Ao que tudo indica, no verão de 2013, o Sporting CP andava atrás de Ghilas para reforçar o ataque. Aquilo que os adeptos leoninos não sabiam era que o melhor ponta de lança argelino estava a caminho de Alvalade, e que este lhes iria dar muitas alegrias, ao contrário daquele que acabou por ser reforço do FC PortoSlimani chegou a Alvalade por uma quantia de 300 mil euros. Pouco se espera de uma contratação com este tipo de valores, pelo que o desempenho do “Super Sli” e a própria urgência de o pôr em campo não eram problemas maiores.

O internacional argelino começou a temporada 2013/2014 como suplente de Fredy Montero. O avançado colombiano fez uma primeira volta de campeonato bastante positiva, tendo mesmo apontado um total de 13 golos, nessa fase da competição. Já na segunda metade da época, e com a baixa de forma do “Avioncito”, Slimani “saltou” do banco e não desiludiu, tendo marcado 10 golos, nos jogos que restaram da temporada. O plantel do Sporting CP tinha aqui duas opções válidas para o setor ofensivo. Slimani assumia a titularidade na época seguinte, já com Marco Silva ao comando dos leões, mas foi com Jorge Jesus que “deu o salto” para outro patamar.

A passagem do “Super Sli” por Alvalade é capaz de ter sido uma das maiores progressões já vistas no clube leonino. A sua evolução tática e técnica foi estonteante, características estas que valeram ao Sporting um grande aproveitamento desportivo e um encaixe financeiro de 30 milhões de euros, com a transferência do jogador para o Leicester City FC, em 2016.

No início do seu percurso por Portugal, Slimani era um jogador fraco tecnicamente e com pouca cultura tática, pelo que é justificável o seu tempo de adaptação, antes de se afirmar na formação titular do Sporting. Porém, eram visíveis várias qualidades: um jogador possante fisicamente, com um bom alcance aéreo e um cabeceamento colocado e potente. Para além destas (e para mim a sua melhor característica), o antigo camisola 9 do Sporting não dava uma bola por perdida, graças ao seu pulmão inesgotável. Neste golo apontado ao Besiktas JK, consegue-se perceber a importância desta característica na eficácia do jogador:

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A célebre época 2015/2016 foi, de longe, a melhor do ponta de lança argelino, visto que apontou 31 golos, em todas as competições. Mas não foram só os golos que fizeram de “Super Sli” um dos grandes avançados dos últimos anos, no campeonato português. O facto de ser uma máquina que pressionava os adversários e os obrigava a jogar mal; a forma como ajudava os colegas na manobra defensiva e ganhava bolas aéreas no meio-campo permitia que estes pudessem iniciar a manobra ofensiva. Basicamente, esta mobilidade que passou a ser sua característica tornou-o num avançado que trabalhava para a equipa, sem descartar a sua veia goleadora.

No 4x4x2 de Jorge Jesus, Slimani era uma grande mais valia, naquela que, apesar de ter sido a época do “quase” para o seio leonino, foi a última em que vimos uma equipa portuguesa a demonstrar uma qualidade superlativa no seu futebol.

Apesar do sucesso que teve em Portugal, com muita pena minha, a carreira do argelino lá fora não correspondeu às expetativas. Desde que saiu do Sporting, Slimani apontou apenas 27 golos nos clubes que representou, quando, em Alvalade, tinha feito 31 numa só temporada.

Um jogador muito querido entre os adeptos, e que demonstrou um carinho enorme na hora da despedida, o “Super Sli” vai sempre ser recordado pelo seu carisma em campo, entrega e pelos 57 golos que cá deixou, muitos dos quais deram grandes alegrias a mim e a todos os sportinguistas.

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo revisto por Joana Mendes

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Há muitos anos que o Miguel tem contacto com o futebol. Desde tenra idade habituado ao nervoso miudinho causado pelo desporto rei, Alvalade acabou por se tornar o palco principal do teatro dos seus sonhos. Jovem aspirante a jornalista e apaixonado pela área da comunicação, escolheu a ESCS para tirar a sua licenciatura. Agora, pretende ganhar asas e rumar até novos palcos.                                                                                                                                                 O Miguel escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.