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Estávamos ainda a meio de maio quando o Sporting Clube de Portugal anunciou um reforço para o lado direito do seu setor defensivo. Ezequiel Schelotto e Ricardo Esgaio, que estavam no plantel, viam chegar Cristiano Piccini para concorrer pela titularidade.

Piccini não era um jogador muito conhecido no nosso campeonato, pois vinha dos espanhóis do Betis de Sevilha, onde tinha feito o último jogo em abril. Contudo, tendo em conta os problemas graves e recorrentes que o Sporting teve com os laterais em 2016/17, crescia a expetativa por ver o que Piccini poderia dar à equipa. E os primeiros sinais foram positivos. Piccini foi um dos jogadores que mostrou trabalhar bastante durante o período de férias, disposto a apresentar-se num ritmo elevado no início da pré-época. E assim foi. Piccini foi um dos jogadores muito utilizados durante a fase de preparação. Em primeiro lugar, porque não tinha concorrência à altura. Ricardo Esgaio foi para Braga, Schelotto foi dispensado, André Geraldes e Mama Baldé nunca fizeram sequer cócegas ao italiano. Em segundo lugar, porque Piccini sempre mostrou uma vontade e disponibilidade enormes para se mostrar a Jesus.

Contudo, Piccini viu ser-lhe logo colado, injustamente, o papel de patinho feio da equipa. Piccini não esteve isento de culpas, mas até Coates e Mathieu estiveram muito periclitantes na pré-temporada. O guarda redes, Azbe Jug, teve desempenhos miseráveis, e tudo isto ajudou a que fosse colocado o tal rótulo em Piccini, que ainda estava a adaptar-se também aos novos companheiros e à exigentes tarefas pedidas pelo treinador. Com o início dos jogos mais a sério, viu-se outro Piccini. E aqui englobo os dois jogos de campeonato já disputados e também os encontros de preparação disputados em Alvalade, frente a Mónaco e Fiorentina.

Piccini tem feito muitos minutos desde julho na equipa do Sporting Fonte: Sporting CP
Piccini tem feito muitos minutos desde julho na equipa do Sporting
Fonte: Sporting CP

As comparações com os seus antecessores são inevitáveis e aí Piccini ganha aos pontos. Schelotto tinha como ponto forte a sua disponibilidade física, que lhe permitia colmatar as falhas que ia tendo. Ora, Piccini tem também essa característica, acrescentando os upgrades de ter maior capacidade técnica e defender melhor que o ítalo-argentino dispensado por Jorge Jesus. É um jogador que trata melhor a bola, sem ser brilhante. Contudo, tem mais noção dos seus pontos fortes e fracos, algo que faltava também a Schelotto. Piccini sabe que não é nenhum Daniel Alves ou Carvajal, ou sequer um Cédric Soares, para falar de um jogador que já passou pela lateral direita leonina. Porém, sabe proteger-se disso mesmo, não arriscando demasiado, nem que para isso seja preciso jogar feio.

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O que se pede, em primeiro lugar, a um defesa é segurança. E nesse ponto estamos melhor servidos que nas últimas temporadas. Piccini parece-me melhor que Schelotto, Esgaio ou João Pereira. Aventura-se pouco no ataque e o cruzamento não é, claramente, um dos seus pontos mais fortes. Contudo, vai estando mais afoito a nível ofensivo à medida que os jogos vão decorrendo e isso é positivo. É sinal que se está a adaptar cada vez mais rápido às rotinas pedidas pela equipa técnica e que está a ganhar confiança.

A chegada de Stefan Ristovski pode ser também positiva para o italiano. Significa concorrência mas ambos os jogadores podem crescer juntos. A concorrência pode ser bastante saudável e Piccini não ia fazer todos os jogos da época, com toda a certeza. Também não conhecemos bem Ristovski e a forma como se vai adaptar ao futebol português. Contudo, penso que os sportinguistas podem estar contentes com Piccini. Penso que o italiano pode ser uma pedra importane na estruturação de sucessos futuros para os leões.

Foto de Capa: Facebook oficial de Cristiano Piccini