Costuma dizer-se que só sentimos saudades falta de algo ou alguém quando somos privados de estar com essa pessoa ou frequentar algum lugar. 

Ultimamente, começamos a identificar rotinas que tínhamos, às quais já nem dávamos importância e muitas vezes até nos faziam sentir frustrados e que, agora, porque não as podemos concretizar, nos fazem falta. 

Ora, há uma dessas rotinas, que, não podendo ser considerada de menor importância pelas sensações que sempre provoca, nos cria uma maior frustração por não a podermos concretizar. As romarias ao José Alvalade. 

Sinto falta do friozinho na barriga nas manhãs de sábado ou domingo por pensar que é dia de jogo, que daí a poucas horas já estaria a vestir a verde e branca listada e a distribuir os cachecóis pelos meus filhos para nos metermos a caminho do estádio. 

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Sinto saudades de, a caminho do estádio, começar a ouvir cânticos de apoio ao Sporting CP, e os meus filhos começarem à procura das colunas verdes do estádio por saberem que isso indicaria estarem a chegarpara poderem pedir uma bifana. Porque não se pode começar o jogo sem que se passe pelas roulottes para alimentar o corpo, antes de alimentar a alma assim que entremos no belo José Alvalade. 

“Pai, já podemos entrar?”. As saudades daquela ansiedade de entrar e dar de caras com aquele verde do relvado, aconchegado pelas bancadas pitorescas do nosso lindo estádio. Aquele momento de estar a chegar ao acesso à bancada e ver, ao fundo o teatro onde toda a magia se passa, esmaga-nos. Para ser sincero, é essa a minha maior saudade, ainda mais do que os jogos, até porque esses ainda os vamos podendo acompanhar pela televisão.

Alvalade XXI é a casa de todos os sportinguistas e, atualmente, os adeptos leoninos sentem-se órfãos
Fonte: Sporting CP

As saudades que eu tenho de ouvir o “Mundo Sabe Que…” e ver os meus filhos a delirar com o ambiente e rodopiar o cachecol aos saltos a gritar o “só eu sei porque não fico em casa”.

“Pai. Já é intervalo? Quero um cachorro quente.” Saudades até de ter de me levantar e ir para a fila apenas para comprar cachorros quentes para a família. É fome? Não, é apenas o ritual. Algo que nos faz sentir bem. Algo que nos faz sentir em família. A minha família a vibrar juntamente com a nossa família. 

E o futebol? Onde fica? Muitas vezes é o que menos importa. É certo que no final do dia, a caminho de nossas casas, ou simplesmente a caminho do carro, é sempre melhor vir a comentar as grandes jogadas e golos bonitos do que do penalty que ficou por marcar, pelo erro deste ou daquele jogador. Porém, cada ida ao José Alvalade, seja com que resultado for, faz-nos voltar com boas sensações. As sensações de um “voltar a casa”. E como é sempre bom voltar a casa!

“Pai, o Sporting é o melhor” – Pois é filho, ainda que neste ou naquele momento não tenha sido, senti-lo-emos sempre como o melhor. 

O que é nosso, o que amamos, parece sempre perfeito aos nossos olhos. E mesmo que aconteçam erros, desilusões, tudo é ultrapassado por amor.  

Por amor continuo a apoiar o Sporting CP, a voltar a “casa” para apoiar a equipa (assim que seja possível), a perdoar as desilusões que vamos passando, porque o Sporting CP é nosso. E não podemos abandonar o que é nosso. 

Quero poder voltar a “casa” rápido e poder mostrar porque não fico em casa (assim que seja seguro). O mundo sabe!

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