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Todos ralham…

Nuno Almeida · 5 min

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sporting cp cabeçalho 1A guerra da informação no futebol está ao rubro. Está como nunca esteve, e promete não ficar por aqui.

Nesta, como em todas as guerras, existem baixas “civis”, decisões difíceis de tomar, mas necessárias, pessoas sem escrúpulos a usar toda e qualquer estratégia para ganhar vantagem sobre o adversário: negociações, espionagem, e muito, mas muito jogo sujo. Muitas destas vertentes, se não todas, já se verificaram e continuarão a observar neste “bate-boca” que enche diariamente as várias emissões e publicações jornalísticas. E não podem, por isto, culpar apenas uma pessoa, uma classe, ou apenas uma instituição. Todos têm culpa e, no entanto, essa irá morrer solteira. Ninguém vai assumir que a certa altura também errou, e contribuiu para este ruído que destrói a imagem do futebol em Portugal.

Já vimos directores de comunicação contra directores de comunicação, esses contra dirigentes, jornalistas contra dirigentes e até o oposto: órgãos de comunicação a tomarem partido sem se preocuparem minimamente com uma tal de “isenção” que deveria fazer parte da sua ética deontológica. A comunicação de um clube não deveria ter como principal função defender a sua instituição de ataques exteriores e enviar ataque reactivos. Deveria sim servir de meio de informação e promoção para os adeptos e sócios, e “vender” a melhor imagem institucional para que potenciais sócios, adeptos e patrocinadores se sintam atraídos.

Por exemplo, este departamento, no meu clube, se não estivesse tão concentrado nas guerras em que se tem mantido, poderia ter mais tempo para, em conjunto com as equipas de marketing, encontrar uma boa opção para levar mais famílias, não apenas ao futebol, mas a participar nos tais “dias de Sporting”, sendo que, neste momento, para eu levar a minha família (apenas o meu agregado) a participar a um desses eventos teria que gastar uns bons cem euros (isto com apenas um jogo de futebol e um de futsal; e isto a preços de sócio). Bem sei que a alguns não custa dá-los, e a mim também não, mas como tenho outras responsabilidades, e bocas para alimentar, já penso duas vezes. (Não digo que não mantenha essas guerras, que muitas vezes lhe são trazidas à porta por outros, mas que não se dedique em exclusivo a isso).

Bruno de Carvalho tem de continuar a colocar sempre o Sporting em primeiro lugar Fonte: Facebook oficial de Bruno de Carvalho
Bruno de Carvalho tem de continuar a colocar sempre o Sporting em primeiro lugar
Fonte: Facebook oficial de Bruno de Carvalho

Um presidente deve defender sempre o seu clube, e deve servir o mesmo sempre, mas não deve servir-se dele para se autopromover. Bem sei que outros o fazem, mas não gosto quando o meu presidente o faz, e o mais flagrante foi usar os meios de comunicação e as instalações do clube para comunicar uma parte da sua vida pessoal. Continuo e continuarei a apoiar Bruno de Carvalho pelo excelente trabalho que tem feito pelo nosso clube, que até há pouco tempo se encontrava moribundo desportiva e financeiramente, no entanto apoio-o apenas porque ele está a ajudar o meu clube. Assim que vir que se está a tornar mais um que se está a servir do clube, terá que ter o tratamento que outros ex-presidentes estão a ter neste momento. Terá o meu apoio enquanto servir o clube como o fez até agora.

Um jornalista deve ser isento, e tratar todos os agentes de igual forma. Pelo que, ao pronunciar-se individualmente sobre um presidente de um clube, o deverá fazer também relativamente aos outros que podem até estar implicados em coisas bem mais graves. Se não se pronunciar, então ou está a dar tratamento preferencial, ou está a levar para o campo pessoal, e aí já não é um jornalista ou um profissional, mas apenas alguém parcial que usa canais oficiais, e em posição privilegiada e supostamente isenta, para fazer passar o seu ponto de vista inquinado pelo “ódio” pessoal. Porque, como alguém disse há uns dias, um jornalista não se pode basear em “achismos”, e uma opinião sobre outra pessoa não passa disso mesmo, e aí já não está a ser jornalista, e não se pode proteger atrás do seu profissionalismo e isenção.

Outro problema da comunicação é o facto de uns poderem e outros não. Porque os árbitros podem usar “alhos e bugalhos” contra os jogadores, obrigando-os a cumprir as suas premissas, e pedem depois respeito por parte dos mesmos. Respeito esse que é ainda mais difícil de alcançar quando se mente. É que expulsar um jogador por palavras é normal, o que já não é normal é acrescentar palavras ao discurso de um jogador para justificar essa mesma expulsão. Porque será que sentiram necessidade de inventar e mentir sobre essa situação? Não se estariam a sentir seguros sobre a acção que tomaram?

Todos ralham e todos perdem a razão a determinada altura. E para que isto termine e não se passem ainda mais os limites, teria que haver um intermediário, fosse ele federação ou estado. No entanto, a federação está refém dos clubes, e se a sua direção se quiser manter em funções não pode confrontar certos poderes, e o estado está dependente de eleições que serão ganhas por eleitores que estão bem mais preocupados se o seu clube é prejudicado do que se os seus interesses como cidadãos são assegurados. Porque como alguém dizia, se “abrem a boca, logo aparece um exército atrás de si”.

No futebol, a comunicação é hoje usada como uma força para o mal, que é apenas evocada para destruir algo ou alguém, ou usar para proveito pessoal, e assim, no fim, todos irão sair a perder. E os órgãos de comunicação, que deveriam servir apenas para informar, decidem tomar partido, e a partir daí ficamos sem um lado bom da força para lutar contra tudo o resto.

Infelizmente, todos sabemos que o futebol não se decide apenas dentro das quatro linhas Fonte: Sporting CP
Infelizmente, todos sabemos que o futebol não se decide apenas dentro das quatro linhas
Fonte: Sporting CP

Bem sei que não é fácil viver num ambiente de desinformação e contra-informação, mas peço aos dirigentes do meu clube que tentem promover o seu clube, e esqueçam outros que vivem apenas para destruir. E que não sejam daqueles que pedem para se preocupar apenas com o seu clube quando depois as ações demonstram o contrário. Sejam efectivos e sejam apenas por um Sporting mais forte.

O resto é paisagem, apesar de neste momento não ser algo bom de ver e sentir, ainda mais quando também nos tentam destruir. Mas alguém tem que parar isto, tomando o primeiro passo, e que seja o Sporting. Não digo que deixe de trabalhar para limpar o futebol, mas pelo menos que o consiga fazer com menos “petardos” para o ar.

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal

artigo revisto por: Ana Ferreira

Nuno Almeida

Redação Bola na Rede · ver artigos