A CRÓNICA: UM SPORTING CP MAIS CONSISTENTE CARIMBA MAIS TRÊS PONTOS

Este duelo começou vivo. Ainda que com argumentos diferentes, tanto Sporting CP como Vitória SC entraram bem na partida. Os leões estavam a dominar e, ao contrário dos últimos duelos, entraram incisivo e com o pé no acelerador desde o apito inicial. Aos 15 minutos, e face ao ímpeto verde e branco, houve aviso de João Mário, mas Bruno Varela respondeu à altura do remate e defendeu a primeira oportunidade flagrante da noite.

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O Sporting estava a ter mais posse de bola, a ter mais agressividade, intensidade e sobretudo vontade. Estava a ser um jogo de sentido único. A equipa de Rúben Amorim estava a ter bastante fluxo ofensivo e a impor o seu jogo no meio-campo mais avançado. Uma exibição até à altura sem espinhas e que fez com que se chegasse festejar golo em Alvalade por volta dos 26 minutos de jogo. Ainda assim, a equipa de João Henriques pôde respirar de alívio. O lance acabou por ser invalidado depois de análise do VAR pelo facto de a bola ter saído. Apesar de não ter valido, destaque para a grande jogada de envolvimento dos leões.

Já o Vitória SC ia mostrando sérias dificuldades para ligar o seu jogo e criar perigo. Uma tendência que se inverteu à passagem do minuto 30. Dois lances de perigo na baliza verde e branca em que a bola bateu no ferro. Apesar deste “acordar” vimaranense, os leões voltam a afundar a bola para o fundo das redes. E desta vez valeu. Não logo, é verdade, mas valeu. O lance foi novamente anulado, mas posteriormente foi dado o golo a Gonçalo Inácio que carimbou assim de cabeça o primeiro golo dos leões que manteve o resultado intacto até ao intervalo.

O regresso dos balneários trouxe um Sporting menos intenso, veloz e agressivo. O que permitiu a que o Vitória conseguisse ter maior caudal ofensivo. Aos 52′, Óscar Estupiñán ameaça Adán. O colombiano apareceu bem nas costas da defesa leonina depois de assistência de Marcus Edwards, fez o remate, mas este saiu ao lado. Depois deste aviso, o conjunto de Rúben Amorim voltou a equilibrar um pouco as contas daquilo que estava a ser esta segunda parte. O Sporting tentou tomar novamente as rédeas da partida, mas desta vez sem velocidade e verticalidade. Teve uma posse de bola de maior contenção e sobretudo de paciência. Mas mais na fase final, o Vitória continuava a dar o ar da sua graça nesta segunda parte. Ainda que não fosse um domínio perigoso, os Conquistadores iam criando cada vez mais desequilíbrios. O que, ao mesmo tempo, ia dando a sensação de que poderia surgir, a qualquer momento, um dissabor aos de verde e branco. Sobretudo depois da apatia verificada nos minutos finais. Mas nada se alterou. O Sporting arrecada mais três pontos numa conquista construída sobretudo na primeira parte.

 

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

João Palhinha – Tem sido a âncora desta equipa do Sporting. Palhinha é inevitavelmente sinónimo de qualidade e estabilidade. É como que uma “tampa” no centro do terreno leonino. E hoje foi mais uma vez importante nessa vertente. Para além disso, tem evoluído muito a níveis ofensivos e tornar-se um jogador ainda mais completo.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

André André – Não foi um jogo ao nível daquilo que nos tem habituado. Faltou mais “André André” neste meio-campo do Vitória. Qualidade ninguém a nega, mas hoje ela esteve um pouco mais esmorecida. E a sua equipa sentiu também um pouco esta exibição mais apagada do médio.

 

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

Fora as ausências já esperadas, a grande novidade no onze inicial dos leões foi mesmo Daniel Bragança: o jogador que impingiu novas dinâmicas neste Sporting: Daniel Bragança jogou pelo meio, enquanto João Mário atuou mais pelo lado esquerdo. Apesar disto, o trio composto por estes dois jogadores e por Pedro Gonçalves, esteve em trocas constantes. Uma dinâmica que estava a resultar e a dificultar a tarefa aos Conquistadores num jogo em que, ao mesmo tempo, Tiago Tomás conseguiu ganhar várias bolas na frente e conseguiu também entender-se às mil maravilhas com Pote.

Na segunda parte, o Sporting baixou um pouco o ritmo. Inclusive, os vimaranenses começaram a ter mais bola e chegaram até a ameaçar a baliza de Adán. Depois desse ascendente do Vitória, os leões voltaram a ter mais posse. Mas uma posse bem diferente daquela que se viu no primeiro tempo. Houve menos velocidade, menos verticalidade, mas ainda assim, estava a ser uma posse eficaz: os leões estavam a conseguir atrair os jogadores vitorianos para um corredor, para depois, de seguida, e com bastante eficiência, conseguirem virar o flanco de jogo e tentarem gerar desequilíbrios. Já nos minutos finais, o Sporting baixou substancialmente o seu rendimento e acabou por jogar mais com o coração do que com a cabeça. Isto num momento em que o Vitória ia crescendo na fase final de jogo.

 

11 INICIAIS E PONTUAÇÕES

Adán (6)

Feddal (6)

Palhinha (8)

Neto (6)

João Mário (6)

Tiago Tomás (6)

Pedro Porro (5)

Pedro Gonçalves (5)

Gonçalo Inácio (7)

Daniel Bragança (6)

SUBS UTILIZADOS

Tabata (5)

Paulinho (5)

Matheus Reis (-)

Dário Essugo (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – VITÓRIA SC 

João Henriques também não pôde contar com Mumin e Suliman. Em relação às novidades, destaque para a estreia do menino de 18 anos – o central André Amaro. O Vitória SC apresentou um bloco muito subido e a querer condicionar o portador da bola logo na primeira fase de construção (aquela que tem sido, na minha opinião, uma das maiores lacunas neste Sporting que tem tido exibições mais apagadas nos últimos jogos). Os vimaranenses jogaram com três defesas, com Rúben Lameiras a fazer a ala esquerda. Na frente, o Vitória SC tentava explorar (ainda que poucas vezes) a velocidade de Edwards e o físico de Óscar Estupiñán. Ainda assim, o conjunto de João Henriques ia mostrando imensas dificuldades para construir desde trás e chegar à frente com perigo na primeira parte. A pressão alta do Sporting estava a surtir efeito. No segundo tempo, o Vitória esteve melhor, mas ainda assim, não conseguiu contrariar a desvantagem.

 

11 INICIAIS E PONTUAÇÕES 

Bruno Varela (6)

Marcus Edwards (5)

André André (4)

Rochinha (5)

Falaye Sacko (5)

Pepelu (5)

Lameiras (5)

Mikel (6)

Oscar Estupiñán (5)

Jorge Fernandes (6)

Amaro (6)

SUBS UTILIZADOS 

Bruno Duarte (5)

André Almeida (6)

Ricardo Quaresma (-)

Miguel Luís (-)

Noah (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Sporting CP

BnR: Volto a pegar no que falou há pouco sobre os três médios. Peço-lhe uma análise à dinâmica de hoje em que o Bragança foi muito importante no jogo interior e às trocas posicionais que iam surgindo. Pergunto ainda se sente que este pode ser o “ar fresco” de que o Sporting estava a precisar tendo em conta os últimos jogos da equipa. 

Rúben Amorim: É uma questão de mudar de referências. Depende de jogo para jogo. Podemos fazer duas semanas assim e depois ter que voltar ao que fazíamos. Temos de observar o adversário e também jogar com aquilo que os jogadores nos dão e também com aqueles que estão disponíveis. E vamos gerindo por aí.

A lufada de ar fresco é um pouco subjetivo. O Vitória que normalmente defende com uma linha de quatro, hoje meteu uma linha de cinco a pensar nos nossos três da frente. Ao tirar de lá um, é normal. Não inventámos nada. Mas como é diferente, e eles estavam à espera de outra coisa, criámos dificuldades. Mas agora temos jogado sempre com três na frentes, às vezes com um falso nove, e temos ganho os jogos.

Vitória SC

BnR: Claro que a derrota ocorre por erros conjuntos e não individuais. Ainda assim, pergunto-lhe se não acha que hoje faltou um André André nos seus dias, como nos tem habituado, para tentar assumir um pouco mais o controle no meio-campo?

João Henriques: Hoje, pela primeira vez, o André André e o Pepelu estiveram sozinhos os dois apenas. Lá está, são as adaptações necessárias e que tivemos de fazer. O André André vem de uma sequência de jogos muito boa. Como capitão, esteve como devia estar: a ajudar a equipa. O André hoje não teve num nível exibicional extraordinário, mas também não esteve aquém daquilo que era esperado. Principalmente tendo em conta as dificuldades que sabíamos que íamos atravessar. Todos nós temos de melhorar, porque quando o coletivo é forte as individualidades começam a sobressair.

 

 

 

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