Publicidade

Sporting CP como eterno terceiro é o objectivo? E mesmo esse será garantido?

Nuno Almeida · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Mais uma época futebolística que está a acabar e, como em anos anteriores, o Sporting CP tenta conservar o terceiro lugar, “o seu lugar” como ouvi alguns adeptos rivais dizer. Já os adeptos sportinguistas pouco mais têm a argumentar além da enorme História que o Clube conseguiu construir.

O problema da História é que esta ficou no passado e não nos garante vitórias para o futuro. Pode dar outro suporte ao clube, permitindo-lhe construir um futuro mais promissor que outros clubes menos ricos em passado glorioso, no entanto só com competência de quem dirige o clube e a entrega e identificação dos atletas que o representam, poderá continuar a construir e valorizar a sua história.

O passado glorioso, por si só não nos garante nada, por isso, de pouco nos vale andarmos a apregoar que somos um clube grande pelo passado que tivemos.

Depois temos a questão de comparação com a grandeza, a história, e as conquistas dos nossos rivais. Se a grandeza se mede pelas conquistas, uns serão maiores que outros, e se deixarmos de ganhar, comparativamente aos adversários, deixaremos de parecer tão grandes, podendo mesmo começar a ver outros aproximar-se (ainda que para isso tenham muito para ganhar).

Há uns anos a esta parte temos tido vários presidentes de clubes a tentar equiparar-se ao Sporting CP. CD Nacional, Marítimo SC e mais recentemente SC Braga, têm tentado implementar o “SoundByte” de serem do mesmo campeonato do Sporting CP. E a verdade é que os dois primeiros não se aguentaram a acompanhar o “nosso” campeonato, no entanto o terceiro tem crescido, principalmente em termos de qualidade futebolística, ficando apenas a faltar os títulos.

De qualquer forma, todos os clubes tentam construir a sua história e valorizá-la com títulos, pelo que, a manter este ritmo de conquistas, daqui a uns anos o Sporting CP pode ver algum dos pretendentes ao pódio aproximar-se.

A sorte do clube leonino é que os outros clubes sofrem do mesmo problema para conseguirem amealhar troféus. É que em Portugal há dois “eucaliptos” que deixam todos os que os rodeiam na seca. Portanto, não será fácil outro clube sequer aproximar-se do número de títulos conquistados e expostos no museu de Alvalade. No entanto, espero que o nosso presente não passe de ser o eterno terceiro para ser o eterno quarto, porque apesar de tudo, o terceiro ainda nos traz vantagens que o quarto não traz.

Custa estar aqui a defender que um clube como o Sporting CP, com milhares de sócios (agora menos alguns), esteja preocupado com um terceiro lugar que apenas dá acesso a uma Liga Europa que dá aos clubes pouco mais que peso no calendário. Custa estar preocupado em assegurar os primeiros dos últimos (o segundo lugar ainda dá possibilidade de acesso a uma Liga dos Campeões que possibilita acesso a muitos milhões de euros, essenciais à sobrevivência dos clubes portugueses). Custa perceber que para além do tão mal-amado fosso do estádio Alvalade XXI, vemos também aumentar o fosso entre nós e os outros dois crónicos vencedores do campeonato Português.

O terceiro é melhor do que o quarto? Não me parece. Mas infelizmente, como numa corrida de ciclismo (que também já deixámos de ter) encabeçamos agora o grupo perseguidor. Porque o grupo líder já vai longe e não parece possível de alcançar, pelo menos se mantivermos este percurso, esta liderança e esta mentalidade de nos contentarmos com um mal menor.

O Sporting CP não pode continuar a viver do passado. É imperioso voltar a ganhar, e de uma forma regular.

Nuno Almeida

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Torreense ‘Til I Die On The Beach

O Sunderland é uma das equipas mais românticas desta edição da Europa League. Não pelo futebol, mais próximo da ideia genérica do futebol inglês e britânico e pouco dado a estéticas e modernidades, mas pela história de um clube tradicional que, aos olhos de todo o mundo, desceu à 3.ª Divisão, fez o caminho das trevas e, à primeira, garantiu o acesso às competições europeias. Nesta caminhada, a série «Sunderland ‘Til I Die» ajudou o clube do Nordeste de Inglaterra a tornar-se mais global, solidarizando e sensibilizando adeptos de todo o mundo. No que toca a ter as ruas do seu lado, há poucos clubes mais bem posicionados do que o Sunderland. Um deles, ainda assim, é o Torreense. Por mais que seja interessante olhar para lá do óbvio, não nos podemos esquecer, em qualquer análise, que a competição para o emblema de Torres Vedras é altamente desigual. Enquanto se debela com um arranque de época delicado na Segunda Liga, o Torreense vai usando a Europa League como uma diversão cada vez mais competitiva, como uma montra de luxo para se publicitar enquanto clube e como uma recompensa merecida a um feito extraordinário. Este carinho natural para com o outsider roubou algum do protagonismo à primeira deslocação europeia do Sunderland em 53 anos. E, mais do que os dados lançados antes do jogo, o rumo dos 90 minutos ajuda a ganhar um sentimento de identificação com o Torreense.

Diogo Ribeiro · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.