A CRÓNICA: UM JOGO DE SENTIDO ÚNICO 

Sob a nova orientação técnica de Rúben Amorim, os leões entraram confiantes na partida, a controlar o rumo dos acontecimentos e a reagir rapidamente à perda de bola, algo que raramente estava a ocorrer, dado que o Sporting CP não dava grande margem de manobra para os visitantes criarem perigo. O CD Aves sofreu uma contrariedade à passagem dos dez minutos: Rúben Macedo viu cartão vermelho direto, após uma entrada mais ríspida sobre Wendel.

A jogar com menos um, os visitantes já não tinham forma de causar qualquer perigo ao conjunto leonino e pior ficou com a expulsão de Luiz Fernando, depois de ter uma falta completamente desnecessária a meio-campo sobre Wendel. Percebendo que podia aproveitar as debilidades defensivas do Aves, Rúben Amorim colocou Jovane Cabral no lugar de Ristovski, o que veio trazer maior rapidez nas transições ofensivas.

Era uma questão de minutos até se concretizar o 1-0 verde e branco, mas o desacerto dos homens da frente imperava – o exemplo mais evidente disso foi Sporar, aos 44 minutos, em que tira bem o defesa adversário, mas o seu remate saiu por cima da baliza de Beunardeau -, o que fez com que as duas equipas fossem empatadas a zero para o intervalo.

No regresso para a segunda parte, a equipa avense demorou imenso tempo a voltar para o relvado, mas nem assim conseguiu adiar o inevitável, pois, aos 62 minutos, Wendel cruzou para a cabeça do esloveno Andraz Sporar, que marcou assim o primeiro golo da partida (1-0). Não foi preciso esperar muito para se gritar novamente golo em Alvalade. Aos 66 minutos, penalti assinalado contra o CD Aves por mão na bola de Afonso Figueiredo. Desta vez, foi Vietto que assinou o seu nome na lista dos marcadores do encontro e estava feito o 2-0 a favor dos leões.

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Num jogo de sentido único onde Luís Maximiano foi (quase) um mero espetador e que ditou a primeira vitória de Rúben Amorim no comando dos leões frente a um CD Aves completamente fragilizado e a jogar com nove unidades. O Sporting CP faz 42 pontos e mantém a perseguição ao terceiro lugar, SC Braga. O CD Aves continua numa situação difícil no fundo da tabela classificativa e a esperança de ainda se manter na Primeira Liga começa a esfumar-se, rapidamente.

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Wendel – De um jogo onde pouco deu para alguém se destacar, escolhemos o médio brasileiro. Esteve nas duas jogadas que deram os dois vermelhos aos jogadores avenses, teve também influência direta para aquele que foi o primeiro golo da partida com uma bela assistência. Foi um elemento muito ativo ao longo de toda a partida e na tentativa de entrar na defesa coesa e muito baixa do CD Aves.

O FORA DE JOGO

Fonte: CD Aves

Luiz Fernando – O trinco teve uma expulsão completamente desnecessária ainda não estava decorrida a primeira meia-hora do encontro, o que obrigou os seus colegas a um esforço redobrado. Até estava a ser um elemento importante nas alturas de maior pressão leonina, mas a sua infantilidade deitou tudo a perder para o Aves em Alvalade.

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

A grande curiosidade para o jogo da tarde em Alvalade era conhecer que sistema tático o novo técnico dos leões Rúben Amorim ia usar de início. A aposta foi num 3-4-3 com o trio defensivo a ser formado por Coates, Mathieu e Ilori, Wendel e Battaglia a formar a dupla de meio-campo e Sporar apoiado na frente de ataque por Plata e Vietto. A tarefa leonina ficou algo facilitada graças às expulsões no primeiro tempo de Rúben Macedo e Luiz Fernando, o que desequilibrou a partida a favor do Sporting CP.

A entrada de Jovane Cabral pouco efeito surtiu logo de início, mas ao longo do jogo foi aparecendo e sendo solicitado mais vezes. Quem podemos destacar é, sem dúvida, Francisco Geraldes, que mostra estar motivado com o regresso do empréstimo do AEK Atenas e pretende mostrar serviço a Rúben Amorim e aos sportinguistas.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Luís Maximiano (5)

Tiago Illori (6)

Sebastián Coates (5)

Jeremy Mathieu (5)

Marcos Acuña (6)

Rodrigo Battaglia (6)

Wendel (7)

Stefan Ristovski (-)

Gonzalo Plata (5)

Luciano Vietto (6)

Andraz Sporar (7)

SUBS UTILIZADOS

Jovane Cabral (6)

Francisco Geraldes (7)

Rosier (-)

ANÁLISE TÁTICA – CD AVES

Face ao castigo de Jaílson, Nuno Manta Santos colocou Matos Milos a jogar no lado direito da defesa. Os avenses atuaram num 4-3-3 bastante compacto nos momentos defensivos, com o miolo defensivo a ser reforçado pelo trinco Luiz Fernando nas alturas de maior aperto leonino. Se a tarefa à partida já era difícil, pior ficou com a expulsão de Rúben Macedo ao minuto 11, o que levou Nuno Manta Santos a alterar o esquema tático para um 4-4-1.

Quando se julgava que nada de mal podia acontecer, eis que Luiz Fernando comete uma falta desnecessária e vê o segundo amarelo e é expulso, hipotecando de vez qualquer esperança avense em somar pontos. Reduzido a nove unidades dos avenses começaram a jogar no sistema tático possível para as opções disponíveis em campo com cinco defesas e os restantes quatro jogadores à frente destes.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES 

Beunardeau (6)

Mangas (5)

Buatu (5)

Afonso Figueiredo (4)

Diakhite (5)

Milos (5)

Rúben Oliveira (5)

Estrela (5)

Rúben Macedo (3)

Luiz Fernando (2)

Junior (5)

SUBS UTILIZADOS

Banjaqui (5)

Kevin Yamga (-)

Tshibola (-)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Sporting CP

Não foi possível fazer pergunta ao treinador Sporting CP, Rúben Amorim.

CD Aves

BnR: Com dois expulsos e alguns jogadores importantes lesionados, vai ser, certamente, complicado preparar o próximo jogo contra o Belenenses SAD. Como se prepara um jogo com todas estas condicionantes?

Nuno Manta Santos: Primeiro de tudo é preciso fazer uma análise deste jogo ver aquilo que fizemos de mal e aquilo que fizemos de bem. Depois disto, temos de ver quais são os jogadores disponíveis e o próximo jogo é um daqueles que temos de ganhar. Por isso, temos de trabalhar durante toda esta semana, recuperar os atletas que estão lesionado e são possíveis de recuperar e preparar ao máximo possível esse jogo. É um jogo muito decisivo. Digamos que é um jogo de vida ou de morte para nós. A faltar ainda dez jornadas para o final, é um jogo que temos mesmo de ganhar.

Rescaldo de opinião de Guilherme Costa e João Pedro Barbosa

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

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