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Este talvez venha a ser o mais curto, ou mais longo, artigo de opinião, conforme o desenrolar dos acontecimentos e sentimentos que se reviram na minha mente, por olhar para o meu clube e não perceber nada do que se está a passar. Não percebo eu, nem 99% dos senhores da verdade e de tudo saber, que andam agora nos malfadados facebooks, colunas de jornais ou programas de debate.
Sempre defendi o presidente Bruno de Carvalho pelo trabalho de sapa que fez pelas finanças do clube, pelo orgulho sportinguista, pelo retorno das modalidades aos grandes momentos, mas nunca consegui aceitar a comunicação usada. A comunicação que começou por ser uma das diferenças com que este presidente se apresentou, dando a conhecer, em tempo real, ou quase, todas as movimentações, todos os acordos, todos os sucessos e retrocessos, mas como já diziam os antigos, o que é demais enjoa, e porque se começou a misturar comunicação com guerrilha, acabou com tiros por todos os lados.
Quem vai sofrer com isto? Não vai ser o Bruno de Carvalho, os jogadores, treinadores (que terão outros projectos em vista), mas sim o Sporting e os Sportinguistas. Vai sofrer quem vive o clube como algo que fez, faz e fará parte das suas vidas, lhe provoca alegrias e frustrações. Porque, quando o clube voltar a lutar por lugares entre o sétimo e o terceiro é que os que, a qualquer problema que surja, se levantam das cadeiras a abanar lenços, ou os guardanapos usados para segurar o croquete, vão dizer que tinham saudades do “coreano”, esse sim sentia o clube e lutava contra todos em prol do Sporting. “Lá tinha um defeito ou outro, mas fez um grande trabalho. Porque defeitos todos temos, não é verdade?”. É a tal história de que só se é boa pessoa depois de morto.

Fonte: Sporting CP
Mas como também se costuma dizer, “Rei morto, Rei posto”, ainda isto não tinha tomado estas proporções e já se alinhavam candidatos. Até parecia que isto já estava preparado. Quando em outros momentos, mesmo já com eleições marcadas, os possíveis candidatos faziam sempre um momento de reflexão, aqui parecia já estar feita há muito. Até um dos maiores accionistas da SAD rapidamente veio mostrar a sua angústia e apresentar um possível nome (quanto a isto já há uns tempos disse que este accionista, até pelo “modus operandi” – não confirmado – estaria desagradado com tanto barulho provocado pelo presidente. Até porque pelo perfil adequar-se-ia mais a outros clubes, e seus modos de actuação), quando outros, com provas de corrupção, nem pelos parceiros são chamados à atenção, pelo menos, que se saiba (trabalho da comunicação social).
Não posso dizer muito sobre quem é mais ou menos culpado, porque não conheço os factos todos. Só sei o que vai surgindo e nem mesmo nisso posso ter certezas absolutas. O que li é que foram vistos jogadores na noite que, ao serem confrontados por sócios do clube, ainda “gozaram com a cara” de quem tinha estado na bancada a sofrer por ver os “seus” jogadores impotentes contra os espanhóis. Já eles, os jogadores, aqueles jogadores, pareciam aceitar bem um mau resultado para o clube. Clube esse que um deles diz à boca cheia ser o seu, e onde gostaria de terminar a carreira. Deveria ele querer dizer, e completar com “… se isto for à vontadinha, e eu puder mandar e desmandar”. Dizem também que a foto do presidente deitado na maca foi tirada por um jogador. Se foi ou não, não sei, mas com certeza foi tirado por algum funcionário do clube que, pasmem-se, enviou directamente para blogs afectos a um rival.
A culpa de iniciar isto foi do presidente? Foi culpado por ir tratar um assunto interno em local público. Mas já não sei se ele não terá sido obrigado a isso, porque a ver pela sua imagem, no banco, sozinho, na conferência, sozinho, com o “Marta” cachorrinho, de repente tornar-se leão, com o principal accionista vir a terreiro, faz passar a imagem que Bruno de Carvalho não terá muita gente consigo dentro da estrutura.
E eu entendo. Eu também me sentia mais confortável quando em Janeiro já podia dizer que ficávamos em terceiro e pronto. Não tínhamos de nos preocupar com o quarto porque estava longe, e o segundo também já não estava alcançável, as taças já disputadas por outros. Podíamos passar a segunda metade da época descansados, relaxados, sem stress, sem nos preocuparmos com classificações e poder ver um jogo do nosso Sporting apenas pelo jogo (mau, a maior parte das vezes). Porque nós, sportinguistas, somos o mais típico português, que não gosta de confusões, porque somos diferentes, e mesmo que nos estejam a enganar, arranjamos sempre desculpa para não fazer, porque não podemos fazer nada, porque não somos nós que devemos fazer, mas quem manda, etc… até porque fomos nós que fizemos uma revolução sem armas. Somos pacíficos. E sabemos receber. Muitos dos últimos presidentes adoravam receber, e aceitavam (ainda aceitam) um bom repasto seja ele pago por quem seja. O que queremos é “senhoras da vida” e vinho verde, sem que nos incomodem muito. Porque quando nos mandam ou obrigam fazer alguma coisa é logo o “cabo dos trabalhos”, e ainda reclamamos com o chefe. Quem é ele para nos mandar trabalhar, certo?
Este presidente faz muito barulho, incomoda toda a gente. Por que raio não faz ele tudo pela calada? Por baixo da mesa? Com favores? Pelo menos, a ver pelo que se passa no futebol português, Accionistas, parceiros, patrocinadores, governo, entidades e sócios parecem aceitar bem mais facilmente essa estratégia.

Fonte: Sporting CP
Olhem, sabem que mais, e porque no fim de contas ninguém sabe de nada, e sabemos apenas o que eles querem que saibamos, ou pelo menos pensemos que sabemos. O melhor é deixar o futebol como está. É o que merecemos, e sentimo-nos bem assim. E parem de reclamar no Facebook contra outros clubes. Para quê?
Termino como comecei. Nunca gostei da forma de comunicação do presidente, mas foi este tipo de comunicação que o obrigaram a ter quando se tornou presidente. Ainda se lembram dos ataques de um que está agora no Dubai? O problema é que os outros atiraram a pedra, esconderam a mão e calaram-se…. O presidente do Sporting não soube parar, ou pelo menos alterar a forma, e ficou com o foco todo nele. Deslumbrou-se, e o seu feitio egocêntrico de gostar de se ver e ouvir atraiçoou-o.
Por mim ele podia continuar, até porque os jogadores não são os santos que querem vender, e também não mereceram aquela volta olímpica (ganharam apenas ao Paços – obrigação – e mesmo com o adversário com menos um, e um central à baliza, nos últimos quinze minutos não fizeram um remate à baliza. A lentidão continua a ser o modelo). Continuaria, mas tendo que alterar a forma de comunicar, e não vendo inimigos em qualquer um que não concorde totalmente com ele, até porque ninguém consegue viver e sobreviver sozinho (Neste caso a mulher e as filhas não contam, nem deviam ser chamadas ao caso), e ele, se não o sabia, está a aprendê-lo agora, espero eu.
Uma nota final de felicidade por perceber que, afinal o presidente do Sporting era o gerador de todo o mal do futebol, a ver pelos “beijos e abraços” entre sportinguistas e outros em programas televisivos neste momento de destituição.
(Depois de tanto tentarem, finalmente conseguiram um foco de verdadeira divisão dentro do Sporting)
Foto de capa: Sporting Clube de Portugal
artigo revisto por: Ana Ferreira








