Ontem foi dia de jogo, muito importante, para o Sporting Clube de Portugal, e confesso que me senti acompanhado do saudoso Leão Jorge Perestrelo.

No primeiro toque na bola ouvi a sua voz inconfundível a gritar “Ripa na Rapaqueca, Sporting!”. Não faço a menor ideia do que quer dizer, mas “Ripa na Rapa” é poderoso e faz qualquer pessoa sentir-se invencível!  

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E, ao minuto 13, Porro correu e centrou para a grande área, Paulinho desviou de cabeça mas Pote chegou atrasado! 

À táctica de Carvalhal, de colocar os seus três avançados a pressionar em cima dos três defesas centrais do Sporting, o Sporting respondia com um contra-ataque rápido e muito focado na capacidade individual dos seus atletas.

Com as linhas próximas, para conquistar rapidamente a bola aos atletas do Sporting e não deixar espaço, nem tempo, para estes saírem em ataque organizado, o SC Braga foi assumindo o controlo do jogo. Ao minuto 14, Abel Ruiz, isolado frente ao guarda-redes, fintou Adán, mas o lance foi rápido demais e perdeu-se.

Ao minuto 10, Gonçalo Inácio levou o primeiro amarelo. Agarrou pelas costas um jogador do Braga e Artur Soares Dias não hesitou. Ao minuto 17, em lance similar, Artur Soares Dias replicou o cartão, deixando o Sporting com menos um jogador. Até àquele momento o Sporting tinha no total duas faltas, dois cartões amarelos e o respectivo vermelho. Ainda na semana passada ouvi Vítor Pereira a referir-se a Soares Dias como um árbitro que está mais “maduro”… Confesso que até concordo, pois tudo naquele profissional da arbitragem demonstra que de “verde” não tem nada!

Nesse momento Ruben Amorim batia palmas e eu dizia “está ganho!”.

E o resto da primeira parte foi um assistir do recital por parte de Adán e Coates. Do alto dos seus 1,96m, o “patrão” Coates cortava tudo, de cabeça e com os pés. “Aqui não passarás!”, parecia dizer Coates aos atletas do Braga. E Adán, primeiro ao minuto 37, fez uma grande defesa a um cabeceamento de Fransérgio e, logo no minuto seguinte, parou um remate perigoso de Galeno ao 1.º poste. 

Uma palavra de destaque também para Pote. Que todo-o-terreno incrível! Esteve em todo o lado. Em 63 minutos de jogo correu 7,6 km! 

Do lado do Braga sou um admirador confesso de Galeno e Abel Ruiz. São claramente jogadores diferenciados. Fransérgio trabalha muito, sendo um verdadeiro pulmão da equipa.

Apito! Intervalo. E agora?

Como ia o Sporting reagir ao facto de ter menos um jogador? Na primeira parte a solução foi baixar o Nuno Mendes para manter a linha de três defesas. Tudo o resto permaneceu “inalterável”. 

E o Braga? Como ia reagir ao facto de ter mais um atleta, mas não conseguir transformar isso numa vantagem no marcador? 

Rúben Amorim disse “presente” e fez duas alterações. Nuno Santos e Paulinho deram lugar a Matheus Nunes e Luís Neto.

A linha de três defesas estava novamente completa, com mais um defesa central. Nuno Mendes passou ao lugar onde iniciou o encontro. Pote foi assumir um papel mais “livre” e mais avançado. Matheus Nunes foi lançado para criar desequilíbrios nas alas, numa aposta clara de reforço no contra-ataque.

Carlos Carvalhal decidiu apostar na táctica “água mole em pedra dura tanto bate até que fura” e nada fez.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Ao minuto 61 voltei a ouvir as palavras de Jorge Perestrelo, mas agora na voz de António Salvador: “Essa até eu marco com a minha barriguinha!”. Galeno tentou o golo, com um bom cabeceamento, mas Adán fez uma defesa sensacional.

Ao minuto 63 a nação Verde e Branca estremeceu, Pote saia do jogo… “O Pote não”, ouvíamos os “deuses” gritarem! Sim, saiu entrando Tiago Tomás. E João Mário também, entrando Matheus Reis.

Nesse momento recordei as palavras de Rúben Amorim: “Não vou mudar. Se acredito numa coisa, vou continuar até ao fim”! É isso mesmo, Rúben, pensei eu, carácter e personalidade! Adoro! Onde tu fores eu vou, Mister!

Numa 2.ª parte de pior qualidade, Coates e Adán continuavam imperiais.

Ao minuto 67 Carvalhal demonstrou que estava a assistir ao jogo. Castro e Gaitán saem, para entrar Al Musrati e André Horta, para os mesmos lugares. Ainda bem que Al Musrati só entrou quase aos 70 minutos. Que jogador! André Horta entrou com uma “agressividade” que, confesso, até a mim me assustou, e eu estava a assistir pela TV. 

E aos 78 minutos voltou a tentar “mexer” no jogo. Ricardo Horta e Sequeira foram os eleitos para sair, com Piazon e Borja a entrarem, exactamente, para os mesmos lugares. A intenção era, novamente, refrescar os atletas em campo.

E que resultado teve esse “refrescar”. Passados dois minutos, Porro marca uma falta, desmarca Matheus Nunes, este aparece isolado e, com um remate cruzado, fez o 0-1!

Parecia um “déjà vu”!  Pedreira, Braga – Sporting, mesma baliza, mesmo lado, livre/desmarcação, remate cruzado, golo, vitória. Mas, se da primeira vez foi Porro que marcou, desta deu a marcar a Matheus Nunes. E se da primeira vez foi Gonçalo Inácio que fez um excelente passe para Porro, desta vez, tendo sido expulso ao minuto 17, dizem que foi a sua “alma” que entrou no Matheus, desferindo aquele remate fatal.

E o grande Jorge Perestrelo voltou a fazer-se ouvir na minha sala! A sua voz pujante, marcante e apaixonada, gritava, como o tinha feito em 2005, na meia-final da Taça UEFA contra o AZ Alkmaar, no golo de Miguel Garcia, “Golo, golo, golo, (…), golo… Eu te amo, eu te amo, Sporting, eu te amo, Sporting… Que bonito é…

E a partir daí o relevante foram as duas substituições. Aos 83 minutos Galeno deu o lugar a Rui Fonte. Um regresso aos relvados, após uma lesão grave, que saúdo. E aos 90 minutos a entrada de Plata para o lugar do lesionado Nuno Mendes.

Cinco minutos de compensação e apito final!

Aquelas palavras de Jorge Perestrelo não me saíam da cabeça! E nunca irão sair, pois, ainda hoje, choro quando as ouço, como também choro de saber que aquelas palavras apaixonadas foram o seu último relato, o seu último golo, pois partiu no dia seguinte! Ao Jorge Perestrelo dedico esta vitória, pois este Amor incondicional é eterno!

Nota do autor: No final do jogo um grupo de Leões (e uma Leoa) foram até à porta da casa da minha companheira, onde eu estava, e começaram a gritar Sporting, Sporting, Sporting! Eram vizinhos. Já nos tínhamos visto de passagem mas nunca tínhamos conversado. Fui à porta e acedi ao seu convite para tomarmos um café. “Nós sabíamos que estava aqui pois vimos o seu carro!”. Maravilha! O meu velhinho de 20 anos afinal dá nas vistas! Que felicidade ia naquela casa! E foram momentos onde a alegria e a boa disposição reinou! Eles merecem, Vocês merecem, Nós merecemos! Por muito que estes dirigentes do Sporting (e seus comentadores) ainda não tenham percebido, somos todos Sportinguistas!

Texto da autoria de Bruno de Carvalho,
antigo Presidente do Sporting Clube de Portugal

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