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Desde bem pequenos que nos habituámos a ser ameaçados pelo “papão” sempre que não seguíamos as regras que os adultos nos impunham. Portanto podemos considerar que este “ser” serviu, não só para nos aterrorizar, mas ajudar a educar-nos, ainda que através do medo.
Ora, muitos dos nossos rivais, se não todos, estejamos nós bem ou mal classificados, sempre nos relembram o mês de Dezembro, ou mais resumidamente a época do natal, quando nos querem tentar recordar que já estamos longe da luta pelo título, ou que se está a chegar o momento de começar a perder o “comboio”, conforme cada situação.
Isto surgiu, não porque vivamos uma malapata à “Bella Gutman”, como nos querem fazer crer, mas apenas porque durante muitos anos fomos de tal forma incapazes em termos de competitividade (e, como sabemos, muitas vezes não exclusivamente por culpa própria) que, efectivamente, depois de três meses de competição já estávamos longe dos primeiros lugares.

Fonte: Ricardo Galvão Cartoon
Esse papão que nos tentam criar no subconsciente cada vez é menos realista muito porque nos últimos anos nem na páscoa nos mete medo. Costuma-se dizer que há males que só se tornam fortes se acreditarmos que efectivamente existem, e não acreditando, os mesmos perdem força até que desapareçam. Assim sucede aos jogadores do Sporting, ao acreditarem em si mesmos, nas suas qualidades, e que, se lutarem e correrem muito mais que os outros conseguem lutar -pelo menos lutar – por títulos até maio.
Nestes últimos anos, o papão natal está a desvanecer-se, e este ano, mais uma vez, estamos a receber indicadores de que esse “monstro” vai receber mais um tratamento de desprezo por parte da nossa equipa de futebol. O papão vê-nos a encostar novamente ao primeiro lugar, logo nas primeiras horas do malfadado mês de Dezembro, e quase apanhava mais um susto não fosse aquele autogolo do Coates em Alvalade contra o “Barça”, ou mais um golo tardio da “Juve”. Por este andar, o “bicho” não tarda a fazer as malas e a abalar para outras paragens. Algo que me faz acreditar ainda mais nisso é o facto de as equipas treinadas por Jorge Jesus, por regra, fazerem segundas voltas mais fortes que as primeiras.
Em Alvalade já não se acredita em papões. Já crescemos bastante, como equipa e clube para nem sequer acreditarmos em Pais Natal ou milagres. Se queremos algo teremos que lutar por isso, contra tudo e todos, sem medo dos papões do futebol, e sem cairmos no erro de acreditar que teremos algo no sapatinho por sermos meninos bem-comportados. Já nos conseguimos livrar dos condicionalismos psicológicos que muitos “adultos” do futebol português nos andaram a impor anos a fio, tentando “educar-nos” que ser segundo e terceiro já não era mau, conseguindo que nos tornássemos conformados.

Fonte: Sporting CP
Ainda assim, pelo sim pelo não, vou continuar a pedir ao menino Jesus que afaste do nosso clube alguns “diabos” e “anjos negros” que sistematicamente surgem com maus presságios, em maus momentos ou nos que para eles são os melhores para criar desestabilização e descredibilização. É que, ainda que eu diga e acredite que efectivamente o papão está prestes a mudar-se de Alvalade, muitos são os que continuam a assobiar-lhe ao ouvido tentando convencê-lo a ficar, ou caso não consigam, tentando criar novos “bichos papões” que ensombrem o nosso clube.
E para os que nos querem fazer acreditar em papões, cuidado, que de tanto falarem do mesmo o podem atrair para as vossas cores. E estou a avisar por estar já imbuído do espírito natalício, e me sentir generoso. Assim sendo, feliz Natal a todos, e cuidado com os papões.
Foto de capa: Bola na Rede
artigo revisto por: Ana Ferreira











