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Temos oposição?

Nuno Almeida · 4 min

Bruno de Carvalho Jesus
Foto: Sporting CP

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Hoje em dia vivemos numa sociedade egoísta e de indivíduos que preferem aproveitar-se do trabalho e mérito de outros para sobressair. E  no caso da realidade portuguesa, que é a que melhor conheço, e sobre a qual melhor posso opinar, posso dizer que valorizamos muito mais o que não é nosso, preferimos ter inveja dos que têm sucesso em vez de tentar perceber e aprender como o alcançar (a primeira forma dá menos trabalho), e somos muito de nos opormos a determinada ideia, sem saber bem o motivo, para sobressairmos dos demais.

Actualmente, no universo Sporting podemos identificar principalmente as últimas duas ideias descritas acima, onde sobressai uma pequena célula de contestação à actual direcção. Isto porque essa não aponta um caminho, apenas diz que o que se está a seguir não é bom.

Eu entendo que não tenhamos que aceitar tudo o que foi ou está a ser feito; no entanto, há uma forma extremamente eficaz para reprovar ou não o trabalho realizado, ou seja, as eleições. Elas são feitas para eleger alguém com novas ideias para o clube, ou para dar aval às que estão a ser colocadas em prática. Para além de ser a mais eficaz, é também a mais democrática e a que menos desestabiliza o dia-a-dia do clube, dos sócios, direcção, técnicos ou atletas.

Tudo o que esteja além disto é só ruído exterior que tem o único objectivo de tentar tirar-nos força, e a recuperação, a todos os níveis, do nosso clube.

Se há momento para aparecer uma oposição à direcção em funções, por não se concordar com o modelo, é agora. Mas uma oposição identificada, com rostos, com ideias, com algo que valorize o clube. Não queremos, pelo menos eu não, oposições que se escondem em papéis e flyers, que lutam como grupos de guerrilha, que lançam um ataque e se escondem até uma nova oportunidade. Isso não é de quem queira bem ao clube. É de quem simplesmente tem ódios pessoais por resolver e de quem quer vingar através do clube, ainda que isso o enfraqueça.

Um clube que tenha este tipo de oposição desestabiliza os elementos da direcção, e descredibiliza-os junto dos outros órgãos que gerem o futebol. Porque esses órgãos, se tiverem que tomar uma decisão que vá ao encontro dos interesses de um clube e em desfavor de outro, mais facilmente sentirão vontade de prejudicar quem esteja preocupado com lutas internas, e em constante convulsão.

Eu entendo que haja sempre uns “espertos” que tentem aproveitar os momentos menos bons para escalar, e esta proximidade de eleições juntamente com os maus resultados (ou menos bons) preocupa-me. Naturalmente as fracas prestações já seriam razão suficiente, mas se este ano não for tão bom em termos de resultados desportivos (no futebol), para as eleições poderão aparecer alguns “bonecos” (dos que andaram escondidos) que se possam aproveitar para nos desviar do caminho de recuperação até agora encetado.

Mas como disse antes, se for através de eleições que eles consigam entrar no clube, terão toda a legitimidade dada por quem votar neles, os sócios Sportinguistas.

A verdade é que nisto tudo tenho também a convicção de que ninguém se apresentará como candidato opositor, porque um rato será sempre um rato, e se o foram até agora não o vão deixar de ser de um dia para o outro.

A verdade é que há razão para insatisfação quanto aos resultados e às exibições da equipa de futebol. E para isso já foram apontados muitos motivos. Ou porque o treinador não sabe comunicar, não sabe motivar, ou porque o presidente e o treinador não se falam, ou porque os jogadores se fartaram do treinador.

Pode ser tudo isto, como também pode não ser nada disto. No entanto, e para não deixar dúvidas a ninguém, o presidente só precisa de entrar no balneário e dizer que conta com o treinador e que os jogadores terão que se unir entre si e com a equipa técnica para voltar às vitórias.

Bem sei que fica difícil tornar esta medida credível quando temos o treinador sempre a chorar de saudade pelos que já não estão, e a desvalorizar os que tem, mas também aí terá que se encontrar alguém que o ajude a melhorar a comunicação, ou que simplesmente não o deixe comunicar para o exterior. Porque mandá-lo embora seria só um tiro no pé, uma vez que ele já colocou esta equipa a jogar bom futebol, e depois haveria o problema do prémio que teria de se pagar ao mesmo.

Bruno de Carvalho tem de decidir; a estabilidade é a melhor aposta Fonte: Sporting CP
Bruno de Carvalho tem de decidir; a estabilidade é a melhor aposta
Fonte: Sporting CP

Ouvi que o especialista motivacional deixou de trabalhar com JJ. Se for verdade, precisa de ser substituído; se não for verdade, o especialista está a trabalhar mal. Um jogador é como qualquer trabalhador. Precisam que sejam exigentes com eles, que lhes cobrem profissionalismo, mas têm de receber também o reconhecimento quando têm mérito. Se não o fizerem, os jogadores desmotivam, deixam de acreditar nas ideias do seu líder, e será difícil restituir credibilidade ao treinador junto da equipa.

Na minha opinião, a situação irá resolver-se através da aposta na continuidade, e tentando melhorar aspectos que têm de ser melhorados. Tudo o que seja diferente disto será um retrocesso em relação ao caminho percorrido.

Mas o barómetro de tudo isto serão as próximas eleições, onde poderemos perceber se há novas ideias, alguém com melhores soluções para o clube, ou se os sportinguistas estão satisfeitos com o que está a ser feito, e o barulho que agora se ouve e só mesmo para desestabilizar.

Foto de capa: Sporting Clube de Portugal

Nuno Almeida

Redação Bola na Rede · ver artigos