O Sporting está a passar por um período negro, que confirma apenas o que toda a gente já sabia, mas não passava de conversa de corredor ou café.

Sempre se falou que em Alvalade morava um clube de condes e viscondes, onde a ralé não tinha lugar. E nós, simples ralé, que sofre verdadeiramente pelo clube, desculpava, mudava de assunto, por não acreditar ou não querer acreditar nessa realidade que nos tentavam descrever.

Estes últimos tempos tem mostrado a todos que o Sporting é efectivamente um clube burguês, que se serve do povo. Percebemos agora que uma elite viveu, nos últimos cinco anos o seu período mais crítico ao ser “enganado” por um “puto” que tentou, e conseguiu, chamar ao clube quem realmente importa, os que pagam para ver os jogos da sua equipa.

A burguesia, ao perceber que estava a perder todas as mordomias, mexeu-se, como em qualquer golpe palaciano, para retomar tudo o que estava prestes a perder, e contratou um “Bobo” para nos distrair com os seus saltos, cambalhotas e reviravoltas, enquanto a revolta se consumava.

E toda esta trama é mais fácil de entender agora, apesar de ainda por consumar. Minto. Não consigo entender totalmente, porque apenas quem está habituado a estes “andamentos” conseguirá perceber o alcance de todas estas movimentações, mas consigo ver agora que, pelo menos o “bobo” e toda a máquina que serviu de amplificador da mensagem, estão agora a sofrer de perda de memória temporária.

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Quando o presidente, agora destituído, estava em funções, era acusado de nunca estar disponível para receber listas, assinaturas, marcar assembleias. Passados dois meses, o tal “bobo” bombeiro desliga a sirene e mais ninguém o vê senão para prestar vassalagem a um ou outro candidato a “melhor banqueiro do mundo” ou presidente do Sporting. Que o digam os representantes da lista de Bruno de Carvalho que, sempre que tentou entregar algum documento em Alvalade, foi sempre com a imposição da presença das forças policiais.

Geraldes foi um dos descartados por Peseiro
Fonte: Sporting Clube de Portugal

Há dois meses atrás, ou mais, neste caso, os jogadores faziam birra, mostravam-se agastados e a culpa era do presidente, porque não podia castigar quem era o activo mais importante do clube. Vai-se a ver, e passados uns meses, já se põe um jogador a treinar à parte apenas porque escreveu uma frase nas redes sociais. Nem sequer foi um comunicado. Por coincidência, vemos partir dois jogadores que se mostraram sempre leais ao clube, tomando mesmo posição de opinião contrária aos que haviam rescindido, a dizer que não foram valorizados pelo clube a quem eles juraram lealdade.

Num clube em que se premeia quem o trai, é normal que o Matheus Pereira tenha tentado também a sua birra. E não sei se não iremos ver o mesmo jogador a levar uns tabefes valentes nos próximos dias, para depois poder apresentar a carta de rescisão. Era o que eu faria. Pelo menos teria a garantia de ser recebido como herói quando voltasse, com garantia de prémios e titularidade. Burros foram o Palhinha e o Geraldes…

Ainda quanto a incongruências, e viragens de direcção, desde o início que se via que iria ser assim, ou não tivesse este processo como ponta-de-lança alguém que começou logo por dizer que se demitia, mas que depois já não tinha dito, e que durante varias semanas foi mudando o discurso de possibilidade dos elementos da direção poderem ou não participar na assembleia destituitiva.

Só se admira quem andava distraído. Mas mesmo assim, e porque nós, como portugueses que nem na revolução mais importante do nosso país conseguimos revoltar-nos, não fosse uma classe especifica a ficar descontente com o regime, não me admira que quem continue este golpe se sinta à vontade para acabar com o nosso clube, porque nós somos dos que “ladram” mas não “mordem”.

Quem sabe, como na revolução, nos apareça um golpe de sorte para nos safar desta embrulhada. E pelo que ouvi dizer, parece que um tribunal qualquer deu razão à anterior direção do clube quanto à validade da assembleia distituitiva. Mais um milagre para nos safar, sem que tenhamos feito nada para o merecer? A ver vamos.

Mas se assim não for também não há problema. Continuaremos à espera do próximo Golpe… de sorte.

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

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