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Um Sporting – Benfica é sinónimo de jogo carregado de emoção, paixão e de surpresas. Mesmo assim, a ausência de Jonas e de Teo Gutiérrez foi algo que muito provavelmente poucos adeptos esperariam. Rui Vitória decidiu mudar o seu elenco, entrando Pizzi para reforçar o meio-campo encarnado e tirando aquele que seria, à partida, o maior perigo para a defesa contrária. Já Jesus promoveu a rotação da equipa num jogo da Taça e introduziu El Avioncito no lugar do compatriota Gutiérrez.

O jogo começou como uma acendalha na fria noite lisboeta, com pouco mais de três minutos disputados e já Slimani atirava a bola ao poste da baliza de Júlio César. Na resposta, João Pereira deixa imenso espaço nas suas costas, onde aparece Pizzi que assiste Kostas Mitroglou para o primeiro golo do encontro; o mote estava dado para termos um derby quente.

O Sporting acusou o toque, mas aos poucos voltou a entrar na partida e a ter um domínio – em parte consentido pelos encarnados – da partida; mas os caminhos da baliza de Júlio César estavam bem fechados; os jogadores de Rui Vitória pareciam ter a lição bem estudada e conseguiam anular aquele que era o principal trunfo leonino, o seu meio-campo e respectiva criatividade. Adrien tentava – como capitão que é – motivar as tropas e furar as linhas encarnadas mas, sem sucesso. Já do lado benfiquista, Gaitán continuava a ser o elemento mais em foco do elenco. De ressalvar também o comportamento anti-jogo de Júlio César, perdendo imenso tempo na reposição de bola em jogo, algo que se assemelhava aos tempos de JJ na Luz.

Na entrada para os últimos dez minutos da primeira parte, a acendalha que tanto prometeu nos primeiros minutos tinha dado lugar a um jogo insípido e gélido, algo que favorecia a equipa visitante e que penalizava em demasia um Sporting mais atrevido e a lutar por outro resultado. Contudo, e já nos descontos da primeira parte – talvez em forma de karma por todo o tempo perdido por Júlio César – o guardião dos benfiquistas aborda mal um lance e Adrien dá alguma justiça ao marcador, numa jogada em que grande parte do mérito vai para a garra de Slimani. Um tónico excelente para a equipa de Jesus e um regresso ao intervalo que permitia aos leões – e à própria partida – um novo (re)começo no início da segunda parte.

O capitão leonino deu o empate justo ao Sporting Fonte: Sporting CP
O capitão leonino deu o empate justo ao Sporting
Fonte: Sporting CP

Para a entrada no segundo tempo, Jesus apostou em Gelson para o lugar dum apagado Montero, numa clara tentativa de aumentar a velocidade do encontro, e também valorizando a irreverência do jovem talento leonino.

No que ao jogo diz respeito, se a primeira parte tinha terminado com um claro ascendente leonino, a segunda começava com um domínio total do Sporting. Slimani era um perigo constante perto da área benfiquista, Adrien tomava as rédeas do jogo e assumia a batuta do encontro, fazendo lembrar um maestro que passou pela Luz e Bryan Ruíz aparecia em grande no corredor esquerdo, colocando o lateral Sílvio em tarefas meramente defensivas. Os leões mostravam que queriam resolver a questão perante um Benfica apático, fragilizado em demasia pelo golo de Adrien e focado em segurar o empate.

Contudo, os minutos iam passando e a resistência encarnada mantinha-se, acabando que deu força ao Benfica para suster o ímpeto leonino e assustar em algumas situações Rui Patrício. Com dez minutos para o fim do tempo regulamentar, o jogo animou num esforço dos verde e brancos para resolver o encontro sem necessidade de prolongamento, mas até ao fim dos noventa minutos o melhor que conseguiu foi proporcionar uma belíssima defesa a Júlio César e criar uma verdadeira jogada de equipa em que Slimani acabou por falhar um golo que parecia ser fácil.

Já no decorrer do prolongamento, Jorge Jesus viu o seu plano de jogo sofrer alterações quando Jefferson e Ewerton saíram lesionados, não dando assim possibilidade de refrescar algumas peças que começavam a acusar o desgaste, como Adrien e Ruíz, algo que condicionou a estratégia do técnico leonino. Rui Vitória acabou por arriscar,  colocando a equipa a jogar num 4-4-2, com Jonas e Raúl Jiménez na frente.

Na segunda parte do prolongamento, o Sporting dá a cambalhota no mercador com o inevitável Slimani a dar justiça ao resultado. Adrien volta a ser fulcral na jogada, rematando forte para uma primeira defesa de Júlio César mas, na recarga, o ponta de lança argelino voltouu a mostrar a sua apetência para marcar aos rivais da Luz e garantiu a eliminatória para os leões.

Uma vitória mais que justa, que peca por tardia perante um Benfica que acabou por perder por nunca se dar verdadeiramente ao jogo.

 A Figura:

Islam Slimani e Nico Gaitán – Dois jogadores que são, neste momento, figuras acima da média no campeonato português. O argelino tem crescido imenso com Jorge Jesus, sendo mais jogador de equipa e dando mais de si ao jogo; o golo da vitória é mais do que merecido. Já o número 10 do Benfica é um verdadeiro mágico com a bola nos pés, sendo a figura maior dum elenco que se mostra cada vez mais banal.

O Fora-de-Jogo 

Uma minoria dos adeptos do SL Benfica – Uma semana após os atentados de Paris, e ressalvando aqui a palavra minoria, seria demais pedir um minuto de silêncio em memória das vítimas?

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