A CRÓNICA: IGUALOU-SE UM REGISTO HISTÓRICO, MAS É O QUE MAIS IMPORTA?

Era uma vez… Normalmente, é assim que começam aquelas histórias antigas que nos contavam quando éramos pequenos. Mas também é preciso recuar a 2002 para reconhecer uma viagem tão linda na Primeira Liga Portuguesa para o Sporting CP. Na altura, Boloni era o treinador e, agora, é Rúben Amorim. O que ambos têm em comum? (Ainda não têm, mas para lá caminham…) É o facto de estar a mostrar um caminho vitorioso para os leões e neste jogo podia haver um igualar de um recorde de 19 anos (!).

Nesta história de “era uma vez”, o comboio arrancou a todo o vapor e foi preciso esperar apenas dois minutos (dos 25 aos 27) para ver dois golos. Como se explica aos mais pequenos 1+1=2.

Primeiro, foi Pedro Gonçalves a assumir protagonismo no enredo. Foi ele quem recuperou a bola, quem tabelou com Paulinho e quem marcou o golo. Depois, foi um duo para cumprir novo capítulo, mas para o Famalicão. Rúben Vinagre, um dos grandes destaques famalicenses, fez o trabalho árduo e fez as linhas para que depois Anderson escrevesse de forma perfeita o seu nome na história. Digamos que Anderson teve um bom guia, pois, Iván Jaime deu-lhe uma pequena ajuda com a caneta.

Os jogadores que se juntaram para escrever o enredo preparavam-se para fazer sair do tapete verde de Alvalade um best seller. Os leões entraram melhor e Tiago Tomás, aos 57 minutos, queria escrever bem o seu nome, mas aquele colega do lado que está sempre a estragar tudo (Patrick William) borrou essa tentativa. Do outro lado, foi Adán a mostrar que a cabeça não serve só para pensar, mas também para defender. Foi o espanhol quem estragou a pintura de outro espanhol Iván Jaime.

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Ninguém mais teve grandes ideias criativas para conseguir escrever mais linhas deste que não foi um best seller, mas um verdadeiro enredo que deixou todos colados às páginas… televisão. O Sporting CP volta a deslizar na Primeira Liga Portuguesa e vê os rivais diretos (FC Porto e SL Benfica) aproximarem-se e muito. Contudo, este empate a um é muito por culpa de um grande jogo por parte dos famalicenses. Esses chegam a um registo inédito na temporada. Fim deste capítulo e ficou tudo dividido.

 

A FIGURA

Meio-campo do FC Famalicão – Foi um jogo incrível por parte do triângulo que foi composto por Gustavo Assunção, Ugarte e Pêpê Rodrigues. Tanto no facto de conseguir defender toda a zona no interior do triângulo que formavam em campo, mas também na entreajuda defensiva tantos aos três da frente como também à linha de quatro defesas dos famalicenses. Foi a partir deste trio que o Famalicão conseguiu controlar o jogo e daqui também conseguiu criar grande parte das suas incursões ofensivas, mais por Ugarte e Pêpê.

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

João Palhinha – Condicionado desde cedo por causa do cartão amarelo, aos dez minutos, foi um presságio para correr um pouco mal a primeira parte. Não fez os 90 minutos, porque acabou por sair ao intervalo. A culpa de ter esta distinção não é inteiramente sua, visto que o meio-campo do Famalicão conseguiu “sugar” bem todos os possíveis atributos defensivos e ofensivos do médio português.

 

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

Em relação ao empate em Moreira de Cónegos, Rúben Amorim fez apenas uma alteração para o encontro em casa. Daniel Bragança voltou para o banco de suplentes e no seu lugar entrou Tiago Tomás, que vai fazer companhia a Paulinho na frente de ataque. O que esta troca na prática significava é que Pedro Gonçalves iria baixar a sua posição em troca com o número 19 leonino, mantendo ainda assim o 3-5-2 habitual.

João Mário ia explorando o lado esquerdo entre Diogo Figueiras e Patrick William, sobretudo estar sempre à frente do lateral do Famalicão para aparecer nas costas da defesa. Por outro lado, Pedro Gonçalves ia ficando mais no meio-campo na companhia do mais atrasado João Palhinha e aqui verificávamos um 3-4-3.

Ao intervalo, Matheus Reis ficou com o lugar de Feddal e Daniel Bragança com o de João Palhinha. Esta última alteração para dar mais criatividade ao meio-campo que ficou muito condicionado tanto pelo amarelo como pela própria equipa do Famalicão. A entrada de Jovane Cabral veio confirmar esta aposta no 3-4-3 de Rúben Amorim, mas ainda assim a equipa leonina tinha muitas dificuldades em conseguir estar perigosa.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Antonio Adán (5)

Nuno Mendes (5)

Zouhair Feddal (4)

Sebastián Coates (5)

Luís Neto (5)

Pedro Porro (5)

João Palhinha (4)

João Mário (4)

Pedro Gonçalves (6)

Tiago Tomás (6)

Paulinho (5)

SUBS UTILIZADOS

Matheus Reis (5)

Daniel Bragança (5)

Jovane (5)

Nuno Santos (-)

Eduardo Quaresma (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – FC FAMALICÃO

Ivo Vieira quase que seguiu à letra o velho ditado «equipa que ganha não mexe» não fosse a pequena alteração de Gustavo Assunção para o meio-campo famalicense em troca de Heriberto Tavares. Na folha da Liga Portugal, os famalicenses apresentaram um esquema tática de 4-4-2, mas o 4-3-3, que foi apresentado nos últimos jogos, voltou a aparecer com um triângulo invertido com Gustavo Assunção a jogar como médio defensivo. Já os três da frente a ficar a cargo de Gil Dias, Iván Jaime e Anderson.

O triângulo do meio-campo, defensivamente, estava a conseguir controlar tanto o meio-campo constituído por Palhinha e Pedro Gonçalves bem como João Mário e Tiago Tomás, estes últimos com dificuldades de encontrar os espaços interiores. Ofensivamente destacavam-se Iván Jaime, Ugarte e Pêpê Rodrigues que partiam de uma das alas para o meio. O objetivo era virar rápido o jogo (para o lateral ou para o extremo) de uma forma rápida para desequilibrar toda a defensiva leonina.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Luiz Júnior (6)

Diogo Figueiras (6)

Patrick William (5)

Riccieli (5)

Rúben Vinagre (7)

Gustavo Assunção (6)

Ugarte (6)

Pêpê Rodrigues (5)

Iván Jaime (6)

Anderson (6)

Gil Dias (5)

SUBS UTILIZADOS

Heriberto Tavares (5)

Kraev (5)

Valenzuela (5)

Joaquim Pereyra (-)

Diogo Queirós (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Sporting CP

BnR: João Mário esteve muito posicionado entre o lateral e o central do FC Famalicão. A ideia com este posicionamento era procurar as costas da defesa, fixar o lateral Diogo Figueiras para Nuno Mendes estar mais livre do lado esquerdo? E o Famalicão conseguiu conter muito o jogo interior e proteger bem a profundidade se foi por este motivo que o Sporting teve mais dificuldades em criar perigo?

Rúben Amorim: Acho que criámos perigo neste jogo. O João Mário está lá para jogar numa posição mais subida do terreno e fomos trocando um pouco o Pote com o João Mário. Ele durante a carreira sempre jogou mais nesta posição. Nós é que o colocámos mais no meio. Estamos também a tentar destabilizar os adversários e temos feito isso desde o início do campeonato. E acho que temos conseguido fazer isso. Faltam oito jogos para terminar o campeonato e vai isto ser divertido.

FC Famalicão

BnR: O triângulo Gustavo Assunção, Ugarte e Pêpê Rodrigues não só tiveram um papel muito importante na ajuda de pressão aos três da frente como a conseguir condicionar Palhinha e Pedro Gonçalves. A liberdade que deu, principalmente, a ugarte e a pêpê foi importante para não permitir que o Sporting criasse muito perigo no jogo interior?

Ivo Vieira: Não é fácil fazer o que fazemos hoje, mas é a nossa tarefa [equipa técnica] de ajustar a equipa em prol daquilo que é o abordar o jogo. O Sporting CP vinha a jogar de uma forma pouco diferente com o Bragança e o Pote e depois com o João Mário também vinha muitas vezes buscar jogo interior. Isso [a forma como mudavam a forma de jogar] criou-nos alguma dificuldade. Quem encostava normalmente ao Palhinha era o Pedro Gonçalves que dá outra caraterística ao jogo como jogar apoiado. Trabalhámos alguns momentos do jogos e através da análise desses mesmos momentos, que fazemos sempre, tivemos de ajustar esse triângulo do meio para puder afastar os médias, para dar suporte aos nossos laterais e também para travar o jogo interior do Sporting CP. Havia sempre uma grande alternância por parte dos jogadores do Sporting e, por isso, também deixar uma palavra de apresso para os meus jogadores devido ao seu sacrífico e também à sua leitura do jogo dentro de campo, porque, hoje, foram muito competentes.