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Casillas está habituado a defrontar Messi, Ibrahimovic ou Lewandowski. O nome de Slimani devia ser completamente desconhecido até chegar ao campeonato português, mas o clássico de Alvalade tratou de fazer as apresentações. O argelino bisou (o hat-trick ficou perto) e colocou o Sporting de novo na liderança da liga. Os leões foram mais eficazes na primeira parte e geriram muito bem a vantagem na segunda metade, sendo notória a forma mais madura como a equipa disputa os encontros decisivos. João Mário, que se vai afirmando cada vez mais como um “jogador de grandes jogos”, viu a sua tremenda exibição ser ofuscada pelos golos de Slimani, mas o que fica do clássico é, acima de tudo, a superioridade colectiva da equipa de Jorge Jesus em relação aos dois rivais na corrida pelo título.

O Clássico de Alvalade não trouxe novidades em relação ao passado recente. O FC Porto continua sem vencer o Sporting em Lisboa (a última vez foi em 2008) e Jesus mantém a superioridade sobre Lopetegui. As duas equipas apresentaram-se em Alvalade com a intenção clara de somar os três pontos, tendo proporcionado no primeiro tempo um clássico mais aberto do que aquilo que é habitual. Jorge Jesus surpreendeu e deu a titularidade ao miúdo Matheus Pereira, colocando Bryan Ruiz no apoio a Slimani, e a Naldo, quando se previa que fosse Ewerton a actuar ao lado de Paulo Oliveira. Lopetegui também não alterou o modelo de jogo habitual, não abdicando de ter duas setas – Brahimi e Corona – apontadas à baliza de Rui Patrício. Herrera actuou bem próximo de Aboubakar, mas a ligação entre o mexicano e o camaronês não deu frutos.

A primeira parte foi bastante repartida, com momentos de ascendente para leões e dragões, sendo que a maior eficácia leonina fez a diferença até ao intervalo. O FC Porto também teve duas ocasiões claras, mas Rui Patrício, que tem sido decisivo, ganhou o duelo directo com Aboubakar – sempre rápido a desmarcar-se entre os centrais leoninos – e evitou o golo dos azuis e brancos. Do outro lado, Slimani não perdoou e permitiu ao Sporting “comandar o jogo tacticamente”, como disse Jorge Jesus na análise à partida.

Durante os 45’ iniciais, as melhores iniciativas dos leões pertenceram a João Mário, que espalhou qualidade técnica, sempre bem acompanhado por Adrien, que se mantém como um elemento fundamental na manobra leonina. Bryan Ruiz não teve uma boa entrada em jogo, tendo subido ligeiramente de rendimento quando o Sporting passou para a liderança do marcador. Do lado portista, para além da mobilidade de Aboubakar e dos rasgos de Brahimi e Corona, foi Maxi quem esteve em plano de evidência, fechando bem o flanco (excepto quando lhe apareceu João Mário pela frente) e oferecendo bastante profundidade, ao contrário de Layun.

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Jorge Jesus venceu os dois rivais no campeonato

Foi um FC Porto inofensivo, previsível e sem personalidade aquele que apareceu para a etapa complementar em Alvalade. O conjunto azul e branco acabou a segunda parte sem qualquer ocasião clara para marcar (a qualidade defensiva da equipa de Jorge Jesus veio ao de cima), com o Sporting a justificar totalmente o triunfo e o regresso à liderança. Os leões, mais maduros do que noutras ocasiões, souberam impedir a reacção portista e criaram várias excelentes oportunidades através de saídas rápidas para o ataque – nas mais claras, Slimani e Adrien acertaram nos ferros. A irreverência de Gelson veio dar outra capacidade às transições leoninas, com o jovem extremo a aproveitar o desgaste de Maxi.

As substituições de Lopetegui não trouxeram nada de novo à equipa, que foi perdendo a pouca capacidade de reacção que apresentou inicialmente. André André, a quem se pedia mais chegada a zonas de decisão, não acrescentou mais do que Rúben Neves e André Silva foi anulado pelos centrais leoninos (Naldo foi um dos melhores em campo), tal como Aboubakar. No final, o técnico espanhol não cumprimentou Jorge Jesus, provavelmente resignado com a superioridade do adversário.

A Figura

Slimani – É o jogador mais decisivo do campeonato até ao momento, e não é só pelos golos. A forma como desgasta a defesa adversária (Maicon e Martins Indi tiveram as mesmas dificuldades que os outros centrais que defrontam o argelino), a profundidade que consegue oferecer ao jogo e a capacidade que tem de se envolver com o colectivo – aspecto que tem aperfeiçoado desde a chegada de Jorge Jesus – têm sido determinantes neste Sporting.

O Fora-de-jogo

William Carvalho – O médio português continua longe da qualidade que já apresentou. Frente a um rival com quem se costuma dar bem, William demonstrou muita lentidão de processos e não conseguiu contornar a pressão que lhe foi efectuada, falhando naquilo em que é mais forte e perdendo o duelo particular com Danilo, claramente o melhor jogador da equipa de Lopetegui.

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