A CRÓNICA: PETIT BEM TENTOU, MAS A MÃO (DE TIAGO ESGAIO) NÃO DEIXOU

Num bar (com dimensões pouco comuns) entravam a equipa de Rúben Amorim (Sporting CP), a de Petit (Belenenses SAD) e uma bola. Petit já tinha mandado um bitaite de que iria conseguir algo fora do normal. Seria apenas «paleio» ou era verdade? Apesar da pandemia, muitos olhos estavam colocados na mesa 28 deste “bar” ao qual chamamos de Alvalade nesta comparação. Era o dito «tira teimas».

A verdade é que com poucos minutos sentados à mesa, a equipa de Petit conseguiu uma proeza. Pagar um copo à formação de Rúben Amorim era complicado, contudo, já muitos tinham feito isto em Alvalade. Como conseguiu? Digamos que foi uma autêntica obra de arte. Miguel Cardoso temporizou, trocou as voltas à defesa e descobriu Varela. Uma ligação Portugal-Colômbia não demora assim tanto tempo e que o diga Cassierra que só teve de encostar. 15 minutos e um copo para a mesa.

Henrique quase que ia deixando entornar o copo azul, mas a sorte é que Kritciuk bem que salvou um possível desastre. Também João Mário não soube dar aquele toque subtil. Por isso, a equipa de Petit ia dando aquele típico «paleio» que ia aguentando a conversa. Por enquanto, a Belenenses SAD ainda só tinha pago um copo, mas a verdade é que o Sporting não pagou nenhum.

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A insistência, ou o faro de oportunidade, é uma caraterística essencial na vida no geral. Cassierra foi aquele quem mais acreditou que Adán podia borrar a pintura que vinha a fazer em todo este campeonato. Agora sim, a mesa 28 estava completamente estragada. O colombiano disse «manda vir outro que eu pago!». Isto sim… já era quase inédito. A equipa de Petit já ia no segundo copo!

Coates não queria ficar atrás. Deixou o modo defensivo, sacou do seu instinto matador e fez o que o ataque não estava a fazer de todo. Perdemos aqui um grande ponta de lança? Saiu um copo para o Sporting. A Belenenses SAD não queria de todo estragar a pintura depois de tudo aquilo que já tinha feito. A conversa fluía de modo correto e ia conquistando a bola na sua versão mais defensiva.

O problema é a equipa de Petit entornou tudo em cima da mesa e Tiago Esgaio estragou tudo com um penalti. Lá está. A mão que pode entornar um copo e pode dar um empate vital. Jovane Cabral disse «este pago eu, mas ninguém entorna!». A mesa 28 já estava toda borrada e ficaram quatro copos, dois para cada lá. A bola saiu deste bar sem ser conquistada por ninguém. O futebol é assim… pode-se personificar com a vida real.

O Sporting tropeça novamente e pode ver o FC Porto aproximar-se, ficando apenas a quatro pontos dos leões na luta pela Primeira Liga. Digamos que foi um jogo de sentido único, onde o resultado definiu para o lado do Belenenses SAD o pragmatismo e para o outro, o do Sporting, a falta de pontaria. A fraca finalização pode custar caro.

 

A FIGURA
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Stanislav Kritciuk – Cassierra marcou dois golos? É verdade… Mas “e se” o guarda-redes russo não tivesse defendido o penalti que manteve o 0-1? Não estaríamos aqui a falar sobre aquele que fez mais uma exibição segura para continuar o bom momento que tem vindo a ter na Primeira Liga. Uma exibição incrível, apesar do empate.

O FORA DE JOGO
Sporting
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Sporting CP – Depois de dois empates para os leões, a vitória em Faro parecia dar outro ânimo à equipa comandada por Rúben Amorim. Contudo, parece ter enganado tudo e todos. Os processos não estão a sair de uma forma fluída como já tinha acontecido esta temporada e depois de uma vantagem tão grande pode estar para ficar com uma vantagem de apenas quatro pontos. Será a imaturidade jovem? Acho que poucos devem saber responder.

 

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

Os leões a apresentarem-se, tal como já é habitual, num 3-5-2 com uma pequena troca no onze inicial: a entrada de Tiago Tomás para a saída do também jovem Daniel Bragança. No eixo defensivo, Feddal já está recuperado, mas Rúben Amorim decidiu que o melhor era o marroquino ficar a descansar. Por isso, Matheus Reis continuou a ser o titular.

João Palhinha a ter mais apoio de João Mário e apenas quando necessário a ajuda de Pedro Gonçalves, que descia do lado esquerdo. O Sporting muitas vezes a ficar num 5-2-3 com Tiago Tomás e Pote a ficar com as alas enquanto que Paulinho ficava responsável pelo jogo interior. Os leões estavam com muitas dificuldades em conseguir concretizar as oportunidades que iam criando, muito por culpa dos seus jogadores, mas também pela coesa defesa da Belenenses SAD.

Rúben Amorim teve de mexer logo no intervalo com a entrada de Nuno Santos e nos minutos seguintes entraram ainda Tabata, Jovane e Bragança. Contudo, com uma defesa tão coesa meter jogadores com tanto pendor ofensivo podia ser uma cartada arriscada. O Sporting parecia ter mudado para um 4-3-3 com Bragança, Pote e Tabata no meio e Jovane e Nuno Santos no lado direito e esquerdo, respetivamente.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Antonio Adán (3)

Nuno Mendes (6)

Matheus Reis (5)

Sebastian Coates (5)

Gonçalo Inácio (5)

Pedro Porro (5)

João Palhinha (5)

Pedro Gonçalves (4)

João Mário (4)

Tiago Tomás (5)

Paulinho (4)

SUBS UTILIZADOS

Nuno Santos (4)

Bruno Tabata (5)

Jovane Cabral (5)

Daniel Bragança (5)

Matheus Nunes (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – BELENENSES SAD

Petit não quis também mudar muito daquilo que foi a sua equipa frente ao CS Marítimo e apenas uma troca: a saída de Afonso Taira para a entrada de Yaya Sithole. Apesar desta troca, pouco mudava naquilo que são as definições táticas da Belenenses SAD.

Quando estava em processos ofensivos, era notório o 3-4-3 com um central, Henrique, a não participar no processo de construção a partir de trás. O contrário acontecia com Yaya Sithole que baixava muito para não só ajuda em caso de bola perdida na primeira fase de construção e para ajudar na mesma. A defender um 5-2-3 com Afonso Sousa e Yaya a ficarem responsáveis com o meio-campo e Tiago Esgaio e Rúben Lima a ficarem com as laterais.

As substituições dos comandados de Petit foram com o intuito de manter a estabilidade defensiva, mas normalmente quando são muitos a tentar defender dá um grande erro. E deu. A ansiedade tomou conta da formação da Belenenses SAD e o que foi construído com muita solidez acabou por ser destruído em poucos minutos. O que “defender em excesso” não provoca.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Stanislav Kritciuk (8)

Gonçalo Silva (5)

Tomás Ribeiro (5)

Henrique Boss (4)

Rúben Lima (5)

Tiago Esgaio (5)

Afonso Sousa (7)

Yaya Sithole (5)

Miguel Cardoso (6)

Tiago Esgaio (5)

Varela (6)

Mateo Cassierra (7)

SUBS UTILIZADOS

Cafu (5)

Bruno Ramires (-)

Afonso Taira (-)

Diogo Calila (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Sporting CP

BnR: Na antevisão, disse que o jogo do Jamor tinha sido analisado para preparar este jogo e que algumas situação dessa partida foram trabalhadas. Na sua opinião, o Sporting teve novamente os mesmos erros ou a Belenenses SAD conseguiu mudar muita coisa e conseguiu tirar daqui um ponto?

Rúben Amorim: A Belenenses SAD teve muito mais oportunidades nessa jornada no Jamor. Temos de separar as oportunidades que tiveram hoje e a última vez, o controlo de transições e etc. Foi muito claro aquilo que se passou aqui hoje. O que mudou foi o resultado. Eu tenho de fazer o trabalho inverso ao que os outros fazem. Estou muito mais contente com a exibição que, hoje, fizemos aqui. Estava também mais preocupado no Jamor do que estou neste momento. Acredito que podemos ganhar todos os jogos daqui para a frente, sabendo que é possível não conseguirmos isso, mas faz parte do jogo. Respondendo diretamente à sua pergunta, acho que foi completamente o contrário. Um Belenenses SAD foi muito inferior em comparação a essa jornada, por isso, não podemos comparar as duas situações. Fomos claramente superiores. Aquilo que temos de fazer melhor é marcar golos, melhorar na bola parada, controlar o jogo e ser melhor defensivamente. Há que seguir em frente. É olhar para o jogo e não só para aquilo que foi resultado.

Belenenses SAD

BnR: Nos últimos três jogos, tem posto no Afonso Sousa mais no centro do campo. O que é que o jogador português pode oferecer nesta zona e se é uma opção para dar mais criatividade enquanto que a parte mais defensiva fica a cargo do Yaya Sithole?

Petit: O Afonso Sousa trabalhou como segundo médio com muita qualidade e durante muito tempo na formação jogou naquela posição. Primeiro, demos mais intensidade ao Afonso para que o pudéssemos preparar para jogar ali. São dois jogadores com muita qualidade. O Yaya Sithole foi um jogador que estava nos sub-23 e que veio esta época para a equipa principal. O Afonso tem uma boa visão de jogo e uma grande qualidade de passe. Trabalhámos o jogador e, agora, trouxéssemos o Afonso para essa zona para termos mais criatividade e conseguir criar mais jogadas.

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