de arbitragem!) deixou por marcar um penalty dos mais descarados que podem existir e permitiu que o lateral direito do Maribor terminasse o jogo depois de uma entrada que colocou a integridade física de Nani em perigo. Em cinco jogos, o Sporting foi claramente prejudicado pela terceira vez nesta fase de grupos.

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