A CRÓNICA: SPORTING X NACIONAL, UM JOGO DE EXTREMOS

Esta podia ser a derradeira luta por objetivos. Embora completamente antagónico (e daí o título desta crónica), tanto Sporting CP como CD Nacional subiam a relvado determinados a arrecadar pontos neste duelo. A vontade de vencer por vezes supera a teoria de um plantel mais forte e este campeonato já nos provou isso por diversas vezes. Restava que rolasse a bola para ver se hoje era um desses dias.

O Nacional entrou mais atrevido do que aquilo que inicialmente se poderia pensar (sim, daí o início desta crónica). A grande oportunidade até surge para os madeirenses. Aos cinco minutos, Camacho decide ameaçar a fortaleza leonina, mas valeu ao Sporting um desvio. Ficava então o primeiro aviso do conjunto de Manuel Machado.

A dinâmica ofensiva entre Rúben Micael (mais eficaz sem bola do que com ela) e Riascos parecia estar a surpreender os leões e, mais do que isso, estava até a causar bastantes dificuldades defensivas aos de verde e branco.

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Ao longo do tempo, o conjunto de Rúben Amorim começou a crescer na partida. O Sporting teve grandes oportunidades, mas António Filipe mostrava-se inspirado esta noite. Não faltaram, por isso, remates nesta primeira parte. Foram muitas as ameaças e até se festejou golo do Sporting, mas foi invalidado por fora-de-jogo.

Por sua vez, o Nacional ia apresentando uma postura bastante pragmática, com os seus jogadores a não pouparem nas faltas (algumas cirúrgicas, outras nem tanto). Depois da entrada muito forte do conjunto de Manuel Machado, o Sporting conseguiu impor o seu jogo, nem sempre eficaz, é verdade, mas voltou aos balneários a justificar a superioridade no marcador.

A segunda parte começou nos mesmos moldes da primeira. O Nacional voltou a entrar bem, com um bloco defensivo mais coeso. Os madeirenses estavam a conseguir anular uma das mais-valias deste Sporting, o jogo pelos corredores. Restava o Sporting continuar a apostar na construção no centro do terreno e, apesar de estar pressionante e a impor a posse, não estava, por outro lado, a conseguir materializá-la em muitas oportunidades na frente de ataque.

Fonte: Isabel Silva / Bola na Rede

Aos 67′, Alhassan é expulso por segundo amarelo. Reduzido a dez unidades, o Nacional acabou por abdicar do pendor ofensivo. O Sporting começa a carga, vendo-se ainda empatado e agora a jogar em superioridade numérica. Aos 70′, António Filipe nega uma grande oportunidade de Paulinho que surge depois de passe exímio de Pote. Os leões estavam a pressionar muito e essa pressão acabou por surtir efeito. Jovane entra bem do banco e faz a assistência pelo lado esquerdo para o primeiro da noite em Alvalade marcado por Feddal.

Mas aquilo que parecia difícil até aqui, acabou por se tornar fácil depois da entrada de Jovane. Depois do período regulamentar, Jovane é derrubado na área por Rui Correia. Assinalado penálti a favor dos leões convertido pelo próprio. Jovane saltou do banco e acabou por ser decisivo nesta vitória verde e branca. Jogo a jogo, ataque cardíaco a ataque cardíaco, este Sporting está cada vez mais próximo do título.

 

A FIGURA
Sporting
Fonte: Isabel Silva / Bola na Rede

Jovane – Como já o disse, saiu do banco para ser decisivo nesta vitória leonina. Sofre a falta que dá a expulsão, faz uma assistência e um golo de pénalti. Pénalti esse que o próprio sofre em mais uma das suas investidas na área madeirense. O Sporting estava a precisar de irreverência na frente de ataque e, aliás, até como já o fez algumas vezes, Jovane disse “presente” e ajuda assim a equipa na conquista de mais três pontos.

O FORA-DE-JOGO

Manuel Machado – Tendo em conta as caraterísticas defensivas de Alhassan, e ainda o rumo que o jogo tomava, o Sporting naturalmente iria pressionar alto até chegar ao golo da vitória. Alhassan já tinha, depois do primeiro amarelo, algumas faltas assinaladas e, dendo em conta a experiência, o técnico poderia e deveria ter acautelado esta questão e substituído o jogador antes da expulsão.

 

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

O onze de Rúben Amorim conta com três mudanças. Maximiano entra para o lugar de Adán. Neto substitui Gonçalo Inácio e Daniel Bragança “faz a vez” de João Mário.

O Sporting apostou essencialmente no jogo entre linhas. Uma das razões para isto foi o bom trabalho de Camacho que acompanhou muito bem Nuno Mendes e Witi, do lado oposto, a não permitir que Porro criasse desequilíbrios. Uma estratégia inteligente, mas não inovadora, tendo em conta a “dependência” do pendor ofensivo destes dois atletas no estilo de jogo leonino.

O Nacional tentou pressionar ainda na primeira fase de construção. O Sporting, ultrapassando esse primeiro bloco, acabava por conseguir ter mais espaço. O adiantamento de muitas unidades do Nacional permitia por vezes mais espaço nas costas para o Sporting conseguir aproveitar, nomeadamente no espaço entre os defesas e os médios. Após a expulsão e entrada de Jovane, os leões começaram a ter mais caudal ofensivo.

11 INICIAIS E PONTUAÇÕES

Maximiano (6)

Feddal (8)

Coates (7)

Nuno Mendes (5)

João Palhinha (6)

Nuno Santos (6)

Luís Neto (6)

Paulinho (6)

Pedro Porro (5)

Pedro Gonçalves (7)

Daniel Bragança (6)

SUBS UTILIZADOS

Jovane Cabral (8)

Plata (-)

Matheus Nunes (-)

Matheus Reis (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – CD NACIONAL

Manuel Machado é obrigado também a trazer uma novidade, visto que Pedro Mendes está emprestado pelo Sporting. Brayan Riascos salta então para o onze inicial da equipa madeirense.

Manuel Machado acabou por surpreender a armada leonina com a dinâmica ofensiva. As deslocações de Camacho, que partia da direita e depois aparecia livre no lado oposto, enquanto simultaneamente Rúben Micael cobria o lado direito e Riascos o corredor central, estavam a surpreender o setor mais recuado do Sporting.

Embora este Nacional contasse com uma linha defensiva de cinco, quando se via sem posse, formava um 5-2-1-2 com Rúben Micael a pressionar muito os homens mais recuados do Sporting. De facto a estratégia no setor mais avançado estava a resultar, mas a defesa do Nacional não estava a conseguir corresponder. Foram vários os erros a nível posicional que expuseram por várias vezes as fragilidades desta equipa madeirense. Depois da expulsão, o Nacional abdicou das projeções ofensivas.

11 INICIAIS E PONTUAÇÕES

António Filipe (8)

Pedrão (5)

Azouni (5)

Alhassan (4)

Camacho (6)

Rúben Micael (5)

Witi (6)

Ruben Freitas (5)

Rui Correia (4)

Júlio César (5)

Brayan Riascos (5)

SUBS UTILIZADOS

Eber Bessa (6)

Nuno Borges (5)

Bryan Rochez (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Sporting CP

BnR: O Sporting hoje não conseguiu jogar tanto pelos corredores laterais como gosta de o fazer. Pergunto-lhe quais foram as principais dificuldades que sentiu face a isto e tendo em conta que a alternativa foi apostar no jogo entre linhas?

Rúben Amorim: Depende de onde os adversários pressionam. Nós tivemos muitas bolas entre linhas. Tivemos muitas vezes o Pote e o Nuno nessas zonas. Demos alguma largura pelo lado esquerdo porque o Pote vai para o meio e o Porro fica um pouco sozinho. Depois o Plata entrou e levou a bola para a frente. Nós tentamos tudo. Não vendo o jogo, não sei se atacamos mais pelos corredores ou não do que nos outros jogos. Tenho de ver ainda. Acho que fizemos um jogo bastante completo. Falhámos na finalização, podíamos ter feito golos logo na primeira parte, que podia abrir o jogo. O que interessa é fazer golos, ter oportunidades, não sofrer. Mais uma vez, não sofremos golos. É uma vitória inteiramente justa e agora é seguir para o próximo jogo.

CD Nacional: Rúben Micael sai ao intervalo e até fez parte da dinâmica ofensiva que surpreendeu o Sporting nos minutos iniciais, que cobriu o lado direito quando o Camacho partia dessa zona para o lado oposto, com Riascos no corredor central. O que é que estava a faltar para aquilo que idealizou e que levou à substituição?

Manuel Machado: Do ponto de vista global resultou muito bem. Não quero estar a repetir-me mas até aos 65 minutos, aquilo que procurámos era manter o resultado a zero e tentarmos um contra-ataque. Isso funcionou perfeitamente. Relativamente à alteração, ela tem vindo a ser feita de forma recorrente. O Rúben entrou para a posição 10 e, como viu, não alterámos o esquema tático. E quando troquei o Rúben pelo Bessa, ele entrou exatamente para a mesma posição. Só alteramos o modelo quando ficámos com menos um jogador. Aquilo que aconteceu não tem que ver com a alteração tática. O Bessa até entrou muito bem. Teve que ver com a gestão de esforço que este jogos múltiplos nos obrigam a fazer. O Rúben é mais experiente, o Bessa mais dinâmico. Temos utilizado este tipo de critério já em jogos anteriores com algum sucesso. Neste passaria pelo mesmo e eu iria voltar a dizer.

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