Quando o muro de Berlim foi construído, nenhum dos seus responsáveis colocou a hipótese de ele um dia vir a ser derrubado. Assim como acontece com tudo o que se ergue debaixo dos céus e com tudo o que a eles aflora. Mais tarde ou mais cedo, cai. Há de chegar o dia em que, por qualquer vicissitude, tudo se desmorone e rua sobre si, embatendo no solo com estrondo e fazendo içar a névoa, num sentimento clássico de perda. Que dúvidas não persistam! Em situações deste cariz, deve primar-se a realidade à ficção e a qualquer tipo de pensamento utópico.

Sem ser o nosso intuito, começamos a questionar a imponência, a solidez das vigas e o diabo a quatro. Tudo é motivo para crítica quando algo ou alguém rasteja pelas ruas da amargura e se ajoelha nas esquinas da desdita. Normalmente, confunde-se a condenação barata e sempre disponível com o relato rigoroso e consciente dos factos. Infelizmente, a opinião pública está contaminada de oitos e de oitentas, com um ínfimo espaço confinado ao quarenta e quatro. E ainda existe quem se admire pelo avanço categórico do radicalismo e das extremas da direita, da esquerda e do meio.

E eu começo a questionar Alvalade. Bem, se calhar questionar não é a palavra ideal, mas até encontrar outra que preencha os cânones continuo a usá-la. Aliás, não considero que nenhuma pessoa que se diz adepta do Sporting Clube de Portugal colocasse em causa tudo e todos durante a época que se esfria, que não discutisse a mais pequena das coisas, como o cordão mal apertado da chuteira do Coates, os calções engelhados do Doumbia, a carta de condução do Wendel ou o génio de Fernando no seio das quatro linhas… Da Ucrânia!

Das seis derrotas leoninas na liga, quatro foram em casa
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Más línguas dizem, por aí, que o estádio ganhou caruncho e um bafio tal desde a chegada de Frederico Varandas. Que os parafusos se desprendem, que o material composto por ferro se enferruja a uma velocidade estonteante e que a madeira, oca e com aquele som antigo característico de quando se abria ou fechava uma porta, se apresenta em estado de possível putrefação. Ora, o leitor não sabe, mas a junção destes acontecimentos afeta o estado do relvado e o desempenho da equipa aquando de um confronto no reduto leonino. E, a partir desta explicação, o leitor que retire as suas próprias conclusões acerca dos dois últimos embates dentro de portas, diante de FC Porto e SL Benfica. Bem, contra FC Famalicão e Rio Ave FC assolou-nos o calor de verão e, perante tal facto, reina a impotência.

Repare-se que, num curto parágrafo, desculpei quatro desaires precursores do afastamento da corrida do título, mesmo sem considerar que existe, da nossa parte, qualquer capacidade para alcançar tal feito num período de dez anos.

Os apóstolos de Bruno de Carvalho, ao lerem tal missiva, atribuir-me-ão a designação de “parte integrante dos 71%”. Se me revisse e argumentasse com base no Ataque de Alcochete, no pavilhão, nos posts no Facebook depois de jogos europeus e nas bazófias que eram conhecidas por todos, posicionavam-me do outro lado da barricada. E eu não quero ser croquete, nem “brunista”. Aqui discutem-se os jogos no reduto do leão: Bruno de Carvalho, nesse fator, supera o atual presidente leonino, porque durante cinco anos, qualquer sportinguista sentiu, por pouco ou muito tempo durante a sua estadia, que em Alvalade mandava o leão.

Pertenço ao clube dos quarenta e quatro. Sou do Sporting CP e observador da atualidade desportiva, não adepto de presidentes e cúpulas dirigentes. E, à semelhança de qualquer fã, exijo que reconquistemos Alvalade!

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Artigo revisto por Joana Mendes

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