sporting cp cabeçalho 2Com lucidez: a presente temporada do Sporting já não sustenta qualquer hipótese de felicidade. Não sendo a garantia da presença no playoff da Liga Milionária um objectivo ideal, daqueles que fazem parte do leque de objectivos primordiais dos começos de época, podemos considerar que a equipa entrou já numa fase preparatória precoce, mais duradoura e cujo prolongamento promoverá a análise mais incisiva para evitar os erros do presente.

Na base desta pirâmide de tarefas temos a estruturação, ou reestruturação, do plantel como uma das principais necessidades. Um dos lapsos do planeamento deste ano desportivo prendeu-se com a ineficácia da acção no mercado de transferências, ingressando jogadores que não cumpriram as expectativas. Como já se referiu no passado, o actual plantel leonino é curto, identificada apenas a utilidade de apenas catorze jogadores – cenário melhorado com o regresso de algumas das pérolas da formação. Parece-me lógica a pertinência da aquisição de, pelo menos, um elemento para cada zona do campo, desde que este recrutamento esteja isento de manobras experimentais, apostando mais na certeza do que na sorte. Com a evolução qualitativa da equipa B nos últimos jogos, eleva-se, também, a sua importância na planificação do projecto para a nova época enquanto pilar para o aproveitamento dos atletas.

Jorge Jesus começa já a testar soluções para a próxima temporada Fonte: Sporting CP
Jorge Jesus começa já a testar soluções para a próxima temporada
Fonte: Sporting CP

Continuo, tal como Jorge Jesus, a acreditar na ideia de que é inviável a criação de um plantel exclusivamente sustentado pela matéria-prima da formação. Acho, por seu turno, que a formação deve ser fomentada e desenvolvida para fornecer a equipa principal de forma equilibrada, pensando igualmente no sucesso, claro está, da equipa B do Sporting. Ao contrário daquilo que por vezes se afirma, o actual técnico do Sporting não castra o oportunismo da Academia de Alcochete. Como prova, basta analisar a pré-época anterior e verificar os jovens que trabalharam com a equipa principal e que, mais tarde, efectivaram a sua entrada definitiva na estrutura – como Geraldes, Palhinha e Podence. O caminho da nova temporada terá, obrigatoriamente, de passar por esta doutrina, garantindo que o Plantel terá capacidade para responder à exigência dos largos meses de trabalho. Mas à parte de tudo isto, há ainda a necessidade de terminar com o vício da demanda de o sucesso ser adiado sempre para o ano que virá. Se há duas épocas o título de campeão fugiu ao Sporting por pequenos pormenores – alguns deles de causa alheia -, significa que o caminho, embora duro, não é intransigível.

Assim, esta fase de preparação indirecta também servirá para a própria psicologia do grupo, que talvez se traduza no desafio mais exigente para a equipa técnica e dirigente, e para o entendimento de que o Sportinguismo não pode esperar mais pelo momento que tanto anseia.

Foto de capa: Sporting Clube de Portugal

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

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