A CRÓNICA: UM CLARO UPGRADE NA OFENSIVA DO SPORTING CP

O jogo desta terceira jornada da Primeira Liga começou bonito, esticado e com um Sporting CP por cima. Os leões entraram inspirados para uma noite de alegria em Alvalade. Tanto é que, aos 7 minutos, já se gritava golo no reino do leão. Canto batido na direita e cabeçada de Inácio, a impor-se pelos ares frente a Luiz Felipe. O tento só trouxe mais clarividência ao caudal ofensivo leonino. Sem pressões, tudo parecia simples para a equipa de Rúben Amorim por esta altura. O Belenenses SAD estava encostado à cordas, encostado à sua área. Já o Sporting CP impunha velocidade, ritmo e, em apenas duas trocas de bola, estava a conseguir criar perigo em zona de finalização de uma maneira incrivelmente simples.

O Belenenses SAD continuava sem conseguir criar perigo. Aliás, não conseguia até mesmo ter bola… A equipa de Petit não conseguia fazer três passes seguidos sem perder a posse e a saída com bola parecia impossível a certa altura. Ao longo da primeira parte, o conjunto do Belenenses SAD ia recuando cada vez mais dando, consequentemente, espaço ao Sporting CP em zonas proibidas. De facto, o 1-0 já parecia curto para aquilo que estava a acontecer dentro das quatro linhas e os de verde e branco só se podiam mesmo queixar deles próprios quanto à vantagem mínima. A qualidade estava lá. Procurava-se era pontaria… mas a mesma teimou em não aparecer, e o regresso aos balneários foi feito mesmo com o marcador intacto deste os sete minutos de jogo.

A segunda parte não começou muito diferente do que a primeira. Logo aos 48 minutos, uma bola “traiçoeira” aproveitada por Palhinha começou por sentenciar este recomeço de partida para o Belenenses SAD, com o 2-0 para a equipa da casa. Depois do segundo tento, o Sporting CP continuava a encontrar buracos na defensiva adversário. Paulinho não esteve tão bem na finalização em alguns desses momentos, mas sim a acrescentar muito à construção do jogo leonino para criar perigo.

Palhinha e Matheus Nunes encheram o meio-campo e foram importantíssimos nas variações de flanco, muitas vezes a potenciar perigo nas alas. Um claro upgrade neste caudal ofensivo leonino, onde parecem haver mais certezas depois de uma grande época verde e branca. Para já, é seguro dizer: dá gosto ver este Sporting CP jogar. Uma equipa que parece já estar oleada à terceira jornada. Mais uma prova de que o que pesa mais não é a época atual, mas sim o projeto? Dá que pensar. O marcador manteve-se o mesmo, mas, aos 88′, ainda houve algo por contar: Taira viu cartão vermelho direto por entrada muito dura sobre Palhinha.

Anúncio Publicitário

 

A FIGURA

Sporting
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Palhinha – Que gosto dá ver Palhinha jogar! O jogador conseguiu encher muito do meio-campo leonino. Nota também para o “obreiro” Matheus Nunes, que permitiu que o seu colega tivesse liberdade esta noite. Destaque ainda para Rúben Vinagre. Gostei do que vi: excelente no drible e exímio a servir os colegas em campo na finalização. Já vai deixando boas indicações.

 

O FORA DE JOGO

Belenenses SAD
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Pedro Nuno – O conjunto de Petit poderia bem ser eleito o fora de jogo deste encontro. Ainda assim, Pedro Nuno surge em clara evidência pelos piores motivos. Voltar de uma longa lesão pesa e isso, hoje, notou-se em campo. Esteve muito apagado no jogo e acabou por sair mesmo aos 62 minutos de jogo.

 

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

Rúben Amorim promoveu duas trocas em relação ao último duelo frente aos bracarenses. Saíram Feddal e Jovane Cabral para darem lugar a Luís Neto e Nuno Santos, respetivamente, mantendo o 3-4-3.

O Sporting CP esteve muito confortável em todo o terreno de jogo, com posse, com oportunidades, mas insistia em ir pecando na finalização. A facilidade com que o Sporting CP chegava ao último terço chegava até a ser constrangedora e o 1-0, a certa altura, mostrava-se para lá de curto. Com rocessos simples, em que destaco as excelentes combinações entre Nuno Santos e Rúben Vinagre pelo lado esquerdo, o Sporting CP ia impondo o ímpeto ofensivo. E deixem-me só dar a nota: alguém que verifique a regra e o esquadro de certeza escondidos por Vinagre em campo. Que qualidade e precisão nos cruzamentos! Faltava mesmo era afinar a pontaria.

E, por falar de pontaria, Paulinho saiu de campo, na minha opinião, injustiçado. Acrescentou bem mais ao jogo do que possa parecer à partida. Palhinha e Matheus Nunes estiveram fulcrais nas viragens de flanco, que criavam desequilíbrios quase certos pelas alas.

 

11 INICIAIS E PONTUAÇÕES

Adán (5)

Coates (6)

Palhinha (9)

Matheus Nunes (8)

Nuno Santos (7)

Neto (6)

Rúben Vinagre (8)

Paulinho (7)

Gonçalo Inácio (6)

Pedro Gonçalves (5)

Ricardo Esgaio (6)

SUBS UTILIZADOS

Nuno Mendes (5)

Pedro Porro (5)

Jovane (5)

Daniel Bragança (-)

Tiago Tomás (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – BELENENSES SAD

O Belenenses SAD entrou com três alterações no onze inicial. Entraram para as escolhas iniciais Pedro Nuno, Chico Teixeira e Afonso Sousa. Saíram então das contas iniciais os atletas Cassierra, Lukovic e Nilton Varela.

Num 5-4-1 e numa clara organização defensiva, o Belenenses SAD estava a conseguir três coisas: defender, defender, defender. E, bem, digamos que pouco mais do que isso. Sem confiança para sair para o ataque, o meio-campo ofensivo do conjunto de Petit mostrava-se uma miragem. O extra jogo tem de pesar quando olhamos para o Belenenses SAD, tendo em conta o “desfalque” sofrido por esta equipa, e este jogo mostrava uma clara evidência: é obrigatório reforçar este plantel.

A segunda parte surgiu com poucas diferenças. Petit ainda tentou refrescar a equipa cedo, mas sem efeito. Lukovic entrou numa clara tentativa de travar as subidas de João Palhinha, que estavam a ser uma constante esta noite.

 

11 INICIAIS E PONTUAÇÕES

Luiz Felipe (6)

Diogo Calila (5)

Tomás Ribeiro (6)

Pedro Nuno (4)

A. Sousa (5)

Danny (6)

Ndour (5)

Chico (5)

Cafú (5)

Chima (5)

Boni Trova (4)

SUBS UTILIZADOS

Lukovic (5)

Mota (5)

Taira (-)

César Sousa (-)

Nilton Varela (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Sporting CP

BnR: Paulinho, hoje, pecou na finalização, mas dá cada vez mais ao jogo. Outro dos pontos fortes tem sido a facilidade com que Matheus Nunes e Palhinha variam o flanco e provocam desequilíbrios nas alas. Ainda é cedo para falar, mas acha que este Sporting CP parece um claro upgrade ao nível ofensivo em relação à época passada?

Rúben Amorim: “Tem mais rotinas, tem mais crescimento, tem mais jogos. Os jogadores estão mais experientes. Mas não podemos deixar de olhar para o contexto do jogo. Um Belenenses SAD que mudou muitos jogadores, muitos deles jovens que vêm de divisões inferiores, sem tanta experiência. E nós com um título, com o público, faz uma diferença enorme a ajudar a equipa. Foi uma vitória, vale três pontos. Estamos melhores. Os jogadores conhecem-se melhor. Agora, temos também de olhar para o rival e perceber o contexto. Eu acho que está melhor, mas há muito trabalho a fazer”.

Belenenses SAD

BnR: Uma das primeiras mexidas da sua equipa levou à entrada de Lukovic. Procurou, com esta entrada, tentar de alguma forma travar as investidas de João Palhinha, que estava a ser um dos melhores em campo naquela altura?

Petit: “Foi por aí, mas também o desgaste do Pedro Nuno, que não jogava já há algum tempo. Estava a haver ali algum espaço entre linhas e tínhamos pouca intensidade, pouca agressividade nos portadores da bola. Mas sem dúvida que o jogo do Sporting CP gira muito à volta de Palhinha. Jogadores como ele e como o Matheus Nunes. Quando não estás na melhor condição física, tentamos dar mais intensidade e pressão no portador da bola“.

Artigo revisto por Gonçalo Tristão Santos

1 COMENTÁRIO

DEIXE UM COMENTÁRIO

Comente!
Por favor introduz o teu nome