A CRÓNICA: DEPOIS DO TROPEÇÃO, VEM A REAÇÃO

O mote tinha sido dado por Rúben Amorim depois do tropeção do Sporting em Famalicão, e os jogadores ouviram bem a mensagem: num claro rugido de revolta, o Leão foi demasiado letal e venceu por 3-0 um Castor em claras dificuldades durante todo o encontro, garantido a passagem à próxima eliminatória da Taça. É caso para dizer: “Onde vai um Leão, vão todos em busca de chegar ao Jamor”…

O Sporting entrou com a clara intenção de marcar logo nos primeiros minutos, pressionando altamente o Paços que, ao contrário do que se verificou na Luz, não estava a conseguir impor o seu jogo e sair a jogar. O primeiro lance de perigo surgiu aos 11 minutos pelos pés do espanhol Pedro Porro que se livrou da marcação de três defensores pacenses com uma bela finta de corpo e rematou para uma defesa difícil de Jordi Martins. Três minutos depois, seria o capitão Coates a estar perto de marcar na sequência de um canto, contudo o desejo de celebrar acabou por não se concretizar.

As duas ocasiões para o lado da casa não abalaram o conjunto visitante que conseguiu estabilizar o seu jogo a partir do minuto 20, mas a vontade verde e branca de continuar o caminho até ao Jamor falou mais alto: minuto 27, o cabeceamento de Nuno Santos deixou Tiago Tomás na cara de Jordi, e o avançado não desperdiçou a oportunidade para inaugurar o marcador em Alvalade. O golo marcado veio tranquilizar o Sporting, embora a procura por mais golos não fazia abrandar o ritmo, sobretudo o lado esquerdo formado pela dupla N (Nuno Mendes e Nuno Santos) que estavam em grande plano de evidência até ao momento.

Pela primeira vez titular, Bruno Tabata também estava a exibir-se bem e podia ter celebrado esse facto com um golo à passagem do minuto 41 após uma bela jogada coletiva, só que, em zona de tiro, o seu remate saiu muito por cima. O brasileiro deve ter visto o filme “Déjà Vu” do já falecido realizador britânico Tony Scott, pois voltou a ter um lance (um pouco) idêntico, mas desta vez acabou por dar em golo: após um bom trabalho de Tiago Tomás, o número sete recebeu a bola e atirou em arco para um belíssimo tento que aumentou a diferença para dois golos mesmo antes do descanso.

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Bastante descontente com a exibição na primeira parte, Pepa lançou no reatamento da partida Uilton Silva e Mohamed Diaby para os lugares de Hélder Ferreira e Bruno Costa respetivamente. Os visitantes tentaram esboçar uma reação e conseguiram até encostar o Sporting à sua área, trazendo maior interesse a um jogo que já estava bem encaminhado para a turma de Alvalade. A boa intenção forasteira não se estava a traduzir em oportunidades, sendo que o único lance digno de registo foi o livre frontal de Martín Calderón que não causou perigo a Adán ao minuto 62.

Como já estamos habituados à velha máxima “Quem não marca, sofre”, foi sem supresa que apareceu o terceiro: livre batido na perfeição por João Mário para a cabeça de João Palhinha que se estreou a marcar nesta temporada e aumentou a diferença no marcador aos 64’. O alcance do 3-0 permitiu ao técnico Emanuel Ferro fazer mudanças para poupar alguns jogadores como João Mário, e fez entrar Matheus Nunes e Sporar para o que faltava disputar da partida. De seguida, assistiu-se a um pequeno festival de desacerto da dupla atacante entretanto formada por Tiago Tomás e Sporar, o que impediu o aparecimento do quarto golo em quatros lances praticamente seguidos uns dos outros (68’, 71’, 76’ e 83’).

O tempo correu a passos largos para o fim, e, até se ouvir o apito do árbitro para o final do jogo, não aconteceu mais nada que fosse importante registar, a não ser o facto do Sporting garantir a passagem à eliminatória seguinte da “Prova Rainha”. Um triunfo claro e sem grandes motivos de discussão, em que o discurso aguerrido de Rúben Amorim uniu os jogadores para que mostrassem uma face distinta daquela exibida em Famalicão. Onde vai um Leão, vão todos e a ambição em garantir a presença no Jamor fez a diferença na partida em Alvalade.

 

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Tiago Tomás – O regresso à titularidade do jovem avançado leonino foi em grande: desde o triunfo frente ao CD Tondela que o número 19 não começava de início, e aposta foi acertada. Abriu o marcador e assistiu para o 2-0, mostrou sempre disposição para dar uma solução para o jogo leonino ofensivo progredir. Não fosse o desacerto na segunda parte e Tiago Tomás poderia ter festejado por mais vezes no jogo de hoje.

O FORA DE JOGO

Sporting CP x FC Paços de Ferreira
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Bruno Costa – O número dez dos pacenses até tem sido um dos grandes destaques neste excelente início de época da equipa da Cidade do Móvel. Contudo, o médio passou totalmente do jogo, não conseguindo ter bola e isso acabou por ser um dos grandes motivos para o Paços não ter criado qualquer lance de perigo na primeira parte. Foi sem surpresa que acabou por ficar no balneário, tendo sido rendido por Diaby no reatamento da partida.

 

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

Após o tropeção em Famalicão, o Sporting pretendia dar uma resposta em grande na eliminatória da Taça de Portugal. Rúben Amorim fez três mudanças face ao jogo anterior: regresso de Nuno Mendes recuperado de lesão, Tabata rendeu o castigado Pedro Gonçalves e Tiago Tomás voltou a ser titular, ocupando o lugar de Sporar. O 3-5-2 leonino continua a mostrar grande qualidade e excelente dinâmica ofensiva, daí que a passagem à próxima eliminatória da Taça nunca tenha estado em verdadeiro perigo.

No primeiro tempo, a dupla N (Nuno Mendes e Nuno Santos) estiveram a todo o vapor no lado esquerdo, sendo que as boas jogadas foram criadas neste flanco. Os dois golos apontados antes do intervalo vieram dar justiça ao resultado que premiava uma exibição positiva até ao descanso. O início da segunda parte pressionante do Paços ainda deixou o Leão em aviso para não relaxar, só que o golo de Palhinha selou completamente a vitória verde e branca. Ainda se assistiu a uma sequência de falhanços de Tiago Tomás e Sporar que impediram o avolumar do marcador.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

António Adán (6)

Pedro Porro (6)

Zouhair Feddal (6)

Sebastián Coates (6)

Luís Neto (6)

Nuno Mendes (7)

João Palhinha (6)

João Mário (6)

Bruno Tabata (7)

Nuno Santos (6)

Tiago Tomás (8)

SUBS UTILIZADOS

Antunes (5)

Matheus Nunes (5)

Andraz Sporar (5)

Gonzalo Plata (-)

Gonçalo Inácio (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – FC PAÇOS DE FERREIRA

Depois da boa exibição conseguida contra o SL Benfica, o conjunto pacense apresentou-se na Luz no seu típico 4-4-3 com três alterações face à última partida: Marco Baixinho, Luiz Carlos e João Amaral foram titulares no encontro da Taça de Portugal. A forma como o Paços jogou fazia prever um jogo disputado em Alvalade, mas as previsões iniciais saíram totalmente erradas…

Talvez algum desgaste da partida na Luz, os comandados de Pepa não evidenciaram a postura irreverente e aguerrida e sentiram grandes dificuldades para criar lances de perigo a Adán. O não aparecimento de Stephen Eustáquio e Bruno Costa pode muito bem explicar esta exibição mais pálida durante os primeiros 45 minutos. O descanso fez bem aos castores que entraram com vontade de reagir à desvantagem no marcador e até conseguiu encostar o Sporting à sua área, mas o golo de Palhinha travou essa tentativa de reação. Um jogo que Pepa quererá rapidamente esquecer certamente.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Jordi Martins (5)

Fernando Fonseca (5)

Hélder Baixinho (4)

Marcelo (4)

Oleg (5)

Luiz Carlos (4)

Bruno Costa (3)

Stephen Eustáquio (4)

João Amaral (5)

Hélder Ferreira (4)

Douglas Tanque (4)

SUBS UTILIZADOS

Uilton Silva (4)

Mohamed Diaby (4)

Martín Calderón (4)

Adriano Castanheira (4)

João Pedro (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Sporting CP

BnR: Focando na exibição de Tiago Tomás, a equipa técnica sente que ele rende mais como a referência do ataque leonino ou a atuar como ala?

Emanuel Ferro: Cada jogo é um jogo, e a estratégia que procuramos implementar é em função dessas caraterísticas e o rendimento de um jogador numa ou outra posição depende muito disso. O Tiago (Tomás) é um avançado que, no nosso modelo, as suas caraterísticas podem funcionar como ponta de lança ou jogando mais a ala, e sentimos que tendo essa polivalência em duas posições ofensivas, a sua contribuição pode ser mais produtiva, em função também dos momentos do jogo. Inclusive já jogou na direita em alguns períodos de jogos anteriores porque o nosso modelo também o permite, e sobretudo a identificação dos jogadores com o mesmo acaba por facilitar a sua integração em diferentes posições.

FC Paços de Ferreira

BnR: Em relação ao jogo na Luz, o Paços de Ferreira sentiu algumas dificuldades para sair a jogar durante o primeiro tempo. Sente que isso foi um dos motivos que explicam a derrota de hoje? E o que disse aos seus jogadores no descanso para mostrarem uma postura mais aguerrida no início da segunda parte?

Pepa: Pagamos muito caro esta frequência de jogos, e, na verdade, já na primeira parte sentimos um desgaste emocional fora do normal. Muita precipitação com bola, não estávamos a conseguir encurtar as segundas bolas, o Sporting conseguia ligar dentro para depois procurar a profundidade com a bola descoberta de uma forma constante e a verdade é que na primeira parte estivemos irreconhecíveis. Sabíamos da dificuldade da sequência de jogos – Benfica, Sporting e Porto na quarta -, mas tínhamos de estar ao nosso melhor nível não só em termos físicos, e, quando digo físicos, advém muita coisa.

A concentração num jogo tem um desgaste tremendo: o facto de ter de estar ligado e concentrado o jogo todo, encurtar espaços e coberturas, e nós sentimos rapidamente desde a primeira parte que isso não estava a acontecer. E quando assim é, encontramos um Sporting que está muito bem e a atravessar uma fase tremenda. Quando não estamos ao nosso melhor nível, torna-se praticamente impossível discutir o jogo e assim foi na primeira parte, em que o jogo ficou praticamente arrumado. No segundo tempo, tentámos reagir, mas mais uma vez sem o discernimento normal, embora fizemos de tudo para fazer um golo e voltar à discussão do resultado, mas sem sucesso.

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