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Janeiro em Alvalade era, em muitas das épocas vencidas, sinónimo de afastamento dos lugares de título, futebol pobre, bancadas despidas e muitas piadas fáceis nas bocas dos adeptos rivais. Este ano, parece que o chip veio com o “software roubado da estrutura” e tudo mudou no reino do leão; o Sporting CP começava a segunda volta no primeiro lugar destacado, com um futebol em plena sintonia com as bancadas cheias de adeptos que nem por um momento se calam no apoio à equipa.

Tendo em conta que em equipa se ganha, nada – ou pouco – se mexe, Jorge Jesus promoveu apenas uma alteração no onze face ao jogo frente ao SC Braga, com a troca de Paulo Oliveira por Ewerton. Ruiz continuou a fazer parelha com Slimani e Bruno César assegurou a terceira titularidade consecutiva.

Já o Tondela, mostrou em Alvalade ser uma equipa à imagem do seu treinador; bem estruturada defensivamente, com um meio campo coeso, reforçado e atento às movimentações dos leões, tentando assim roubar pontos rumo a uma cada vez mais difícil manutenção.

Os primeiros vinte minutos da partida mostraram a lição bem estudada por parte da equipa beirã, com Bruno Monteiro e Hélder Tavares a funcionarem como dois médios de contenção e sempre próximos de Adrien e também de Bryan Ruiz, que descia para tentar procurar organizar o jogo leonino.

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Numa jogada rápida de contra-ataque, Nathan Junior tenta já dentro da área antecipar-se a Patrício, que acaba por tocar no jogador do Tondela, sendo o guardião leonino expulso e assinalada a respectiva grande penalidade que o jogador brasileiro acabaria por converter. Golpe de gélida água para Jesus e para os leões que viam a sua inércia inicial castigada da pior maneira possível.

De ressalvar aqui a arbitragem de Luís Ferreira que, apesar da dificuldade de análise no lance grande penalidade (confesso que numa primeira análise vi penalty) , exibia um critério pouco uniforme, atrasando o jogo para fazer Boeck recuar meio metro numa reposição de bola mas permitindo a Matt Jones bater um livre a cerca de cinco metros do local onde foi assinalada a falta. Algo que enervava, e muito, os adeptos leoninos e Bruno de Carvalho, também ele expulso durante o decorrer da primeira parte.

No jogo jogado, e até ao intervalo, pouco Sporting se viu em campo. Faltavam as ideias, a energia e agora também menos um jogador. Muito teria que ser feito ao intervalo mas, como ficou provado no passado domingo, se alguém conseguia remontadas épicas era esta equipa do leão.

Assim como na Albânia, Patrício voltou a ser expulso na primeira parte Fonte: Sporting CP
Assim como na Albânia, Patrício voltou a ser expulso na primeira parte
Fonte: Sporting CP

Para a segunda parte, e de novo como na partida frente ao Braga, William ficou nos balneários e deu lugar a Gelson Martins, algo que acabou por arrebitar a equipa e tornou o lado direito dos leões uma verdadeira tormenta para Nuno Santos.

As alterações de Jorge Jesus rapidamente deram resultado e Slimani – de novo ele – voltou a igualar a partida numa jogada criada a partir do lado direito do ataque; algo que veio dar justiça ao resultado e animar ainda o leão para uma segunda parte “à Sporting”.

Após uma jogada confusa onde Tikito tira com a cabeça um golo certo de Ruiz, Gelson veio ainda dar mais cor à segunda parte e deu a volta ao resultado, marcando o golo 5.000 do Sporting na Liga Portuguesa.

Com o volte-face no resultado e o domínio do encontro, o Sporting baixou os seus tempos de jogo e tentou adormecer a equipa beirã, que pouco criou perigo nos primeiros trinta minutos da segunda parte, mas tudo mudou com as entradas de Piojo e Salva Chamarro.

De novo numa jogada de contra-golpe, e aproveitando a parca celeridade de Jefferson, Chamarro isola-se e bate Boeck, para restabelecer de novo o empate e a consequente divisão de pontos na partida. O Sporting acabou por consentir dois golos em que a falta de reacção – e velocidade – da defesa foram notórias e com isso perder dois pontos que poderão ser essenciais rumo ao título.

Um jogo que acaba por castigar mais o Sporting do que enaltecer a atitude do Tondela em campo, que acaba por ser feliz no resultado que consegue no reduto do ainda líder do campeonato nacional. Já os leões têm alguns motivos de queixa da arbitragem do árbitro bracarense mas, também tem que se queixar da inércia que demonstraram em campo nos primeiros 45 minutos.

Conferência de Imprensa

Pergunta BnR: O Tondela tem neste momento nove pontos e está a sete dos lugares de manutenção, este empate sabe a vitória e irá conseguir moralizar os jogadores para uma segunda volta a um nível superior à primeira?

Petit: A equipa está a assimilar bem as ideias e ainda acreditamos na manutenção.

A Figura:

Gelson Martins – O jovem leonino ficará na história como o marcador do golo 5.000 dos leões no campeonato mas merece muito mais destaque do que essa mera referência; Gelson foi essencial na temporária reviravolta leonina e deu ao Sporting tudo aquilo que precisava: Velocidade, irreverência e a capacidade de colocar a defesa do Tondela em sentido.

O Fora-de-Jogo: 

Luís Ferreira – Esteve bem no lance de Tikito na área (ainda que ajudado pelo auxiliar), mas pecou a nível disciplinar e em alguma dualidade de critérios em pequenas – grandes – situações que tornaram o jogo quezilento e sem grande fluidez. Já a grande penalidade, dou o benefício da dúvida porque também interpretei, numa primeira abordagem, como grande penalidade. Veremos se terá também nota negativa.

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